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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

19
Jun18

Terapia de grupo #2

Fatia Mor

Olá, sou a Fatia Mor e estou de rastos!

 

(Olá Fatia Mor, responderão vocês!)

 

Não sei se é só de mim, se é deste tempo (ora quente, ora fresco, ora sol, ora chuva, nuvens e cinzento), se é da época, se é do ano, se é do mundial de futebol... Só sei que ando esgotada.

Adormeço que nem uma pedra no sofá e quando me mudo para a cama fico a pensar na vida e em tudo o que tenho para fazer. Concomitantemente, esqueço-me de marcações, de ler emails, de responder a solicitações. Vivo entre as coisas que tenho para fazer, as coisas que tenho para me lembrar e as coisas que efectivamente consigo fazer... E digo-vos, não é bonito!

Pelo meio, perco a paciência. Perco a paciência com os miúdos, que me parecem fazer asneiras a um ritmo vertiginoso; perco a paciência comigo por perder a paciência com eles; esqueço-me que é preciso cuidar de mim e da minha sanidade mental para os fazer felizes.

Quero muito acreditar que as férias estão ao virar do mês de julho, que agosto está já aí com tudo de bom e menos bom que traz consigo. É que por norma, ao virar de agosto está logo setembro e volta tudo ao mesmo. E pronto, irrito-me por viver em antecipação, da antecipação, num sofrimento idiota que não é necessário nos dias que correm. 

 

Alguém que me ofereça uma passagem para uma ilha paradisíaca? 

 

14
Jun18

Tu não mandas em mim!

Fatia Mor

Penso eu que deve haver um momento, na vida de qualquer um de nós, em que percebemos que somos donos e senhores dos nossos narizes. 

E depois há o momento em que o verbalizamos!

A Fatia#1 dizia-me, do alto dos seus cinco anos, num acesso de independência em que invocava o seu direito a escolher o caminho da sua vida, leia-se, não ir à escola, que ela é que sabia onde queria ou não queria ir!

Ultrapassando a questão que permanece de ela achar que na escola se trabalha muito e se brinca pouco (e como tal, prefere ficar em casa "porque faz o que quer"), a peste, isto é, o anjo, estabeleceu rapidamente os seus limites pessoais, depois de eu lhe ter dito "toca a despachar".

 

Tu não mandas em mim!

 

Penso que este momento deveria ser crítico o suficiente para existir alguma literatura, traduzida em vários volumes de estudos empíricos, sobre o que conduz ao mesmo, o processo subjacente à emancipação precoce (passo todas as possíveis redundâncias entre os dos conceitos por uma questão estilística) e ainda as consequências percebidas e reais para todos os intervenientes.

Não há!

Não há nada que nos prepare para a insanidade de ouvir uma criança de 5 anos dizer "tu não mandas em mim". 

E talvez não haja maior prazer do que definir, rapidamente, que isto cá em casa não é uma democracia, pelo contrário, será o mais próximo de uma ditadura benévola, em que quem manda sou eu! Pelo menos, até aos 18 anos e daí em diante, enquanto a sustentar.

 

Confesso-me, para um argumento de peso, nada como uma contra-argumentação rasca.

Mas não me censurem... Não resisti! E acho que ela percebeu.

 

Cá em casa, quem manda, sou eu!

 

Aguardam-se novos desenvolvimentos e evoluções na capacidade argumentativa de parte a parte. E eu acho que estou a perder.

 

#SomosTodosPaisÀBeiraDeUmAtaqueDeNervos

11
Jun18

Terapia de grupo #1

Fatia Mor

Olá, bom dia, sou a Fatia Mor e tenho um problema.

 

(Olá Fatia Mor. - responderão vocês, companheiros desta terapia de grupo)

 

Não sei o nome dos colegas de escola da minha filha. Pronto, já disse, desabafei.

 

Eventualmente, sei o nome de uma ou outra menina, com quem a Fatia#1 brinca mais e que, recorrentemente, vem à baila. Eventualmente, também sei o nome daquela menina a quem fomos ao aniversário e por algum motivo, consegui reter nas malhas da memória. Mas nada mais do que isso.

Vejo as carinhas deles, quando vou deixar a miúda à sala e nem me detenho a tentar relembrar "esta é X, aquela a Y, aquela...". 

E viveria bem assim, no total desconhecimento de quem-é-quem se não fosse aquela outra mãe.

Aquela mãe que chega, distribui sorrisos (àquela hora da manhã...) e conforme vai passando, vai dizendo "Olá X, bom dia Z, estás boa L!".

Quase que a vejo, a passadeira vermelha a estender-se pelo corredor, os miúdos a alinharem-se qual família Von Trapp (música no coração, shame on you all que nunca viram!), tudo a sorrir e a dizer bom dia, com o devido nome a seguir! 

E depois, vejo-me a mim, qual formiguinha a tentar passar despercebida entre nomes e caras desconhecidas, a tentar deixar a minha filha na sala, no meio de tanto aparato.

Pronto, é isto. Morro de inveja, mas não consigo! Por isso, levam todos com o sorriso 33, o bom-dia de chapa e segue para bingo.

 

Vá, confessem-se lá. Sabem os nomes todos ou são assim como a pobre da Fatia Mor?

 

#tamujuntas

 

 

 

17
Abr18

Mum Code

Fatia Mor

Estão a ver aquela cena que une os machos nos filmes e séries? O chamado bro code, que no fundo é um conjunto de princípios e valores implícitos, informais, que regem a conduta dos homens uns para com os outros, especialmente no tocante às mulheres? 

Pois bem, tenho a informar-vos que, recentemente, me apercebi que há uma espécia de mum code, ou seja, um código implícito de condutas esperadas entre mães, que se cruzam na actividade constrangedora de educar os seus filhos em situações públicas. 

Estava eu no IKEA a almoçar, as benditas almôndegas; enquanto esperávamos pacientemente que o pai voltasse da interminável fila que se gera na loja daqui da zona, as crianças brincavam alegremente com os dispositivos para o efeito. Sentadas há um bocado, cada uma no seu banco, brincavam animadamente quando se aproxima uma mãe com dois filhos.

 

E é aí que começa "o" diálogo.

 

Diálogo esse, dirigido às crianças, que pretende mostrar à outra mãe que estamos solidárias com a necessidade de também ela colocar os seus filhos a brincar, enquanto lhe mostramos a extrema educação que damos aos nossos.

 

- A menina está a brincar. Quando ela acabar de brincar, podes vir brincar.

- Oh Fatia#1, deixa o menino brincar contigo que há espaço para os dois. Fatia#2 puxa esse banquinho para cá para brincarem todos.

- Não filho, não faças isso que a menina já cá estava. Temos que ser pacientes.

- Meninas, toca a partilhar. Vá, já aí estão há muito tempo. Não tarda vem a comida, venham limpar as mãos.

 

E assim continuou, num pingue-pongue de deixa-estar-vem-cá-sê-simpático e mais que seja, enquanto os miúdos olhavam para nós, claramente sem saber como corresponder àquela situação.

Foi no processo automático em que me encontrava que a minha mente começou a derivar e observar a situação, como se estivesse de fora da situação.

 

Não pude deixar de pensar que era ridículo.

 

Talvez se tivéssemos deixado as crianças, elas teriam arranjado maneira de brincarem todas juntas e nós teríamos nos agastado menos. Eu, pelo menos, teria gasto menos latim.

Mas cá está, depois não teríamos usado o código. O bendito código que diz que devemos provar às outras mães que somos preocupadas com o bem-estar de todos, que partilhamos tudo, que somos politicamente correctas, sob pena de, pelo mesmo código, sermos julgadas como más mães.

 

Sou franca, não sei quem o escreveu, mas vou começar a olhar com atenção redobrada. E vocês, reconhecem o mum code por aí?

05
Abr18

Dias há...

Fatia Mor

Dias há em que me sinto uma fraude. Em que sinto que nada do que faço está realmente sustentado. Em que tenho apanhar as bolas todas que estão no ar, à minha frente, qual palhaço de circo que quer ser malabarista. Porém, quem nasceu para ser palhaço triste, nunca chega às luzes da ribalta.

Dias há em que sinto que nada corre bem. Nada fica bem feito.

Mas depois, olho para o céu azul, para as aves que voam, para as árvores que crescem, mesmo sem saberem para o que foram feitas e que desempenham o seu trabalho sem duvidar.

O mal está na dúvida. E nestes dias, duvido muito. Duvido demasiado.

Dias há... outros virão!

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (https://www.flaticon.com/).