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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

14
Fev19

5 actos de puro romantismo para casados no dia de S. Valentim

Fatia Mor

É dia de S. Valentim. É dia dos amorosos. É dia dos namorados. É dia dos solteiros anunciarem ao mundo que se amam muito e que esperam quem lhes encha as medidas (yeaaaaah!!!). E os casados?

Malta casada, não se acanhem! Sim, vocês que partilham a mesma cama há mais de 10 anos! Vocês que ainda ontem discutiram porque a pasta de dentes acabou e ninguém se lembrou de a comprar. Vocês que estão desesperados com os filhos, que insistem em não dormir, em fazer birras, ou simplesmente, são pequenos o suficiente para não vos deixar sair em dates!  Vamos mostrar a esta malta que hoje vai jantar fora, enquanto nós nos aninhamos nos sofás, com o nosso melhor pijama e nos deixamos dormir 5 minutos depois de escolher a série que vamos ver, que somos capazes de grandes actos românticos.

Como tal, e no caso de vos ter passado ao lado e não terem cedido ao consumismo de comprar alguma coisa inflacionada no dia de hoje, aqui ficam algumas dicas para agradar aos vossos companheiros/as.

1. Coloquem a roupa no cesto da roupa suja, quando trocarem para o traje caseiro. 

Nada deixa uma mulher mais feliz (e alguns homens) do que verem a roupa logo arrumada no sítio certo. E se quiserem uma noite de loucura, experimentem deixar logo as calças do avesso, as meias esticadas, e abram os botões dos colarinhos e das mangas! Garanto-vos, vai ser a loucura!

2. Coloquem uma cerveja a refrescar (ou algo do agrado) e ofereçam-na à cara metade quando chegar a casa.

Vai relaxar, vais estar mais no mood e com jeitinho, adormece mais tarde porque vai ter que ir à casa de banho fazer xixi mais vezes!

3. Segurem as crianças e deixem a vossa cara metade ir à casa de banho sem assistência.

Pode ser para se sentar 2 minutos na sanita ou para tomar um banho demorado, sem público a assistir. Pode ser que ela consiga fazer a depilação ou que ele apare a barba. Nunca se sabe. O céu é o limite. 

4. Encomendem comida ou abram latas.

Nada de cozinhar. Façam uma excepção e deitem os miúdos com uns cereais no bucho. Ninguém morre por um bocadinho de açúcar a mais num dia especial. E vocês, atirem-se a uma pizza que se faz sozinha no forno, que não precisa sujar loiça e economiza o esforço de arrumar a cozinha.

5. Desliguem a televisão, coloquem os telefones no silêncio, deitem as crianças e olhem demoradamente um para o outro. 

No meio da loucura que é o vosso dia-a-dia, permitam-se viajar no tempo e reencontrar os pequenos encantos que vos fizeram apaixonar-se. Conversem sobre tudo o que está esquecido debaixo do manto das preocupações, abracem-se e deixem-se estar nos braços um do outro. 

 

E pronto, FatiaMor recomenda estes 5 passos para um dia (ou noite) de S. Valentim em grande!

(se quiserem maior, façam tudo com um copo de vinho nas mãos!!)

05
Fev19

Óoooh mãeeeee!

Fatia Mor

Há qualquer coisa de místico no gritar Óooooh Mãeeeee. Diria, até, que eles vêm equipados com essa habilidade. Parece transversal a todas as culturas. E a todas as idades. Posso estar a 10 milhas ou mesmo ao lado deles, que o empenho com que gritam Óoooh Mãeeee é o mesmo. Pode ser um pequeno som que se prolonga no contínuo espaço-tempo, ou a articulação perfeita dos sons... Ele está lá.

 

Vejamos exemplos práticos da situação em que o Óoooh Mãeeee se aplica.

1. Criança na casa de banho. Acabou de fazer cocó ou xixi.

Óoooh Mãeeee, jáaaaaa estáaaaaa!

Este obriga a acção imediata, sob pena de... bem... enfim... Fiquemo-nos por "necessita de acção imediata".

 

2. Estou ao lado deles. Estala uma discussão por causa de um grão de pó que ousou desequilibrar a distribuição equitativa de grãos de pó no espaço pessoal de cada um.

Óoooh Mãeeee, a mana tem mais pó do que eu!

Nada a fazer neste caso. Eventualmente, no meio da luta que se seguirá, alguém irá reequilibrar este flagêlo.

 

3. Não sabem de mim, mesmo que esteja ao seu lado. Por algum motivo que me ultrapassa, devo ter capacidades de invisibilidade momentânea, que infelizmente não sei aproveitar a meu favor...

- Óoooh Mãeeeee, onde estáaaaas?

- Aqui.

- Ah! Ok. 

- Que precisas?

- Nada.

Este momento é auto-explicativo. Serve apenas para assegurar que a invisibilidade se desvanece. Ou que nos apanham a comer o chocolate que lhes deram no Natal ou na Páscoa e que jurámos a pés juntos já ter acabado.

 

4. Uma pessoa prepara-se para dormir. Ultrapassou todo um soalho que range, pé ante pé, talvez até descalça para garantir que não faz barulho. Lava os dentes numa tentativa de abafar qualquer som estranho. Sussurramos para que não nos oiçam. Mal ouvem as pestanas a bater, no momento em que estamos a adormecer e...

Óoooh Mãeeee, quero água/xixi/tenho medo/acende a luz/não tenho sono/já é de manhã/vem cá! (riscar o que não interessa).

Este acaba sempre connosco a vaguear entre quartos, às escuras, e a espetar o pé num qualquer brinquedo pontiagudo esquecido no chão. Normalmente são legos. São sempre legos. E eu que nem tenho legos em casa!!!

 

Enfim... Usado de forma gratuita e vulgar, o Óoooh Mãeeee tem a capacidade de nos colocar em alerta, de nos arrancar da cama e de nos fazer levantar repentinamente da sanita, independentemente do que estivéssemos lá a fazer.

 

Uma bomba. É uma bomba.

 

04
Fev19

O que eu quero é sentir saudades

Fatia Mor

Desde que entrei em casa que me parece que encontrei um sistema de oposição. É a televisão com o som na estratosfera; é a relutância em ouvir o que digo; são os pedidos ininterruptos de comida, de preferência carregada de açúcar e coisas que tais, às quais digo que não até à loucura, ou até que peçam uma peça de fruta. Pedem. Mas fazem-no em disco riscado, até que eu me deixe o que estou a fazer a meio e vá responder aos seus pedidos. Sou eu a levantar a voz para me fazer ouvir no meio dos gritos que endereçam uns aos outros. Para escrever este pequeno texto, até este ponto, já me levantei 5 vezes.

Tudo é uma escolha demorada: as cuecas que vão vestir depois de tomarem banho; o elástico para prender o cabelo, depois de o secar; o tipo de rabo-de-cavalo que querem. Ele ora quer ver televisão - panda style - ou quer ver exactamente a mesma coisa no meu telemóvel. A mudança de suporte electrónico é o suficiente para gerar uma birra de proporções épicas. E ainda só cheguei a casa há uma hora. Ainda falta fazer o exercício diário de leitura, preparar umas bolachas caseiras (que, num acto de insanidade, lhes prometi que fazia hoje com eles), preparar o jantar, garantir que comem tudo e que se deitam a horas decentes para crianças destas idades. (levantei-me, novamente, para ir buscar uma toalha para a mais velha, que felizmente já toma banho sozinha)

Dizem-me que vou sentir falta destes tempos. Dizem-me que é a melhor altura da vida deles e da nossa. Acredito que sim. Aliás, tenho a certeza que sim. Mas neste momento, tudo o que me apetece é sentir saudades.

18
Jan19

Pequeno Fatia#3 armado aos cucos

Fatia Mor

O meu pequeno Fatia#3 está sempre pronto para se meter nas conversas que tenho com as suas irmãs, especialmente, quando elas estão a ouvir um responso. 

Ontem, depois de (mais) uma birra da Fatia#2 (aprendeu e não quer outra coisa), lá estava eu a falar com ela sobre o seu comportamento.

Indignada com o que lhe digo, faz-me os seus famosos "rolling eyes".

Paro o que estou a dizer, elevo a voz e digo-lhe:

- Mau!

Vem logo ele a correr, pára ao pé da irmã, mão na cintura e diz:

- Mau!

Olho para ele, seriamente, fito-o longamente e digo-lhe, num tom bem exagerado:

- Oiça lá, a conversa é consigo*?

Fatia#3: Não! - responde-me ele, com uns grandes olhos pousados em mim.

FatiaMor: Então, não se meta!

Fatia#3: Está bem... - diz ele, num tom meio desiludido.

E lá deu meia volta e voltou para os seus carrinhos, antes que sobrasse para ele.

 

Não perdem uma oportunidade de "sovar " o outro. São muito "caridosos"...

 

(*não trato os meus filhos na terceira pessoa do singular, 'tá? mas ajuda a meter um certo tom à coisa)

 

14
Jan19

Efeito dominó

Fatia Mor

Tenho falado muito pouco de maternidade, coisa a que este cantinho se dedica(va).

 

Isto está cada vez mais complicado e ninguém me disse que ia ser assim.

Mentira, eu já sabia. Mas é interessante como continuamos a olhar para os nossos filhos e a idealizá-los num futuro próximo, como sendo as crianças perfeitas.

 

Não são. É que não são mesmo. São birras atrás de birras. Avanços e retrocessos constantes na sua autonomia. Quando achamos que conquistámos um pouco mais de sossego, eis que um período qualquer conturbado bate à porta, trazendo consigo noites mal dormidas, choros incontroláveis e ideias parvas.

 

Ultimamente, o sr. Fatia#3 não tem uma noite que, lá para as 4, 5 ou 6 da madrugada, não venha dormir connosco. 

Quê, crianças a dormir na nossa cama... Nunca!

Hã hã.

O problema é que ele grita mais alto do que os nossos ouvidos são capazes de aguentar e, acresce à sua imperturbável vontade, o malogrado efeito dominó. 

Não sabem o que é o efeito dominó?

Típico de quem tem mais do que um filho, agrava-se substancialmente de forma proporcional ao número de crianças presentes numa casa. O efeito dominó é provocado pelo achaque nocturno de um dos pequenos seres, que exigindo a plenos pulmões leite, água ou qualquer coisa que nos valha, acorda todos os outros pequenos seres que dormitam levemente nas suas camas. E quando damos por ela, passaram-se 3 horas a atender chamadas a xixis, águas, leite, mais xixis, fraldas cheias, e pedidos de virem pernoitar para o pé de nós porque têm medo do escuro.

Efeito dominó.

Por isso, meus amores, um puto que se atravessa na nossa cama, nos faz dormir destapados mas que dorme em silêncio e que também nos deixa dormir o resto da noite é, inegavelmente melhor que três crianças aos gritos nas suas camas. E nós fora da nossa.

 

 

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