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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

18
Dez17

O significado do Natal

Fatia Mor

na·tal 
(latim natalis, -e, do nascimento)

 
Sou, e espero ser sempre, uma apaixonada pelo Natal. 
Alegram-me os cânticos; encantam-me as luzes; sensibiliza-me a alegria dos pequenos em torno da magia do Natal, apesar de lhe reconhecer uma confusão de crenças e tradições, que vão do pagão ao cristão num piscar de uma gambiarra qualquer!
Seja como for, dentro das tradições comuns e das mais específicas de cada família, o Natal é uma época de consensos. Seja porque há quem o adore, seja porque há quem passasse bem por esta época sem colocar o nariz na rua. Ninguém lhe é indiferente.
 
Mas, com o tempo, o significado que o Natal assume na minha vida tem-se alterado consideravelmente.
 
Tempo houve em que o Natal era significado de espera
Espera que chegassem as férias escolares. O ficar em casa, acordar cedo à mesma, mas transitar directamente para o sofá, de pijama e comer uma tosta de queijo que o meu avô me preparava com todo o carinho possível.
Era também a espera interminável que o meu tio chegasse do Porto, cansado de exames, com músicas novas na tuna, como uma lufada de ar fresco que entrava pela casa e encantava toda a gente. 
Eram os doces, o cheiro das rabanadas acabadas de fritar, era o cheiro das couves na panela (blherc), era a mesa enfeitada. O pequeno pinheiro que parecia ter sofrido de um distúrbio qualquer de identidade, cheio de cores que não combinavam entre si e luzes que a dada altura deixavam de funcionar, porque havia uma que se fundia!
E claro, era espera pela véspera, pela meia-noite, pelo abrir das prendas, por ver todos alegres, esquecidos dos atritos do dia-a-dia.
 
Depois, passou o ser o tempo que antecedia a passagem de ano.
Já era mais crescida; as crianças já escasseavam; já não estávamos todos - por esta ou por aquela razão. 
O Natal passou a ser um momento importante para se viver em família, mas a passagem de ano era o Natal dos amigos.
Os dias eram passados a reconfigurar os planos entre o dia 24 e o dia 31. Quando podíamos reunir-nos, que roupa íamos vestir (certamente a que nos tinha saído nas prendas de natal, já escolhidas antecipadamente e sem qualquer surpresa), que comida íamos levar (e bebida, claro está), quem dormia onde e com quem. Preferências a namoros, depois a sectorização (cada um para seu lado) e depois, acabava tudo a dormir na sala, depois de noites intermináveis a conversar sobre tudo e sobre nada. 
Era tudo importante, ao ponto de nada o ser. Mas era o nosso Natal.
 
Com o crescimento, os amigos perderam campo e, as perdas fundamentais na família, levaram-me a valorizar novamente o tempo passado com todos os que cá estão.
O Natal passou a ser os dois dias em que nos dedicamos a estarmos juntos; a recontarmos as memórias que todos temos, dos tempos idos; a acrescentar-lhe novas histórias para recontar em anos futuros; a relembrar o gosto dos doces (que nunca são o que eram!) e a tentar reproduzir as receitas que já não podem ser reproduzidas (quem as fazia, já cá não está).
 
Agora, o Natal, é um momento que chega demasiado depressa. Olho hoje para o calendário e pergunto-me para onde voou o mês de dezembro que antes demorava, pelo menos, o tempo de dois meses de calendário a passar! O Natal é no próximo fim-de-semana e o meu tempo consome-se entre terminar o máximo de tarefas profissionais possíveis antes de chegar a época e organizar tudo para a consoada lá em casa. Parece que há uma urgência em poder usufruir o momento com calma e sinto que preciso de ordem à minha volta para o poder fazer!
Agora, o Natal são as compras para fazer a consoada, saber quantos sento à mesa, se a comida me chega (claro que chega, sobra sempre!). Se as compras estão todas compradas, se os presentes estão escondidos dos olhinhos expectantes que há lá por casa, se me sobra tempo para mim, nesta corrida desenfreada.
No meio disto tudo, tento mostrar aos meus filhos qual o verdadeiro significado do Natal.
Não quero que seja o natal da pressa, da comida, das prendas, nem sequer do pinheiro, das luzes, das bolas, dos enfeites. Não quero o natal da ilusão consumista lá em casa.
Quero o Natal da espera, da tosta de queijo que o meu avô me fazia. Das conversas longas à mesa. De contar e recontar histórias velhas e novas. Quero o Natal de nos apreciarmos, de dizermos a todos quanto gostamos uns dos outros, apesar dos atritos diários, quero o Natal que fique na memória para sempre, como o tempo em que celebramos a família, os valores e o amor.
 
Quero que o Natal chegue e fique. Que passe devagar. Que se prolongue pelo resto do tempo, dos meses do ano e que viva em nós.
Quero que seja Natal. 
 
Feliz Natal a todos!

 

14
Dez17

Então Fatia, como é que vai esse Natal?

Fatia Mor

Obrigada por perguntarem.

Vai uma maravilha. 

Depois de, em anos transactos, as pequenas Fatias desfazerem a decoração da árvore de natal numa base diária; depois de partirem ou, se quisermos ver do prisma artístico, redesenharem - num pensamento out of the box - a forma das bolas da árvore de natal; depois de sorrateiramente comerem chocolates que lá estão pendurados e deixarem as pratas, num esforço em vão de ocultarem o crime; depois de isso tudo, tenho a dizer-vos que este natal está a ser uma desilusão.

Uma pessoinha aqui, na expectativa que Fatia#3 nos brindasse com mais umas peripécias loucas em torno do pinheirinho, de forma a alimentar a vertente humorístico-familiar deste blogue e nada! Nadinha de nada!

O puto olhou de soslaio para a árvore, encantou-se com as luzes a piscar e passou por ela como quem passa por uma parede branca. E olhem que essa, em dia de sol, encandeia. 

No outro dia, ainda o vi - com alguma esperança minha - a fazer balançar uma bola dos ramos inferiores. Rapidamente se fartou e foi embirrar com a mana do meio, só mesmo numa de a ver guinchar. Acho que ele tem mais gosto nisso do que em decorar a dita.

Pronto. É gajo. Deve ser disso. Não há cá bolas pelo chão, tiradas do sítio, guardadas no fim do mundo. O nosso pinus plastificado é-lhe totalmente indiferente. 

É uma afronta. Será que há algum sindicato onde eu me possa queixar?

24
Nov16

8:32 da matina

Fatia Mor

Encontro a Fatia#2 em cima de uma cadeira, junto à árvore de Natal a comer os chocolates que estavam habilmente escondidos nas ramagens mais altas da minha árvore com 1,80m de altura.

 

FatiaMor: O que estás a fazer aí Fatia#2?

Fatia#2: É cholate! Huuumm ca bom!

 

E é isto! Uma pessoa acha-se uma espertalhona porque consegue esconder chocolates na árvore e uma pirralha de dois anos dá com eles!

 

 

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