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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

16
Out18

Das castanhas

Fatia Mor

Estamos, oficialmente, no outono.

O frio instala-se devagar, as primeiras chuvas caem e na escola tratam-se os temas referentes à estação.

Fatia#2, recém estreada nestas coisas do pré-escolar, chegada a casa conta-me, efusivamente, o que fez no seu dia.

Oh mãe, até colei a castanhola!

Levei dois segundos, até perceber que ela se referia a uma castanha, que eventualmente terão colado algures.

A rir-me, vou ter com o Fatiasman que me diz, também perdido de riso: - então vai lá perguntar à tua filha mais velha, o que viu hoje na escola...

Eis que a Fatia#1, toda feliz atesta:

A professora trouxe uma castanha dentro de um porco-espinho, que caiu de um pinheiro!!

 

Acham que devo estar preocupada com o que as minhas filhas acham das castanhas?!

10
Out18

Quatro anos

Fatia Mor

Neste momento, dormes. Eu acabo de fazer o teu bolo de aniversário. Apesar de saber que é algo que consome tempo, nada diz mais "amo-te" do que perder (ganhar?) umas horas a fazer o teu bolinho. É que além da farinha, dos ovos e do açúcar, coloco amor, dedicação e carinho. É um cliché minha filha, mas a vida está cheio deles, para nos lembrar que somos todos demasiado parecidos, para nos perdermos na mesquinhez das diferenças.

E é aí que te encontro, minha doce filha do meio! Sempre pronta a rir, a petiscar e falar com todas as pessoas, sem distinção. Não há ninguém que não te mereça um sorriso e uma palavra de simpatia. Tens um carisma muito próprio, que vai derrubando as barreiras mais frias, mais altas ou mais resistentes, de todos a quem tocas.

Temos dias em que a tua saudável teimosia (corre-nos nas veias) vem à tona. Os teimosos são sempre aos pares, diria o teu bisavô. Portanto, resigno-me à ideia de que não teimas sozinha.

É ver-te brincar com os teus irmãos, perdão, irmã, porque ambas sabemos que o Fatia#3 é o teu némesis. Não há dia em que não embirrem um com o outro. Vaticino que serão inseparáveis, de futuro, mas para já, reservas-te ao direito da indiferença (mesmo que lhe dês uma das bolachas maria, quando achas que ninguém está a ver).

Estás crescida. Os teus 4 anos equivalem a 5 ou 6 na escala dos irmãos. Queres fazer tudo "so-zi-nha!", desde o banho, ao fazer da cama, ao jogar no telemóvel (eu sei, eu sei...), a fazer trabalhos da escola (tal e qual o teu ídolo, a Fatia#1). E a verdade é que tens uma tenacidade invulgar, em que não te dás por vencida na primeira derrota.

Gostas do miminho, gostas de dar beijinhos e queres muito colinho. E nós damos. Damos enquanto couberes e quiseres, aninhar-te em nós e deliciar-nos com o teu abraço.

 

Minha doce filha. Parabéns. Quatro anos a abrilhantar as nossas vidas.

30
Set18

Tenho uma associação secreta cá em casa e não sabia

Fatia Mor

Estou na cozinha, a acabar de tomar o pequeno-almoço e oiço a Fatia#1 gritar "Diamante".

Como elas andam sempre com ideias malucas, não ligo por aí além.

Vou eu a dirigir-me ao quarto, para arrumar as camas, e vejo a Fatia#2 parar em frente à porta do quarto delas e gritar "Diamante". A seguir abre a porta e começa a falar, naturalmente, com a irmã.

A esta altura já estou intrigada. A meio, bato à porta e questiono (a medo): "Oh meninas, porque é que gritam diamante no corredor?"

"É a nossa palavra passe para a porta destrancar!"

 

Óbvio, como é que eu não pensei nisso...

 

 

24
Set18

Vitinho à la Fatia#3

Fatia Mor

Pego-lhe ao colo e digo-lhe que são horas de ir dormir. O refilanço começa logo, com ele a dizer "não, não". Um não muito redondo, que reforça com um abanar da cabeça, para a esquerda e para a direita. "Tem que ser, são horas de ir dormir". E começa o rol das perguntas, que soam a algo como isto:

Fatia#3: Uuuuu páaaaaiiiiii? (o pai?)

FatiaMor: Não está!

F#3: Aaaaaa Báááááá? (a Fatia#1)

FatiaMor: Está na sala.

F#3: Aaaaaa T'tiiiiisssss (a Fatia#2)

FatiaMor: Está com a Fatia#1.

F#3: Nuuuumm qué. (Não quer)

FatiaMor: Vamos cantar?

 

Então, na ideia de umas músicas de embalar, especialmente o Vitinho, encosta a cabeça ao meu ombro, enquanto chucha no dedo.

Começo a cantar e eis que ele começa... (segue-se a expressão do mais próximo que eu consigo perceber que ele diz)

nhánhahora

nhacamiiii

vamuusssmiiir

que à fóooaaa

axesteuas

dooooomeaiiiiirrrr

e há cheinho

bem cheinho

váaaavêê

acoaaasss mas ote

peto é chescer

nooooteeee

ateeee manhãaaaa

 

Digam lá, se ele não sabe a letra toda!? 

E é nestes momentos que eu sei que estas coisas pequenas que eu tenho aqui para casa são a melhor coisa do mundo!

17
Set18

2 anos

Fatia Mor

As maiores alegrias da nossa vida são, precisamente, aquelas que não foram planeadas. Apesar de não haver maior alegria do que ver os nossos efémeros sonhos alcançados, a verdadeira realização passa por aceitarmos aquilo que a vida nos traz de forma arrojada e corajosa. 

Foi assim, há uns 2 anos e 7 meses, quando descobri que vinhas a caminho. Foi assim, quando nasceste, sem dar cavaco a ninguém, 5 semanas antes do tempo devido. Foi assim quando enfrentei, pela primeira vez, uma maternidade sem um bebé ao meu lado, sabendo-te rodeado de máquinas, fios e muito amor, por parte de todos aqueles que aguardaram, pacientemente, para te pegarem ao colo e te encherem de beijos.

2 anos, meu filho, fizeste hoje 2 anos. E se alguém me dissesse, há 2 anos e 8 meses que iria ter-te enrolado nas minhas pernas, a gritar por colo, a exigir atenção, diria que estavam loucos!

És o epítome do "menino da mamã"! Falas pelos cotovelos e mais valia dizer que com os cotovelos, dado alguns atropelos típicos da idade. Correr é a tua cena e passas a vida a fazer maratonas pelos corredores desta casa que, não menos vezes, terminam em galos nessa cabeça, já de si dura, tanto literal como figurativamente.

Dotado de um sorriso enternecedor, ou não fora eu uma mãe babada, és um bebé - minto - és já uma criança capaz de tanta coisa, incentivado por estas irmãs malucas que vida te entregou.

Não há como não nos derretermos, quando te encaixas no nosso pescoço, enquanto chuchas no polegar direito (desde que nasceste) e nos babas até mais não. 

Foste e serás sempre uma das maiores surpresas da nossa vida... Mas, sabes filho, ainda bem que apareceste. Esta casa só faz sentido contigo (convosco) por cá!

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (https://www.flaticon.com/).