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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qui | 12.04.18

Sou um bicho do mato

Fatia Mor

Quando penso no meu eu ideal imagino-me sempre rodeada de pessoas. Gosto de comunicar, gosto de falar com os outros, gosto de os ouvir, gosto de pessoas. Mas, e como em tudo na vida há um "mas", sou um bicho do mato.

Uma das piores coisas que me podem fazer é pedir-me para socializar com um grande grupo de pessoas, com as quais não tenho qualquer relação prévia estabelecida, fora do meu contexto e da minha rede de segurança. Parece um contra-senso, atendendo a que a minha profissão me obriga a enfrentar públicos desconhecidos numa base recorrente, exige que tenha que falar com pessoas que não conheço numa base diária e obriga a que tenha que comunicar com elas durante muito tempo.

A diferença reside, de forma essencial, no objectivo da comunicação.

No meu trabalho, espera-se que eu ensine. Espera-se que estimule a discussão sobre temas para os quais todos temos apetência, temos interesse. No fundo, equivale a dizer que apesar de sermos todos desconhecidos há algo que nos une, e esse destino comum está logo selado à partida e é reconhecido por todos e consciente para todos!

Quando falamos de momentos sociais, sem saber o que move as pessoas que lá estão, quais são os seus valores, os seus princípios, os seus interesses, a possibilidade de errar é enorme. É inevitável fazer algo menos agradável, que alguém interprete de forma errada, dizer alguma coisa que seja mal entendido é quase certo! E as oportunidades para explicar ou fundamentar a nossa forma de acção e de pensamento têm a duração de um fósforo a queimar. 

Estas situações, de sorriso posto, agastam-me de uma maneira além do imaginável. 

Gostava de ser diferente. Ser mais espontânea, menos preocupada, menos conscienciosa de mim e da exigência desses momentos sociais, mas não consigo. Vai além das minhas forças e das minhas capacidades.

 

Sou um bicho do mato. O meu eu ideal, neste momento, troça do meu eu real e diz-lhe com descaramento "quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré!".

 

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