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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qui | 05.03.20

Ser mãe (também) dói

Fatia Mor

Ser mãe não nos faz boas. Ser mãe não nos faz perfeitas. 

Quando um filho nasce, não ficamos subitamente mais capazes ou até mais felizes.

Ser mãe não nos confere um livro de instruções para o universo. Nem nos dá direito nem posse sobre alguém.

A mim, não me deu mais paciência, nem virtuosidade, nem capacidade para lidar com a frustração.

Só me trouxe a consciência de tudo aquilo que não gosto em mim. Todos os dias, a maternidade confronta-me com as minhas imperfeições, com as minhas cedências à minha parte mais fraca.

E dia-a-dia, dói-me perceber que antes dos nossos filhos nos desiludirem - sei que o farão um dia por via das suas imperfeições - nós os desiludimos, um pouco, quando não somos capazes de antecipar o que menos bom há em nós.

Custa-me que olhem para mim, cheios de amor, mesmo quando me zango com eles, quando a paciência escasseia, quando me testam. A cada puxão da corda, atiram-me ao chão. E mesmo sabendo que o não é tão essencial como o sim, a realidade dura da conquista íntima diária traduz-se na incoerência, assimetria e desproporcionalidade da palavra acometida de grito ou ameaça.

Não gosto quando não consigo suster-me. Quando erro e vejo o erro, grosseiro, a olhar para mim, bem no centro da sala, espetado no coração.

Peço desculpa. Explico que não sou perfeita. Digo que não fiz bem. Mostro a fraqueza, monstro monstruoso que habita em mim e me faz feia aos olhos deles.

Caramba, ser mãe dói. E hoje dói-me  mais do que nos outros dias.

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