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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qui | 21.01.21

Retornar a casa

18/2021

Fatia Mor

Esperámos a meia-noite de 2020 como quem espera por um nascimento. Ansiosos, com dores de parto, de um ano difícil a nível social e, para muitos, a nível pessoal, mas com esperança. 2021 trazia a promessa de algo melhor; o traço de optimismo que caracteriza a cognição humana fazia-nos olhar para o novo ano como algo novo. O ledo engano de todos os anos, este ano, parece ser ainda mais demolidor.

Estamos a voltar para casa. Eu que já mal saía, sinto que estamos a encerrar o mundo. Hoje vive-se um sentimento interno de guerrilha, à medida que tomamos as providências para nos enfiamos em casa com os nossos filhos, como em Março de 2020. As escolas vão encerrar e isso implica que os pais também fiquem em casa. Ainda não se sabe muito bem como tudo se irá processar, mas seguramente vai trazer a muitos momentos de agonia, de tristeza, de solidão, aumentar a violência doméstica, tornar mais salientes as diferenças sociais, criar mais pobreza. É o verdadeiro mal necessário.

Acho que, desta vez, já ninguém tem a veleidade de dizer que vai ficar tudo bem. Não vai. Não fica. Não sou dramática ao ponto de considerar que estamos a hipotecar o futuro dos jovens, ao negar-lhes uma instrução estruturada e presencial. A verdade é que esse talvez seja o menor dos males e o mais recuperável. Mas também sou consciente de que esta crise sanitária trouxe ao de cima as fragilidades, tantas vezes ocultadas, no correr dos dias comuns.

Vamos olhar à nossa volta e reflectir sobre a acção de cada um no mundo. Qual é a parte que poderemos fazer para tornar o mundo melhor? Onde está a nossa virtude e como podemos colocá-la a uso, no mundo, pelo bem de todos, pelo bem maior.

Hoje retornamos a casa e eu só consigo pensar em todos aqueles que nem uma casa têm para voltar.

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