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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Seg | 04.02.19

O que eu quero é sentir saudades

Fatia Mor

Desde que entrei em casa que me parece que encontrei um sistema de oposição. É a televisão com o som na estratosfera; é a relutância em ouvir o que digo; são os pedidos ininterruptos de comida, de preferência carregada de açúcar e coisas que tais, às quais digo que não até à loucura, ou até que peçam uma peça de fruta. Pedem. Mas fazem-no em disco riscado, até que eu me deixe o que estou a fazer a meio e vá responder aos seus pedidos. Sou eu a levantar a voz para me fazer ouvir no meio dos gritos que endereçam uns aos outros. Para escrever este pequeno texto, até este ponto, já me levantei 5 vezes.

Tudo é uma escolha demorada: as cuecas que vão vestir depois de tomarem banho; o elástico para prender o cabelo, depois de o secar; o tipo de rabo-de-cavalo que querem. Ele ora quer ver televisão - panda style - ou quer ver exactamente a mesma coisa no meu telemóvel. A mudança de suporte electrónico é o suficiente para gerar uma birra de proporções épicas. E ainda só cheguei a casa há uma hora. Ainda falta fazer o exercício diário de leitura, preparar umas bolachas caseiras (que, num acto de insanidade, lhes prometi que fazia hoje com eles), preparar o jantar, garantir que comem tudo e que se deitam a horas decentes para crianças destas idades. (levantei-me, novamente, para ir buscar uma toalha para a mais velha, que felizmente já toma banho sozinha)

Dizem-me que vou sentir falta destes tempos. Dizem-me que é a melhor altura da vida deles e da nossa. Acredito que sim. Aliás, tenho a certeza que sim. Mas neste momento, tudo o que me apetece é sentir saudades.

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