O postal de natal
Ontem, a minha filha mais velha chegou da escola triste. Aparentemente, antes da interrupção do natal, todas as crianças tinham feito postais de natal que foram, posteriormente, sujeitos a votação. Do que percebi, a ideia era votarem o postal de natal mais giro.
O entusiasmo da hora do almoço, em que me dizia que a professora já tinha contado os votos mas ainda não se conheciam os resultados, foi substituído por um coração partido. Não tinha tido um voto, sequer.
Condoí-me de vê-la abraçada a mim, com a cara enterrada no meu colo, a segurar as lágrimas que teimavam em cair. Se eu pudesse, ter-lhe-ia dado todos os votos, apesar de ter plena consciência de que o desenho não é a maior das suas capacidades (nem a minha, a bem dizer).
Mas apesar de tudo, foi um bom momento. Foi um momento para perceber que não podemos ser bons em tudo, que nem todos podemos ganhar e que a vida, mesmo que nos pareça injusta, tem a sua justiça. Ela conseguiu alegrar-se pelos amigos que tiveram os seus postais mais votados, percebeu que tinha dado o seu melhor e que nós, seguramente, iríamos sempre achar o postal dela como sendo o mais bonito.
Hoje de manhã dizia-me que já tinha percebido que ela tinha outras capacidades que outros meninos não tinham, e que enquanto ela lia bem, havia meninos que ainda tinham muita dificuldade em ler. E surpreendeu-me ao dizer que talvez os devesse ajudar, da mesma maneira que ia pedir a uma amiga que lhe ensinasse a fazer bem os desenhos.
Está a crescer, esta minha filha. E é nestes momentos que, mesmo perante todas as dúvidas e erros que cometemos, me convenço que até somos capazes de fazer um bom trabalho a ajudá-la neste percurso das pedras.
