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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Sex | 02.03.18

O certo, o errado e o que resulta.

Fatia Mor

Como seria de esperar, vejo e leio outros blogs de maternidade com alguma curiosidade pelo conteúdo. Gosto de tomar contacto com outras ideias, outras formas de estar porque a minha é apenas uma entre muitas.

Como é óbvio, nem sempre concordo com as posições que os outros adoptam. As minhas experiências não encaixam em muitas das formas de viver esta maternidade, sem desprimor das decisões de cada um e assumindo que posso ser eu a estar no lado negro da força.

Não há certo nem errado, nesta coisa da maternidade. Há, sim, o que resulta. E o que resulta para mim, legitimamente pode não resultar para o outro. Convém ainda ressalvar que estas posições devem ser vistas na óptica do bom-senso. Maus tratos, negligência, alienação, enfim, todos esses predicados de que ainda somos capazes não devem ser consideradas formas certas. Parece-me que ainda há um certo racional neste campo, que deve ser mantido a bem de todos.

Posto esta consideração inicial cheia de rocambulices, custa-me ver que as mães estão constantemente a justificar as suas decisões.

Pode até ser mascarado de uma postura do tipo digo-isto-agora-porque-já-me-estou-a-marimbar-para-as-críticas, mas por si só essa posição é indicativa de um julgamento que se prevê estar ao virar da esquina. O mesmo se passa com a necessidade de sustentar as decisões em torno de estudos científicos que mostram que é melhor assim. Soubessem como os estudos são feitos e como os resultados são apresentados e talvez não servissem para justificar tudo, nem generalizáveis a tudo. 

Outro argumento fortíssimo na justificação-não-justificada são as outras sociedades, os outros tempos e os estudos de caso que mostram claramente que correu bem com A ou B, e mal com C e D, e portanto retiremos daí as ilações necessárias à escolha do melhor caminho.

A verdade, caríssimos, é que até eu faço isso. 

O pendor por cima da cabeça da mulher é duplamente afiado, em comparação com o homem, que basta ajudar para ser canonizado pela sociedade como santo.

Somos criticadas pelas acções que tomamos, porque as tomamos, porque há uma parte que não concorda com elas, e há outra que nos olha com desdém por não sermos capazes de ultrapassar estas imperfeições incaracterísticas de qualquer mãe que se preze.

A forma como algumas mães excelsas corrigem os seus filhos à nossa frente, parece ser uma reprimenda encomendada às mães que simplesmente aceitam algo como dado ou que evitam dar a sua educação aos olhos do mundo.

Somos, de longe, a pior espécie. Estamos constantemente a ver se apanhamos uma qualquer mãe na curva que mostre ao mundo como vê a sua maternidade, para logo a seguir a atacarmos de maneira a aplacarmos os demónios internos que alimentamos diariamente com a nossa insegurança.

Esta é a verdadeira característica da maternidade actual. Tornou-se um campo narcisista, de desempenho feminino, medido em objectivos irrealistas em que parecemos estar a esquecer-nos que o importante é apenas formar seres humanos para serem o melhor possível. Ah! E sermos felizes nesse processo todo. É que não estou a ver como o podemos ser com tanta crítica associada.

 

 

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