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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Seg | 10.12.18

Há dias assim

Fatia Mor

Há dias em que, por mais que eu deseje, zango-me. Um outro lado meu controla-me, além do imaginável. 

Nesses dias, não gosto de mim. Não gosto do que sou. Não gosto deste meu lado, indomável, instintivo, incapaz. Sinto-me incapaz de conjugar o verbo amor, nestes momentos, em que toda eu sou a sua inexpressão.

Nestes dias baixo os braços. Baixo a guarda. Perco-me na imensidão da frustração, da culpa e do desaire que é a maternidade em dia-não.

Toda eu sou gritos, ameaças e chantagens involuntárias, que sabemos bem não terem qualquer fundamento, o que por si só, as reveste da pior forma possível. É ser assim, só porque sim, quando sei, até para mim, que isso é um motivo de inqualificável estupidez.

Os filhos mostram-nos o melhor de nós. E nós, tantas vezes, mostramos-lhe o pior que temos dentro. As nossas inseguranças, a nossa iliteracia emocional, aprendida, sufocada com esta camada de gente adulta que trazemos. 

Hoje chego ao fim do dia com uma certeza apenas: por pior que estejamos, as crianças têm o condão de nos abraçar no meio do choro, mostrando-nos que a voz ou a mão que fere, é a mesma onde eles procuram consolo.

E, hoje, isso dói-me. 

Hoje apenas sobrevivi a esta coisa de ser mãe. Esperam-se dias melhores!

  

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