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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

01
Mar18

Empatia em tempos de guerra

Fatia Mor

Em tempos de guerra não se limpam armas.

Não se olham a meios para atingir fins.

Não se tem em conta a humanidade, o direito à vida. 

Em tempos de guerra, olhamo-nos como se fôssemos estranhos. Como se a outra parte tivesse vindo de um mundo extra-terrestre e que, só isso, seja causa suficiente para não merecer a nossa empatia.

É uma coisa interessante, essa empatia. Parece que temos uma programação para reagir automaticamente de forma empática às emoções do outro; mas também tem uma vertente cognitiva, mais voluntária. Reflectimos como é estar no lugar do outro, sentir o que ele sente, o que ele pensa e o que motiva o seu comportamento. E curiosamente, parece que conseguimos fechar essa porta para não termos que ser dissonantes.

Olho para estas imagens que me inundam o feed de notícias, que estão em todas as televisões, que saltam por todo o lado e deixo que me queimem a alma, me mitiguem a fé nos homens, que me revoltem as entranhas ao ver o desespero, o desamparo, a incredulidade, a dor, o sofrimento atroz. É impossível parar a onda da emoção que me invade e a custo travo as lágrimas nos olhos. Sinto uma enorme empatia por aquelas pessoas cobertas de pó, de sangue, com as faces rasgadas pelas lágrimas. Por aqueles corpos inertes que mostram um fim antecipado e julgo ver em cada um deles o rosto dos que mais amo. 

Aqueles são, para alguém, as pessoas que mais amam na vida. Aquelas por quem se deitariam na frente de um comboio, se isso o travasse e o impedisse de causar de danos, mas que não foram capazes de fugir daquele pesadelo.

Não sei se é propaganda bélica, se a ideia é pressionar governos, organizações governamentais, se é mostrar força, se é mostrar poder. Nem entendo bem que estratégia é esta. Dizimar escolas. Bombardear maternidades. 

Tento fazer o processo de empatia cognitiva porque acredito que todos merecem a oportunidade de serem compreendidos. Há alguém a mandar executar estas ordens; há alguém a realizar estes bombardeamentos; há alguém por trás deste horror completo e não são apenas os governantes. Não acredito que o ódio dirigido seja solução. Não quero ser mais uma voz a clamar horrores aos que matam, porque a vingança cega e sedenta de sangue não é diferente do resultado do que vemos agora.

A empatia é a solução. Educarmos os nossos filhos para verem o próximo até no mais longínquo dos indivíduos. Até no mais vil. Até no mais imperfeito, incompleto e mau dos seres humanos. Até esse merece a nossa empatia. Nem que seja para termos o único elemento que saudavelmente nos poderá distinguir dele. A capacidade de um dia ser alguém que foi capaz de olhar além de todo o mal que foi feito e ver que ali jaz um ser humano. Doente. Mau. Merecedor de todas as ações de justiça possíveis que não desrespeitem a vida humana e que lhe garantam muito anos de reflexão no mal que realizou.

Ser empático permite-nos alcançar isso.

Por muito que agora, na minha imperfeição, me custe aceitar que somos todos da mesma espécie.

 

 

 

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