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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Sex | 25.10.19

Desafio de escrita dos pássaros #7 - A Constança precisa duma mascara capilar...Mas tu só tens compotas!

Fatia Mor

Pequena nota introdutória: este tema - sabe-se lá quem o terá inventado - foi um autêntico desafio à minha criatividade. Senti-me perdida nas palavras, no objectivo do desafio e acabei por fazer dois textos, muito distintos, que respeitam o tema de forma mais e menos precisa. Por via do objectivo, optarei por publicar hoje aquele que, para mim, respeita mais o tema, mas com o qual me identifico menos. Espero que gostem... Mais do que eu, pelo menos, que para mal dos meus pecados, nem gosto de doce de abóbora! Futura e oportunamente, o segundo verá a luz do dia.

 

Carinaaaaa, Mariaaaaanaaaa - gritou o Sr. Manuel, enquanto enrolava o bigode farfalhudo – cheguem aqui aos açúcares!

Carina fez um esgar para a sua colega, e repetiu em surdina o pedido, com ar de gozo. Mariana gargalhou, abafando-se, sob pena de inquirição e advertência por rir em período laboral.

Sim? – replicou Carina.

- Olhe lá para aqui, com atenção…

Carina aproximou-se… perscrutou prazos de validade, etiquetas, ordem, faltas…

Não vejo nada Sr. Manuel… que quer que eu veja? – questionou a medo, que o chefe era dado a brusquidão humoral, ciclotimias que replicavam as discussões com a esposa.

Viu esta quantidade absurda de compotas de abóbora com amêndoa? Temos de fazer alguma coisa ou estraga-se tudo aqui… E certamente não quer isso – afirmou, dramático.

Mas, Sr. Manuel, as pessoas preferem o doce com nozes. Só a sua esposa é que come este com amên… - o olhar fulminante do interlocutor silenciou Mariana.

Irónica, Carina arriscou – Só se a vendermos como máscara para cabelos! É que ninguém lhe pega como doce!

- Excelente ideia, Carina! Pode começar com D. Constança, que acaba de entrar.

Constança era resultado dum cruzamento entre um leão jubado e uma vespa asiática, mas Carina sabia que o patrão tinha palavra de rei e pôs-se a caminho.

- D. Constança, como vai? Já viu as novíssimas promoções? – atirou Carina, sem deixar a vespa pousar. Veja lá que o Sr. Manuel quis mimar as clientes e está a oferecer uma máscara capilar, ao preço da chuva.

- Criatura de Deus, parece-lhe que compro máscaras de supermercado? – interpolou-a D. Constança, com o rei na barriga, princesas nas pernas e pontas espigadas.

- Certamente que não, com essa… aparência. Mas também sei que tem olho para excelência quando a vê. Orgânico, sem parabenos, sem silicone, hipoalergénico, não testado em animais. Até pode comê-lo com tostas; inofensivo até para as moscas! – arrematou Carina, confiante!

- Criatura, mostre-me lá isso, se é assim tão bom! Onde está?

- Mesmo aqui, D. Constança! – disse, exibindo as compotas!

- Compotas? Está a gozar? – perguntou-lhe a cliente com a sobrancelha à-la-cruela erguida.

- Por quem sois… Só está aqui por falta de espaço e para garantir que…  a esposa do Sr. Manuel não as encontra! – sussurrou.

Um sorriso sinistro engalanou-lhe as rugas. – Levo-as todas! – disse triunfalmente D. Constança.

- Há problemas de cabelos e de descabeladas que só a doce vingança resolve – vaticinou Carina, enquanto a via sair da loja.

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