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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Ter | 05.05.20

Das palavras perdidas em mim

Fatia Mor

Doem-me as palavras que não consigo dizer

Trago-as agarradas ao corpo, perdidas na voz

Carrego-as como Sísifo,

Pelos vales sombrios das ideias consumidas

Transportando-as até ao alto para logo das deixar

Para que rolem por mim abaixo,

Fazendo-me engoli-las em seco.

Sabem a dor.

Sabem a loucura.

Sabem aos dias em que fui feliz sem saber.

Estão corroídas pela forma das escolhas malfadadas.

Estão impregnadas do arrependimento.

Onde perdi a força para as carregar até à boca do mundo?

Onde deixei a destreza de as articular, sílaba a sílaba?

De com elas a vida formar?

Consumo-me na fogueira da ingratidão visível

Pois nem por mim sou grata. 

Faço-me meia palavra, tosca, mal amanhada.

Quem me dera saber rimar.

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