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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qui | 15.10.20

Calamidade

Fatia Mor

A comunicação do Primeiro-Ministro ao país deixou-me apreensiva. A ideia de podermos voltar a ter de confinar ainda me assusta, apesar de racionalmente saber que não há condições sócio-económicas para o fazer.

Voltarmos ao Estado de Calamidade só mostra o quanto continuamos a facilitar a vida com este vírus. Custa-me que não pensem nas ciências comportamentais para compreender melhor o comportamento (e tentar entender o que lhe está subjacente), para tentar combater os discursos alarmistas e/ou negacionistas que contribuem para alguma incoerência de medidas, quer a nível individual, quer a nível social e político.

O que nos tem sido pedido também não é fácil. Pretendem que retomemos as nossas vidas -  que para nós significa voltar a viver com base nos mesmos pressupostos pré-Covid - e que sigamos a implementar medidas que restringem essa própria vivência. A dada altura, teremos que assumir crenças que se coadunem com o nosso nível de vigilância comportamental (para garantir alguma consonância) e, nesse caso, parecem-me restar duas opções: 1) seguir com a minha vida como sempre foi e considerar que tudo isto está sobrestimado em impacto e consequências OU 2) aceitar a mitigação de liberdade e encerrar-me sobre mim e sobre os meus contactos vitais.

Qualquer uma das duas me parece inaceitável, porque o que deveríamos estar a fazer era aceitar que a vida mudou. Que o que conhecíamos mudou. Que há uma nova realidade que ditará uma série de medidas e de inovações nas nossas vidas. Não vou cair no espectro iluminista de vamos todos ser pessoas melhores quando sairmos disto, até porque tem tido o condão de nos mostrar o pior das pessoas. Mas teremos que enfrentar uma nova condição para as nossas ocidentalizadas vidas e talvez, só talvez, aceitar que nada será como dantes.

 

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