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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Seg | 01.07.19

Arrumar, o flagelo da infância

Fatia Mor

Há actividades que arrasam qualquer criança. Ir à praia. Andar de bicicleta. Ir ao parque. Arrumar. Não necessariamente por esta ordem.

Vejamos uma pequena exemplificação. Vamos à praia. A areia que nos dificulta os passos, o calor que nos atrasa, o mar que nos quebra. Cansa.

Arrumar provoca, suponho eu, exactamente a mesma letargia. Se assim não for, não vejo motivo aparente para que toda e qualquer vez que eu mande arrumar, as queixas se façam ouvir de imediato:

Estou cansado/a. Não me apetece agora.

E não fiquemos presos à ideia de arrumar como sendo uma actividade extenuante pela sua extensão temporal. Nãããããooooooo. O cansaço ataca a partir do momento em que as palavras "vamos arrumar" ecoam no espaço. 

Nesse preciso momento, um raio de cansaço desce dos céus, inflamado pela fúria dos deuses amigos do pó e da desarrumação, e atingem sem dó, nem piedade, as nossas crianças. Elas, pobres criaturas subjugadas à sua vontade, ficam sem acção. 

Onde antes havia uma criança activa, capaz de voltar um quarto do avesso, passa a existir uma criança prostrada, por norma em sofás ou camas, a evitar o acto de arrumar. Onde antes estava um ser capaz de inteligentemente colocar bonecos espalhados num caos universal, de fazer corar o big bang, passa a estar um ser incapacitado na arte de colocar bonecos em caixas posicionadas à sua frente. A miopia instala-se. Tudo está no seu sítio, com toda a certeza! Só que não. E a audição sofre ligeiras perdas, nomeadamente na frequência em que vibra a voz da mãe. Nunca ouvem nada. 

É um flagelo. Ninguém fala disto. Como é que é possível? Como?! A indignação toma conta de mim. Albergo sentimentos capazes de subir ao monte Olimpo e desatar à chapada com os benditos deuses do pó e da desarrumação. Não foi à toa, não, não! Olimpo, sabem porquê?

Porque agora... ó, limpo eu! 

Vou ali arrumar e já volto.

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