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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

27
Jun18

Terapia de grupo #3

Fatia Mor

Olá! Eu sou a FatiaMor e sou mãe de uma Diva!

 

(Olá FatiaMor, responderão vocês cheios de compaixão)

 

A Fatia#1 nasceu sob o signo de Leão.

(disclamer já aqui... não ligo muito a signos, acho uma intersecção astral demasiado complexa para que corresponda com rigor para todo o indivíduo que habita este planeta. Mesmo perante cartas astrais. Mesmo que me digam que se trata de potenciais e não de rigor determinístico. Mesmo que me invoquem os trânsitos... Enfim... Não penso muito nisso)

Não sei se é disso, mas confere nas características de diva que lhes associamos, sem falar na ordem muito própria pela qual gere tudo à sua volta, que só poderá ser explicada pela física quântica (e mesmo assim, acho que descobrem primeiro a teoria do tudo, antes que a teoria do caos da vida da Fatia#1).

 

No dia da festa de fim-de-ano, aproxima-se um menino e diz-lhe:

- Gosto de ti (e meteu-lhe o nome da minha filha, muito mal amanhado).

(disclaimer dois: a miúda não tem um nome complicado e é bastante tradicional, mas tende a gerar confusão nos putos!)

Vejo-a virar-se para mim, quase congelada, tal como o cubo de gelo que lhe deve ter nascido naquele momento no coração.

- Então filha, o menino está a falar contigo! Não é bonito ignorarmos as pessoas.

Continua em gelo. E o puto, bem instruído, não desiste...

- Gosto de ti. Não gostas de mim (mais uma vez o nome mal amanhado)?

 

A Fatia#1 vira-lhe as costas e continua no seu percurso, cabeça altiva e passo acelerado.

- Oh filha, então? - digo-lhe eu, claramente deixada para trás a garantir ao menino que ela também deve gostar dele, como devemos gostar de todos os meninos, amizades, arco-íris e lálálá.

 

Quando a apanho, pergunto-lhe, ao que me responde, já lágrimas a brotarem-lhe dos olhos, biquinho e tudo:

- Eu não gosto dele! Estou farta dele! E é por causa disso que não quero vir à escola! Nunca mais!

 

Ora bem, tive vontade de voltar para trás e desancar o miúdo apaixonado, por todos os azedumes que o seu inoportuno amor me tinha causado, ao longo de todas as manhãs, neste ano lectivo. Não o fiz, por respeito à minha pequena imagem a sofrer de coração partido, por causa de alguns meninos menos bondosos.

Deixei-o entregue à sua desolação momentânea, que foi curar a jogar à bola, com mais miúdos.

 

Quanto à minha pequena diva, mostrou-me o seu andar confiante para se pôr a andar de uma conversa demorar sobre respeitar os sentimentos dos outros. E já no carro, disse-me:

- Mãe, não vamos falar mais do que aconteceu, porque já me estou a enervar novamente!

A enervar.

Novamente.

Sua excelência sofre dos nervos.

 

E eu, sofro do quê!??

 

#comcincojácomquinze

#divadecincoanos

25
Jun18

Tipos de mães nas festas de fim-de-ano

Fatia Mor

É, por demais, conhecido o meu gosto por festas de fim-de-ano. Não tenho nada contra crianças, não tenho nada contra festas, não tenho nada contra os fins dos anos escolares, mas metam tudo junto na mesma frase e eu começo a ficar nervosa!

Quinta-feira passada lá fui eu, mãe dedicada da minha cria mais velha, assistir aos bailados, aos teatros e às canções que eles levam a cabo ao longo de algumas (dolorosas) horas.

Desta feita, mantive os olhos atentos (enquanto fotografava a festa a pedido da avó fatias-barra-educadora lá na escola) ao que se passava à minha volta. 

Pois bem, meus amigos, apresento-vos, com rufar de tambores, com fogo de artifício, com lágrimas nos olhos... 

Os tipos de mães nas festas de fim-de-ano!

(oiço as vossas palmas e agradeço)

 

Mãe em cima do acontecimento - esta mãe chega antes da hora, com sacos de coisas que podem fazer falta, a fazer entourage, a apoiar crianças, auxiliares, técnicos e educadoras. Sabe a ordem da festa, sabe as letras das músicas, sabe as falas dos teatros, e sabe também como pôr aquilo tudo a mexer. Por vezes, esta mãe partilha atributos com a mãe chorona!

 

Mãe chorona - é a mãe que chora por dois motivos: tudo e nada. Chora porque os meninos cantam bem, chora porque se enganaram na letra. Chora quando alguma criança se emociona. Emociona-se com as despedidas, mesmo que o seu filho volte no dia seguinte e nos próximos anos, porque ainda não vai transitar para o primeiro ciclo. Vem munida de lenços de papel e óculos escuros para disfarçar os olhos inchados e o nariz vermelho, que já traz de casa, por antecipação.

 

Mãe relógio - é a mãe que vive constrangida pelos horários. Por norma trabalha mais de 10h por dia, chega atrasada a festa por constrangimentos do trabalho e tem que sair mais cedo. Percebe-se que está dividida entre estar presente na festa e o estar ausente do trabalho. A preocupação é visível nos seus olhos e tende a partilhar alguns aspectos com a mãe chorona.

 

Mãe convívio - para esta mãe uma festa é "uma festa", senão até, "a" festa! Por isso, arranja-se com o seu melhor vestido, coloca os seus melhores saltos, maquilhagem caprichada e chega a desfilar, qual rainha de Inglaterra. Distribui beijinhos, conhece toda a gente, fala animadamente com outras mães convívio e aproveita para pôr em a escrita em dia! Tenta disfarçar o choro, encostando um lenço ao canto do olho.

 

Mãe socialnetwork - diferencia-se da mãe convívio no veículo da sua interacção. Chega de telemóvel/tablet/máquina fotográfica em riste, a disparar para todo o lado, a actualizar instagram com a hashtag #festadaescola, a colocar entradas no face, a fazer directos para o mundo, sempre a garantir que meio mundo (e outro meio) percebem que o seu filho vai para o primeiro ciclo. Partilha, muitas vezes, características com a mãe em cima do acontecimento e a mãe chorona.

 

Mãe perdida - esta mãe não sabe bem como se mover no meio da festa, nem das outras mães. Sem jeito para este tipo de actividades sociais escolares, senta-se várias vezes nas cadeiras até escolher um lugar em pé, onde passa mais desapercebida. Não conhece o nome das crianças, não faz ideia quem é a auxiliar da sala do seu filho, e descobre pelo meio que deveria ter trazido um doce ou um salgado para a festa que se segue. Por norma, é concomitante com a mãe chorona.

 

Eu cá, tenho um tipo de mãe bem determinado (#perdidaforever). E vocês?

 

19
Jun18

Terapia de grupo #2

Fatia Mor

Olá, sou a Fatia Mor e estou de rastos!

 

(Olá Fatia Mor, responderão vocês!)

 

Não sei se é só de mim, se é deste tempo (ora quente, ora fresco, ora sol, ora chuva, nuvens e cinzento), se é da época, se é do ano, se é do mundial de futebol... Só sei que ando esgotada.

Adormeço que nem uma pedra no sofá e quando me mudo para a cama fico a pensar na vida e em tudo o que tenho para fazer. Concomitantemente, esqueço-me de marcações, de ler emails, de responder a solicitações. Vivo entre as coisas que tenho para fazer, as coisas que tenho para me lembrar e as coisas que efectivamente consigo fazer... E digo-vos, não é bonito!

Pelo meio, perco a paciência. Perco a paciência com os miúdos, que me parecem fazer asneiras a um ritmo vertiginoso; perco a paciência comigo por perder a paciência com eles; esqueço-me que é preciso cuidar de mim e da minha sanidade mental para os fazer felizes.

Quero muito acreditar que as férias estão ao virar do mês de julho, que agosto está já aí com tudo de bom e menos bom que traz consigo. É que por norma, ao virar de agosto está logo setembro e volta tudo ao mesmo. E pronto, irrito-me por viver em antecipação, da antecipação, num sofrimento idiota que não é necessário nos dias que correm. 

 

Alguém que me ofereça uma passagem para uma ilha paradisíaca? 

 

14
Jun18

Tu não mandas em mim!

Fatia Mor

Penso eu que deve haver um momento, na vida de qualquer um de nós, em que percebemos que somos donos e senhores dos nossos narizes. 

E depois há o momento em que o verbalizamos!

A Fatia#1 dizia-me, do alto dos seus cinco anos, num acesso de independência em que invocava o seu direito a escolher o caminho da sua vida, leia-se, não ir à escola, que ela é que sabia onde queria ou não queria ir!

Ultrapassando a questão que permanece de ela achar que na escola se trabalha muito e se brinca pouco (e como tal, prefere ficar em casa "porque faz o que quer"), a peste, isto é, o anjo, estabeleceu rapidamente os seus limites pessoais, depois de eu lhe ter dito "toca a despachar".

 

Tu não mandas em mim!

 

Penso que este momento deveria ser crítico o suficiente para existir alguma literatura, traduzida em vários volumes de estudos empíricos, sobre o que conduz ao mesmo, o processo subjacente à emancipação precoce (passo todas as possíveis redundâncias entre os dos conceitos por uma questão estilística) e ainda as consequências percebidas e reais para todos os intervenientes.

Não há!

Não há nada que nos prepare para a insanidade de ouvir uma criança de 5 anos dizer "tu não mandas em mim". 

E talvez não haja maior prazer do que definir, rapidamente, que isto cá em casa não é uma democracia, pelo contrário, será o mais próximo de uma ditadura benévola, em que quem manda sou eu! Pelo menos, até aos 18 anos e daí em diante, enquanto a sustentar.

 

Confesso-me, para um argumento de peso, nada como uma contra-argumentação rasca.

Mas não me censurem... Não resisti! E acho que ela percebeu.

 

Cá em casa, quem manda, sou eu!

 

Aguardam-se novos desenvolvimentos e evoluções na capacidade argumentativa de parte a parte. E eu acho que estou a perder.

 

#SomosTodosPaisÀBeiraDeUmAtaqueDeNervos

11
Jun18

Terapia de grupo #1

Fatia Mor

Olá, bom dia, sou a Fatia Mor e tenho um problema.

 

(Olá Fatia Mor. - responderão vocês, companheiros desta terapia de grupo)

 

Não sei o nome dos colegas de escola da minha filha. Pronto, já disse, desabafei.

 

Eventualmente, sei o nome de uma ou outra menina, com quem a Fatia#1 brinca mais e que, recorrentemente, vem à baila. Eventualmente, também sei o nome daquela menina a quem fomos ao aniversário e por algum motivo, consegui reter nas malhas da memória. Mas nada mais do que isso.

Vejo as carinhas deles, quando vou deixar a miúda à sala e nem me detenho a tentar relembrar "esta é X, aquela a Y, aquela...". 

E viveria bem assim, no total desconhecimento de quem-é-quem se não fosse aquela outra mãe.

Aquela mãe que chega, distribui sorrisos (àquela hora da manhã...) e conforme vai passando, vai dizendo "Olá X, bom dia Z, estás boa L!".

Quase que a vejo, a passadeira vermelha a estender-se pelo corredor, os miúdos a alinharem-se qual família Von Trapp (música no coração, shame on you all que nunca viram!), tudo a sorrir e a dizer bom dia, com o devido nome a seguir! 

E depois, vejo-me a mim, qual formiguinha a tentar passar despercebida entre nomes e caras desconhecidas, a tentar deixar a minha filha na sala, no meio de tanto aparato.

Pronto, é isto. Morro de inveja, mas não consigo! Por isso, levam todos com o sorriso 33, o bom-dia de chapa e segue para bingo.

 

Vá, confessem-se lá. Sabem os nomes todos ou são assim como a pobre da Fatia Mor?

 

#tamujuntas

 

 

 

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (https://www.flaticon.com/).