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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qua | 17.03.21

Ai maternidade... ai ai ai!

28/2021

Fatia Mor

Quando eu não era mãe, era a mãe perfeita. Lembro-me perfeitamente de pensar com os meus botões que não iria fazer "isto" ou "aquilo". 

Sempre tive a noção de que não podia julgar as outras mães, mas aquela centelha de besta existe em mim também, e eu achava sempre que era falta de vontade ou empenho das outras. 

Depois, fui mãe. Fui mãe e sabem o que vos digo? Nada é como pensávamos. 

Os nossos filhos, que não são prolongamentos nossos, são iguais a nós. E sabem como é irritante ver-nos refletidos naqueles seres de palmo e meio, que fazem e dizem o que nós dizíamos e pensávamos? E pior... É que eu sou a minha mãe ou a minha avó. Tal e qual. E sou todas aquelas mães que via agirem de determinada maneira e que eu achava que nunca, mas nunca (imaginem-me a rolar os meus olhos) ia fazer igual.

Pois bem: os meus filhos veem mais televisão do que o que devem; comem mais chocolate do que eu gostaria; são insubordinados mais do que alguma vez pensei. 

Olho para trás e tento pensar onde é que raio anda aquela mãe perfeita que eu trazia em mim. Onde é que ela se escondeu?  

Não é por nada. Só quero mesmo dar-lhe um par de estalos e mandá-la olhar em frente, que faz melhor figura.

Ter | 09.03.21

Há um ano

27/2021

Fatia Mor

Há um ano estávamos prestes a conhecer a realidade do confinamento. Cá em casa, terá sido por este dia que começamos a pensar que informalmente reduziríamos todas as saídas ao essencial. A ameaça do vírus pairava sobre Portugal. Noutros países já se seguiam notícias aterradoras, confinamentos, medidas extremas. No dia 19 de março (depois da 1ª morte por COVID-19 a 16 março), Portugal conheceu o estado de emergência por esta ameaça "insidiosa". 

Há um ano as nossas vidas foram revolucionadas por um novo "estar em casa". Sentimentos misturados, entre o sentido de dever, o medo e a esperança oscilavam nas nossas conversas. Fizemos pão, comemos bolos, bebemos vinho. Na nossa ideia, daqui a um ano, já estaria tudo colocado para trás das costas. O mundo teria voltado ao "normal". Fazíamos planos de como seria quando tudo voltasse a ser o que já tinha sido.

Volveu um ano e estamos prestes a começar a desconfinar. Outra vez. Mais um verbo para conjugar na incerteza dos dias. Ansiar. Normalizar. Desconfinar. Resistir.  

Desta vez, os sentimentos são mais escuros, mais difíceis de aplacar. A nossa vida pouco mudou, com este novo confinamento. Continuamos sem abraçar. Sem beijar. Sem reunir. Com máscara. Com cuidados. Com medo. As notícias sucedem-se em vagas que navegamos com optimismo irrealista e pessimismo destruidor. Tão depressa nos salvamos, como a seguir nos perdemos nesta revolução social para onde fomos atirados.

E o mundo não para de girar. Nunca cessa o seu movimento de revolução sobre si. De translação à volta do Sol. 

Somos testemunhas da história que se desenvolve pelas nossas mãos, com a consciência implacável de que tal acontece com ou sem a nossa concordância. Seremos capazes de mudar a história, o mundo? Ou continuaremos a esperar que tudo volte a ser como era? Em que verbo conjugaremos o nosso futuro?