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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qui | 28.01.21

Olhó qu'stinário fresquinh'

22/2021

Fatia Mor

Queridos leitores

Queridas leitoras

A vossa Fatia dirige-se hoje a vós, na tentativa de alargar a sua amostra do estudo que tem como objetivo medir a evolução da representação social da COVID19 agora que, lamentavelmente, vivemos a 3ª vaga e um segundo confinamento.

É extremamente importante, portugueses e portuguesas maiores de 18 anos, participarem, livremente, neste inquérito. As vossas respostas são essenciais. 

Por isso, leitores e leitoras, respondam, partilhem, peçam aos que conhecem para responderem. Sei que tantas vezes somos bombardeados com pedidos destes, mas dependendemos da vossa compreensão deste fenómeno para melhor entender a ação do grupo.

https://forms.gle/p18qXWCZL34iPDFKA

 
Fica o link! Obrigada.

 

 

Qua | 27.01.21

Recolha de dados - Fase 2

21/2021

Fatia Mor

Se forem muito distraídos, ainda não perceberam que a vossa fatia está ligada à área do comportamento humano. Se forem atentos, já perceberam isso há muito tempo e, se calhar, até já responderam a alguma das medidas que usamos.

É nesse âmbito que hoje vos faço este apelo.

https://forms.gle/p18qXWCZL34iPDFKA

 

Se puderem, sigam o link e respondam a este questionário, relativamente rápido.

Eventualmente, já terão respondido a uma primeira medida, muito semelhante. Por favor, respondam novamente. A ideia é mesmo ver a evolução da representação social que está a ser medida e terá, esperemos, a possibilidade de explicar parte da nossa atuação nesta difícil fase, ajudando-nos a desenhar comunicações mais eficazes.

 

Será que podem responder?

Ficaria muito grata e a ciência agradece... Já sabem como é... Um pequeno passo para nós, mas um grande passo para todos (só para não plagiar totalmente o Armstrong). Se a comunidade do Sapo aderir a isto, melhor ainda! :)

Seg | 25.01.21

Será possível não falar disto?

20/2021

Fatia Mor

Fomos às urnas. 

Voto mesmo à porta de casa. O dia estava ameno, soalheiro, convidativo a uma saída, apesar de não podermos (devermos). O confinamento nunca seria um motivo, para mim, para não ir às urnas. Desde que pude votar pela primeira vez que me desloco às urnas, a não ser que exista um motivo impeditivo de força maior. Acho que nunca existiu. 

Todos estavam de máscara, a fila de entrada na escola avançou depressa. Cada pessoa trazia na mão a sua caneta. E o seu telemóvel. Deixei o meu em casa. Cada vez mais gosto de sair sem esse aparelho atrás. Sinto-me como se fosse uma rebelde, quando o faço. Mais independente, sentimento que preciso para votar.

Depois de me adentrar, a minha secção estava vazia. Foi chegar, receber o boletim, colocar uma cruz num papel (com a minha própria caneta) e seguir as setas para o exterior. Em 15 minutos tinha esse papel cívico cumprido.

Faço-o sempre sem ideologia política firmada. Não tenho preferências de esquerda ou de direita, não me identifico com nenhum partido político em geral, ainda que vote sempre em consciência. Não preciso de assumir votos. Preciso apenas de sentir que contribuí para a decisão mais importante do meu país, aquele que faz parte da minha identidade, que me define junto de outros, que me assemelha a uns, que me distingue de outros.

Fico sempre sensibilizada com os números da abstenção em Portugal, por isso mesmo. Vivíamos numa ditadura há menos de 50 anos. Não preciso sequer de falar da diferença abissal que existia entre os direitos dos homens e das mulheres, enquanto cidadãos de um estado de direito. Ou da expressão de preferências ou orientações. 

Foi o ato democrático que permitiu que muitos de nós tivéssemos voz, neste país. E se tal não quer dizer que ainda não exista um trabalho social enorme para fazer, também quer dizer que há muito que já percorremos, precisamente pelo modelo político que temos.

Onde ficou, então, a percepção de que importamos neste processo? Onde fica a nossa identidade, enquanto país, quando escolhemos aqueles que vão representar-nos aquém e além fronteiras?

Será que o facto de não gostarmos de nenhum é motivo para nos colocarmos à margem? É essa uma forma de protesto, silenciosa, insidiosa, que um dia poderá ditar o fim da democracia? É que precisamos de cuidar dos direitos que temos, sob pena de alienação futura. 

Não sou de direito, nada entendo de constituição, nada percebo de política. Mas entendo de gente. Entendo de comportamento. Se a rebeldia do ato incumprido demonstra que estamos na era adolescente de um povo que já foi velho, tal preocupa-me se vamos no caminho inverso do desenvolvimento, no processo de nos tornarmos crianças. É que a capacidade de decisão de uma criança é inferior ao seu tamanho e nunca sabemos quando um pai austero nos vem endurecer o discurso, retirar-nos regalias e dizer que bem do crescimento é necessário "amor duro".

Acho que para bom entendedor...

Qui | 21.01.21

Retornar a casa

18/2021

Fatia Mor

Esperámos a meia-noite de 2020 como quem espera por um nascimento. Ansiosos, com dores de parto, de um ano difícil a nível social e, para muitos, a nível pessoal, mas com esperança. 2021 trazia a promessa de algo melhor; o traço de optimismo que caracteriza a cognição humana fazia-nos olhar para o novo ano como algo novo. O ledo engano de todos os anos, este ano, parece ser ainda mais demolidor.

Estamos a voltar para casa. Eu que já mal saía, sinto que estamos a encerrar o mundo. Hoje vive-se um sentimento interno de guerrilha, à medida que tomamos as providências para nos enfiamos em casa com os nossos filhos, como em Março de 2020. As escolas vão encerrar e isso implica que os pais também fiquem em casa. Ainda não se sabe muito bem como tudo se irá processar, mas seguramente vai trazer a muitos momentos de agonia, de tristeza, de solidão, aumentar a violência doméstica, tornar mais salientes as diferenças sociais, criar mais pobreza. É o verdadeiro mal necessário.

Acho que, desta vez, já ninguém tem a veleidade de dizer que vai ficar tudo bem. Não vai. Não fica. Não sou dramática ao ponto de considerar que estamos a hipotecar o futuro dos jovens, ao negar-lhes uma instrução estruturada e presencial. A verdade é que esse talvez seja o menor dos males e o mais recuperável. Mas também sou consciente de que esta crise sanitária trouxe ao de cima as fragilidades, tantas vezes ocultadas, no correr dos dias comuns.

Vamos olhar à nossa volta e reflectir sobre a acção de cada um no mundo. Qual é a parte que poderemos fazer para tornar o mundo melhor? Onde está a nossa virtude e como podemos colocá-la a uso, no mundo, pelo bem de todos, pelo bem maior.

Hoje retornamos a casa e eu só consigo pensar em todos aqueles que nem uma casa têm para voltar.

Ter | 19.01.21

Fim de semestre

17/2021

Fatia Mor

Acabei de me adentrar pelo edifício, ainda meio adormecido. A sensação de cinzento, que parece fazer desmaiar as cores das paredes é potenciado pelo dia fresco, porém pouco iluminado que consigo ver pelas janelas. Os estores mal funcionam, mas as janelas abertas recordam-me que ainda estamos no inverno e em qualquer outra altura, teríamos ar condicionado a funcionar, luzes acesas por todo o lado e alunos a circular.

O semestre lectivo termina esta semana mas, para os mais distraídos, poderia parecer que nós - os que circulamos pelos corredores - é que nos equivocámos. Sigo pelo corredor, transitando no sentido que as setas azuis, coladas ao chão, me obrigam. Raramente alguém olha para elas. Não sei se em algum momento, desde que ali foram colocadas, alguém se sentiu obrigado a voltar para trás por se ter apercebido que ia em sentido contrário ao da marcha.

Entro na minha sala. Vazia. Na sala em frente resistem 5 indivíduos que olham absortos para um quadro, cheio de rabiscos. Há um mês a sala estaria cheia, quão cheia lhe é permitido estar nestas alturas. Trata-se, muito provavelmente, de um cálculo qualquer de um curso das ciências exactas. São 5 rapazes, de barba mal aparada, olhos semicerrados que encaram com algum assombro a magia que o professor, habilmente, desenha no quadro. 

Sento-me do meu lado da barricada. Espero, sinceramente, que tudo tenha sido desinfectado. A sala permanece vazia ao longo de cinco longos minutos. São agora 9h e noutro dia qualquer uns 30 miúdos estariam a entrar por estas portas, a sentarem-se sem grande respeito pelo distanciamento social. A culpa não é deles. Dificilmente as cadeiras e mesas distam entre si dos dois metros regulamentados como seguros. Mas a culpa também é deles, porque muitos estiveram até há 2 minutos na rua, a beber café em grupo, com máscaras em baixo, a fumar e a conversar.

Entram 3 alunos, resistentes, que mostram respeito e vontade de aprender. Conversamos um pouco mas, a verdade, é que a matéria está leccionada, os testes foram feitos, os trabalhos corrigidos. Desambiguo algumas considerações sobre os trabalhos e eles seguem o seu caminho. Não deverá vir mais ninguém. Está tudo assustado, refere um deles. Jovens adultos. Assustados. Eu também estou.

Quando sair daqui para a próxima aula, tipicamente povoada por trabalhadores estudantes, terei mais alunos. Assustados. Esses são os que além dos estudos acumulam trabalho, família. Muitas outras voltas e formas de socialização. Eu mesma deixei os meus filhos na escola, antes de vir para aqui. Com muitas outras crianças, com muitos outros pais. Passarei aqui o meu dia, fazendo a opção de, quando não preciso de aqui estar, trabalhar a partir de casa, headphones enfiados, em milhentas reuniões de zoom que levam um ser humano à loucura.

Faço a minha parte mas sinto que não há mais nenhuma a fazer. Agora quando sair daqui vou passar ao bar, que estará aberto, apanhar um café e procurar um canto escondido para o beber longe dos olhares indiscretos e das máscaras no queixo. 

Professora, uma última coisa, não conhecemos a sua cara. É verdade. Que estranho fenómeno este de aprender com aqueles a quem só vemos os olhos. Sorrio atrás das máscara. Cada um faz a sua parte. Mesmo que isso signifique que os que conhecemos sejam, na verdade, completos desconhecidos.

 

Qui | 14.01.21

E nós pimba!

14/2021

Fatia Mor

População de Portugal
Oiçam bem com atenção
Todos temos o dever
De em casa o corpo meter
Com vinho e muito pão

É o confinamento do mundo
Metido assim sem perdão
Se nos desleixamos com ele
Depressa nos tiram tudo
E sem qualquer consideração

E se eles querem um toque em vez de beijinho
Nós pimba nós pimba
E se eles querem muito pão e muito vinho
Nós pimba nós pimba
E se eles querem confinamento à maneira
Nós pimba nós pimba
E se eles querem a malta toda caseira
Nós pimba nós pimba

Isto é tudo p'ra nós
E não me digam que não
Temos muito para fazer
Mesmo que fiquemos sós
Bolachas, bolos e pão

Enquanto estamos confinados
Cafés não vendem a fiado
Por isso rapaziada
Metam-se é de sofá
E por lá alapem o rabo 

E se eles querem um toque em vez de beijinho
Nós pimba nós pimba
E se eles querem muito pão e muito vinho
Nós pimba nós pimba
E se eles querem confinamento à maneira
Nós pimba nós pimba
E se eles querem a malta toda caseira
Nós pimba nós pimba

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