Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qui | 10.09.20

Tudo passa

Fatia Mor

Para a semana, inicia-se um novo capítulo na vida pós-Covid19, com o regresso às aulas.

Se por um lado, desejo que a nossa vida retorne à aparente normalidade de casa-escola-casa, por outro lado - e tendo em conta o exemplo do que vai acontecendo pelo mundo fora - o receio de que rapidamente estejamos em casa, em isolamento profiláctico, é grande.

Nestes dias, para me abstrair desta ideia, dou por mim a reforçar que este é um momento transitório. Faço um esforço para me recordar a leveza com que saímos de casa para ir a uma loja, para entrar num supermercado ou para almoçar num restaurante apinhado. E espero, ardentemente, nos meus desejos íntimos, que rapidamente possamos voltar a fazê-lo.

No entanto, há hábitos que parecemos já não poder contornar. No acto contínuo de procura das chaves do carro, das chaves de casa, dos óculos de sol, há agora um ritual de procurar uma máscara, verificar um álcool gel ou garantir que há desinfectante. Há a preocupação em não tocar nas superfícies - algo que ainda faço com os dedos - ou em garantir que não mexemos em nada essencial até as podermos lavar.

Nunca andámos tão limpos, tão lavados, tão higiénicos. E a preocupação com isso parece ganhar proporções que, em outros tempos, roçaria o critério clínico para diagnóstico de compulsão.

Seja como for, digo a mim mesma: é transitório. 

Vai passar. Tudo passa. 

E por aí, que estratégias usam para lidar com isto?

 

Dom | 06.09.20

O pânico da Covid19

Fatia Mor

Acho que, como todas as situações que ameaçam a nossa existência - seja a que nível for - devemos ter uma postura de bom-senso. Prepararmo-nos para o pior, mas esperarmos o melhor, que nestas coisas sou optimista, gosto de ver o copo meio-cheio, ou pelo menos, se me preocupo, tento não cair em dinâmicas alarmistas.

Mas o medo que o novo coronavírus nos trouxe talvez venha a ter implicações mais profundas, especialmente nas nossas crianças.

Cá em casa, os medos parecem encontrar campo para se esconder. Há medo de crescer, medo de dormir, medo de ter medo. Há necessidade de controlo das pequenas coisas, do que está à sua volta, não querer largar, seleccionar, separar. Há medo de que os pais morram. Há medos que são racionais e outros, como andar de elevador, sejam menos lógicos. Têm todos a mesma raiz.

O crescimento é assustador. Mas crescer num mundo que, de um momento para o outro, vedou escolas, parques, rotinas, obrigou a máscaras, a esconder, a lavar, a limpar, parece-me ainda pior... Muito bem estão eles, diria eu, que já tenho a mais velha a ser acompanhada por já não sabermos como lidar com comportamentos de verificação e pensamentos intrusivos, que ela mesma não sabia como ultrapassar.

A Covid19 trouxe-nos muitas coisas. O medo talvez seja a menos palpável, mas parece-me que irá fazer mais estragos a longo prazo do que aqueles que podemos supor.