Tudo passa
Para a semana, inicia-se um novo capítulo na vida pós-Covid19, com o regresso às aulas.
Se por um lado, desejo que a nossa vida retorne à aparente normalidade de casa-escola-casa, por outro lado - e tendo em conta o exemplo do que vai acontecendo pelo mundo fora - o receio de que rapidamente estejamos em casa, em isolamento profiláctico, é grande.
Nestes dias, para me abstrair desta ideia, dou por mim a reforçar que este é um momento transitório. Faço um esforço para me recordar a leveza com que saímos de casa para ir a uma loja, para entrar num supermercado ou para almoçar num restaurante apinhado. E espero, ardentemente, nos meus desejos íntimos, que rapidamente possamos voltar a fazê-lo.
No entanto, há hábitos que parecemos já não poder contornar. No acto contínuo de procura das chaves do carro, das chaves de casa, dos óculos de sol, há agora um ritual de procurar uma máscara, verificar um álcool gel ou garantir que há desinfectante. Há a preocupação em não tocar nas superfícies - algo que ainda faço com os dedos - ou em garantir que não mexemos em nada essencial até as podermos lavar.
Nunca andámos tão limpos, tão lavados, tão higiénicos. E a preocupação com isso parece ganhar proporções que, em outros tempos, roçaria o critério clínico para diagnóstico de compulsão.
Seja como for, digo a mim mesma: é transitório.
Vai passar. Tudo passa.
E por aí, que estratégias usam para lidar com isto?

