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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Seg | 06.07.20

Põe máscara, tira máscara

Fatia Mor

Devo confessar que quase me faz lembrar a música do Joaquim de Magalhães Fernandes Barreiros. Não estão a ver qual é? "Ponho o carro, tiro o carro, à hora que eu quiser"?

Pois bem, assim parecemos nós com o põe a máscara e tira a máscara... Só não posso dizer que é à hora que eu quiser porque ainda há regras a seguir.

Está a tornar-se um hábito cá em casa. Até arrisco a dizer que quando saio sem a máscara logo colocada, de casa, quase que sinto que falta qualquer coisa, tal é o estado da coisa.

O que me custa? Não perceber quem são as pessoas! Consigo reconhecer a generalidade das minhas relações sociais pelo olhar, claro, mas faço um esforço maior, noto que fico mais tempo a pensar "conheço aquela pessoa de algum lado...".

Por isso, acho que vou lançar um desafio fotográfico, em breve. Quem andar pelo Algarve, fique atento. Novidades no caminho.

Qui | 02.07.20

Aqueles dias...

Fatia Mor

Poucos ou nenhuns falam deles. Mas existem. Existem e são reais, como os monstros debaixo da cama, quando as luzes se apagam. Estão lá, mesmo que a luz dos restantes dias os façam desaparecer.

Tenho dias, em que tudo me irrita. Cada grito que os miúdos dão, os mesmos jogos de todos os dias, as mesmas rotinas, as mesmas exigências, as mesmas birras. Há dias em que me descontrolo, em que sei que deixo uma marca, mesmo quando tento não o fazer. Pode ser uma palavra mais áspera, um desabafo perdido no ar, pode ser um grito ou até um castigo. 

Sei que é injusto, mas a justiça nem sempre me assiste. E é cega. Caramba, se ao menos visse, talvez me desse razão.

Hoje é um dia desses. Esperem-me amanhã, lá serei a mesma de sempre.

Qua | 01.07.20

Incompletude

Fatia Mor

Parece que falta um pedaço de mim. Quase como saído de uma música, o estado actual das coisas trouxe-me um sentido de incompletude.

Sinto falta da espontaneidade. A sensação de podermos abraçar e beijar sem nos recriminarmos, sem sentirmos que estamos em incumprimento de leis sagradas. 

Sinto falta da liberdade de entrar num restaurantes, sentar-me, escolher, comer. E partilhar à mesa, estar descontraída, sem medo do que possa acontecer a seguir.

Sinto falta de nos juntarmos, amigos, todos debaixo do mesmo tecto. Sem máscaras. Sem limites. Sem distâncias.

O que sinto falta é mesmo da possibilidade, num tempo em que vivemos na probabilidade de ter ou não ter o vírus, ter ou não ter uma doença, ter ou não ter servido de veículo para a transmissão.

Inevitavelmente, tudo passa. Eu sei. Mas que marcas ficarão depois de tudo passar? A história escreve-se à nossa frente, pela nossa mão, de facto. Só nunca esperei escrever esta.

Falta um pedaço de mim... o pedaço de todas as possibilidades...