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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Sex | 17.01.20

O tempo perguntou ao tempo...

Fatia Mor

Acho que ando numa fase de indignação com as ideias falaciosas que aparecem por esta internet fora.

Ainda há pouco, passava por um grupo de facebook, em que alguém publicava a ideia, muito propalada, de que se não temos tempo é porque não nos empenhamos em fazer o nosso tempo render. Normalmente, esta ideia é muito utilizada para justificar a nossa inércia física: "não vou ao ginásio, porque não tenho tempo".

Quanto a isso ser uma desculpa é verdade; mas a ideia de que o dia deveria ser partido em trechos de 8h (e coisa em que eu ingenuamente já acreditei), esqueçam lá.

Façamos uma retrospectiva rápida. 

O dia tem 24h. Se dormirmos as 8h consideradas ideais, temos 16h em sobra. Se trabalharmos apenas 8h, temos 8h para usar. Nessas 8h temos que ter tempo para tudo o que são prioridades na nossa vida.

Agora vamos ver o dia real, de uma pessoa real. O meu exemplo:

Acordo às 7h30. Até acho que não é mau de todo; vivo num sítio em que levo os miúdos a pé, à escola e moro a uns meros 6 km do meu trabalho.  Devo demorar dois ou três minutos a sair da cama. 

7h45. Estamos a acordar os miúdos (se não nos acordaram já). Toca a despachar. O Fatiasmen vai fazer-lhes o pequeno almoço, enquanto eu tiro as roupas e vejo o que vai ser feito para o almoço. A seguir vou tomar banho e despachar-me.

8h10. Já estou de banho tomado, creme no rosto, cabelo apanhado e vestida, vou para a casa de banho lavar as caras e ver se os miúdos escovam os dentes. Certifico-me que fizeram xixi (não me perguntem porquê, mas nunca têm xixi para fazer... claro que têm!).  Vamos para o quarto, troco a roupa do mais novo, ajudo a do meio e dou o primeiro grito da manhã para que a mais velha (que resolveu ir brincar com a gata) se vista.

8h45. Saio de casa para ir levar as miúdas à escola. Volto, despeço-me do marido e do gaiato e saio para o trabalho.

9h05. Começo a trabalhar.

12h20. Hora de almoço. Saio e apanho as miúdas na escola para almoçarmos.

13h20. Estou a entregar novamente as miúdas na escola. Volto a casa, acabo de almoçar e/ou dou ordem ao que ficou, bebo café e saio para trabalhar novamente.

13h50. Retorno ao trabalho.

17h00. Saio para ir para casa. Chego a casa e as miúdas já lá estão (santa D. Fatia que trabalha connosco). Vejo o que há de trabalhos de casa para fazer e sento-me à secretária com a mais velha.

17h45. Dar banho ao mais novo.

18h15. Mandar as outras duas malucas para o banho enquanto arrumo a sala e mando arrumar o quarto.  Vejo se há comida de sobra do almoço ou se é preciso fazer alguma coisa e começo a fazer. Mando a lista do que faz falta em casa para o Fatiasmen trazer quando sair do trabalho.

18h45. Ainda estou a secar cabelos (#mãedemeninas) e a mandar vestir pijamas.

19h00. Ponho a mesa e entretanto chega o Fatiasmen. Mandamos tudo para a mesa, aquece-se o jantar e dá-se de comer aos miúdos. Comem primeiro por questões de logística.

19h30. Brincamos todos um pouco, ou vemos um bocadinho de uns desenhos animados em conjunto. Um de nós vai abrir as camas, arrumar a cozinha e preparar as coisas para jantarmos a seguir.

20h00. Vou abreviar e dizer que entretanto lavamos os dentes. Vamos todos para o quarto das manas, ler a história e fazer a nossa prece (sim, somos crentes, sim agradecemos o dia e pedimos paz e amor para todos).

20h30. Está tudo na cama e começa a romaria. "Mããaaaaaeeee, tenho sede". "Mãaaaeeee, quero leite". "Paaaaaaiiiii, tenho medo". "Paaaaiiiii, queremos abracinhos". São uns 20 minutos até a casa cair em silêncio.  

21h00. Sentamo-nos para comer qualquer coisa os dois e conversar sobre o dia que passou e sobre o dia seguinte. Arrumamos a cozinha e vamos para a sala.

21h45. Ligamos os computadores. Eu ainda tenho uma boa hora e meia de trabalho pela frente para compensar a hora e picos que não estive no trabalho, por conta da vida familiar. Despacho emails, leio trabalhos, teses, preparo aulas, formações, às vezes edito fotografias (havia de ter um hobbie nesta loucura, certo?) ou despacho coisas da vida (faço as compras online, pago contas, faço verificação de pagamentos, de datas de consulta, etc.).

23h00. Fecho o computador. Está na hora de ir para a cama. Digo que não e ainda conversamos um pouco, ou vemos televisão ou enfim, fazemos o que um casal apaixonado faz de melhor: adormecemos no sofá da sala! 

E são 7h30 novamente!

As oito horas que tínhamos acabaram de ser distribuídas em coisas normalíssimas de gestão familiar. Não há tempo que sobre. Aliás, sobram-me coisas para fazer, tenho a sensação que ando sempre a correr contra o tempo. Quando tenho que ir a algum lado, por exemplo, ao supermercado, tenho que cortar em alguma tarefa. Ou saio mais cedo do trabalho (o que implica trabalhar mais horas à noite) ou vou ao fim do dia e alguém tem que ficar com as crianças. 

Em tempos, ia ao ginásio à hora do almoço. Mas a bem da dinâmica familiar e de as miúdas comerem bem, tendo a possibilidade de almoçarmos todos juntos, decidimos fazer esse sacrifício. Já passamos tão pouco tempo com eles, sempre é mais um bocadinho em família. 

As 8h que sobram são para viagens e deslocações, para estar em família ou até para descansar além de dormir.

Portanto, não me venham dizer que não sabem o que fazemos às outras 8h. Eu sei (e bem) para onde vão. 

 

Mais ideias falaciosas para desmontar? Deixem aí na caixa de comentários!

Qui | 16.01.20

Quadros de mérito

Fatia Mor

Quem tem filhos em idade escolar, eventualmente, já se deparou com os quadros de mérito. Podem ter outras designações, como quadros de valor, ou prémios de desempenho, mas no fundo todos visam destacar os alunos que conseguem atingir o nível da excelência.

Não podia discordar mais destas medidas. De facto, deixa-me incomodada que a própria escola promova semelhante medida de diferenciação da prestação dos alunos, com base no axioma de que precisamos motivar os melhores alunos a continuarem a ser melhores, ou o que ainda acho mais falacioso, precisamos de incentivar os outros a esforçarem-se tanto.

A meritocracia é um engodo, meus amores. A única variável capaz de prever com uma precisão assustadora o desempenho escolar de um aluno é, pasmem-se, a escolaridade da mãe. E sabem o que tem uma correlação elevadíssima com o nível de escolaridade dos pais? O estatuto sócio-económico. Pois é. Filhos de pais com mais posses e com maiores níveis de escolaridade são melhores alunos.

A escola, tal como é concebida no seu princípio base deveria ajudar a nivelar estas diferenças sociais, dando as mesmas ferramentas a todos os alunos. O problema é que o ponto de partida de alguns já é em cima de um escadote, enquanto outros ainda têm que o construir. 

As actuais medidas da política educativa já prevêem ter em conta estimar o sucesso do aluno com base do seu ponto de partida. Isto significa que um aluno que progride de 90% para 100% poderá não ter tanto sucesso quanto um que sai de 40% para 50%, por exemplo. O esforço e a capacidade de resiliência face aos factores contextuais, que não lhe dão a alavancagem do primeiro, serão superiores no segundo exemplo.

Quer isto dizer que não vale a pena incentivar os bons alunos? Vale, claro. Mas a custo de rebaixar os que por muito que esforcem não vão ter os mesmos pais empenhados, os mesmos explicadores, nem a mesma estimulação em casa. Não vão viajar, abrir horizontes, nem vão ser levados a passear a bibliotecas, horas do conto, ou ouvir histórias lidas à noite. E mesmo assim, o seu esforço pode ser o maior de todos e nem por isso será reconhecido.

Já sei que me vão dizer que a sociedade é assim, que alguém tem que ganhar, chegar em primeiro. Que todos os outros lugares são necessariamente ocupados. É verdade. A vida tem os seus misteriosos caminhos. Mas parece-me que a competição acirrada pelo mérito escolar é tudo menos uma competência válida para uma sociedade que se pretende justa, equitativa. Se assim fosse, então, todas as medidas tomadas para garantir que homens e mulheres tenham oportunidades idênticas teriam sido desnecessárias. A vida é mesmo assim, não é? E se eu nascer mulher (ou homem) for ditado pelo mesmo acaso de nascer rico ou pobre, então, azar? 

A Escola, enquanto instituição, não pode compactuar com isto e tem a obrigação de instruir e educar. Sim, a escola também educa, também transmite valores, também tem o papel de criar sentido crítico, discernimento. 

Apostaria numa escola que mostrasse a cada aluno quanto o seu esforço vale. Gostaria de uma escola que dissesse aos seus alunos que o importante é serem bons seres humanos. O conhecimento é um alicerce essencial à moralidade. Mas diferenciar os alunos com base no desempenho é matar, à partida, toda e qualquer hipótese de cooperarmos. A competição pode ter sido o ponto de partida para o nosso desenvolvimento enquanto espécie inteligente, mas não tem que ser o ponto de chegada.

Ter | 14.01.20

Uma espécie de reflexão alada

Fatia Mor

Quisera eu que a lua iluminasse o sol

que os rios corressem para a nascente

ou que a terra parasse de girar

nada seria comparável

à vertigem alucinante

de fazer face ao desafio alado

deste bando afinado

que me conduz pelo ar.

Que a imaginação nunca falte

Nem falhe a quem quiser

com estes doidos continuar.

É preciso coragem

e uma boa dose de loucura

para neles encontrar

tudo o que se procura.

Não há volta a dar. 

Penas hão-de cair

Mas se tudo se conjugar

A segunda edição 

do desafio de escrita criativa 

destes pássaros vai sair!

Dom | 12.01.20

Síndrome do impostor

Fatia Mor

Sento-me. Oiço-os falar. Aceno, ocasionalmente. Concordo. Discordo, em menor percentagem. Por onde olhe, vejo mentes que pensam, que orquestram, que fervilham, que produzem. Faço-me discreta e invisível, foco-me naquilo que é palpável, no meio de construções mentais incomensuráveis. Queria poder ser igual, entre iguais, mas não sou. 

É uma fraqueza minha, reconheço a cada dia que passa. E a infelicidade toma conta de mim e vai pintando de cinzento onde antes havia o verde da esperança, o branco da paz, o vermelho da paixão. Nada me apaixona, ali, para me fazer levantar da cama com vontade de conquistar o mundo. 

Esse está fechado. Tem barreiras e limites tão grandes, que mal consigo ver o sol. E sinto as sombras que caminham vagarosamente. São as silhuetas de quem poderia ter sido, de quem gostava de ser, da inveja que deixo que nasça em mim, mesmo que ceife com rapidez. São ervas daninhas. Campeiam.

Nesses dias, nessas horas, sinto-me uma impostora. Daria um trecho de um filme, em que sei que não mereço estar ali, mas sustento a farsa para não desiludir os que me cercam. Tento aguentar-me, mas sei que as forças me faltam para nadar. E nada do que faça é bem feito. Fico aquém do que sou e do que gostaria de ser. E sigo, sem forças, mas sigo sempre. 

 

Sex | 10.01.20

Desafio de escrita dos pássaros #17 - Luz e sombra

Fatia Mor

Miguel tinha 4 anos quando viu uma sombra pela primeira vez. Miguel sabe que já tinha visto muitas antes. Aquela, quando tinha 4 anos foi especial. Viu a sua mãe colocar-se ao sol, para se aquecer naquela manhã de inverno, e quando deu por si tinha-se colado à sua imagem no chão e tinha desaparecido, como que por magia. A sombra fazia-o invisível aos olhares do mundo. E isso era ser especial. 

Foi também nesse dia que viu a sua mãe pela última vez. Por isso essa sombra era tão única. Ela entrou no autocarro e nunca mais voltou. Deixou-o invisível, no passeio, até que uma nuvem se atravessou no caminho do sol e ele apareceu como por magia. De repente, toda a gente o viu ali, sentado no passeio, com o seu peluche na mão, prestes a chorar. 

Nesse dia procuraram, por todo o lado, a sua mãe. Miguel achou que ela também tinha tropeçado na sua sombra e tinha ficado invisível. Não fazia mal. Um dia, uma nuvem em frente ao sol traria a sua mãe de volta. 

Veio o pai que não tinha sombra. Pegou nele e levou-o para casa da sua avó. A sua avó tinha uma sombra do tamanho do mundo. Crescia todos os dias. Miguel tinha medo de tropeçar na sombra a avó e de nunca lá sair, tão grande que era. Por isso, andava sempre ao seu lado, muito direito, para não se enganar. Imaginem que lhe desaparecia um só pé? Ou uma mão? Como brincaria com o gato da vizinha?

Um dia contou os seus medos à sua avó. Era um dia de muito sol e a avó não parava quieta. A sombra também não. Tenho medo de desaparecer. A avó riu, riu, riu tanto que caiu no chão em cima da própria sombra. Desapareceu. Miguel deixou de a ver. O pai veio, outra vez, buscá-lo. Continuava a não ter sombra. Miguel tinha 6 anos. 

Levou-o para sua casa. Miguel vivia encostado às paredes com medo das sombras todas que estavam em casa do seu pai. Sombras de pessoas que entravam e saíam sem reparar nele. Por vezes, escondia-se nas sombras dos móveis para poder vê-los melhor. A sombra de seu pai teimava em não aparecer. Miguel chegou aos 16 anos. A sombra de seu pai continuava em parte incerta. Miguel encheu-se de coragem e disse-lhe vou procurar a tua sombra. O pai olhou para ele atónito. Ninguém pode ver a luz, se não vir a sua sombra. E foi em busca do bom que o seu pai tinha perdido, um dia. 

Qua | 08.01.20

Fiquei cá a pensar com os meus botões

Fatia Mor

Será que deveríamos todos começar a fazer a mesma publicação sobre as viagens a 5€, num meio de transporte conhecido como comboio, entre duas cidades portuguesas de extrema importância, sei lá, como Lisboa e Porto?

Será que as equipas de marketing das instituições e organizações portuguesas não têm formas mais inteligentes de fazer publicidade? 

 

Ter | 07.01.20

O postal de natal

Fatia Mor

Ontem, a minha filha mais velha chegou da escola triste. Aparentemente, antes da interrupção do natal, todas as crianças tinham feito postais de natal que foram, posteriormente, sujeitos a votação. Do que percebi, a ideia era votarem o postal de natal mais giro.

O entusiasmo da hora do almoço, em que me dizia que a professora já tinha contado os votos mas ainda não se conheciam os resultados, foi substituído por um coração partido. Não tinha tido um voto, sequer.

Condoí-me de vê-la abraçada a mim, com a cara enterrada no meu colo, a segurar as lágrimas que teimavam em cair. Se eu pudesse, ter-lhe-ia dado todos os votos, apesar de ter plena consciência de que o desenho não é a maior das suas capacidades (nem a minha, a bem dizer). 

Mas apesar de tudo, foi um bom momento. Foi um momento para perceber que não podemos ser bons em tudo, que nem todos podemos ganhar e que a vida, mesmo que nos pareça injusta, tem a sua justiça. Ela conseguiu alegrar-se pelos amigos que tiveram os seus postais mais votados, percebeu que tinha dado o seu melhor e que nós, seguramente, iríamos sempre achar o postal dela como sendo o mais bonito. 

Hoje de manhã dizia-me que já tinha percebido que ela tinha outras capacidades que outros meninos não tinham, e que enquanto ela lia bem, havia meninos que ainda tinham muita dificuldade em ler. E surpreendeu-me ao dizer que talvez os devesse ajudar, da mesma maneira que ia pedir a uma amiga que lhe ensinasse a fazer bem os desenhos.

Está a crescer, esta minha filha. E é nestes momentos que, mesmo perante todas as dúvidas e erros que cometemos, me convenço que até somos capazes de fazer um bom trabalho a ajudá-la neste percurso das pedras.

Sex | 03.01.20

Desafio de escrita dos pássaros #16 - Sobre a vida adulta: ainda não entendi o que é para fazer

Fatia Mor

Ó Patrícia, chega aqui m'lher!

O gritado vinha da porta e Patrícia assomou-se ainda a limpar as mãos do peixe que amanhava para o almoço. Enquanto abria a porta, já ouvia os prantos de quem estava com a vizinha. O coração pressentiu o que a mente não viu e, de imediato, descompassou-se. 

Tu vem daí, tu vem-me daí que é o teu Manel. 

Patrícia estarreceu e a custo fez as pernas, desfalecidas, obedecerem. Deu alguns passos hesitantes - na verdade não sabia para onde ir - mas logo começou a correr desalvorada, pela ladeira até chegar ao cruzamento, iluminado pelo azul da ambulância. O seu Manel estava estendido no chão, tapado por um lençol de sangue e marcas de pneus em fuga. 

O mundo girou depressa demais para Patrícia, que se tentou agarrar às mãos que a rodeavam sem sucesso. Acordou no hospital, com médico, psicólogo e a sua tia Zezinha, à sua cabeceira. Zezinha que sempre fora despachada atirou-a às feras. Vamos embora que tens muito que tratar. O médico diz que não tens nada, estás apenas em choque, mas deram-te aquelas coisas p'ra t'acalmares. Vamos que tens que ir escolher a roupa, o caixão e as flores para o velório. 

Patrícia obedeceu, automatamente. A voz perdera-se no caminho. As lágrimas. Perturbava-se pelas lágrimas. Onde estariam elas? Talvez na primeira vez que se tinha deitado com o seu marido, ignorante da vida de casal e que ficara em choque com a brusquidão do tão falado amor. Ou quando ele lhe levantou a voz, a primeira vez. Ou quando lhe levantou a mão. Não, tinham ficado no dia em que a mão descera da ameaça, para se concretizar na primeira ferida. Nunca mais curara.

Agora estava livre. Totalmente livre. Olhou para a tia, que a segurava pelo braço e numa sacudidela libertou-se do aperto físico. Quem quiser que o faça. Todos se entreolharam. Zezinha olhou o médico com desconfiança, que saía da sala na certeza de que o seu trabalho terminara. 

Mas tu não podes fazer isso! Patrícia, tu não és uma criança. Deixa-te de parvoíces.

Patrícia, sorriu. Pois não. Sou uma adulta. E até agora, não tinha entendido o que era para fazer. Mas agora, tia, já sei. Vou ser feliz. 

Patrícia saiu da enfermaria, com a roupa por vestir, mas com um sorriso nos lábios. Quem diria que a morte lhe devolveria a vida?

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