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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Sex | 29.11.19

Desafio de escrita dos pássaros #12 - Estes pássaros não se calam

Fatia Mor

Se vocês soubessem,
Como tudo aconteceu
Diriam que logo sem demora
Que todo o mundo ensandeceu

Estas alminhas perdidas
Por Portugal espalhado
Por vias de um casamento
Haviam de se ter encontrado

E agora quem os vê
Logo pela manhãzinha
Um caracol atarefado
E logo todos dizem... É maluquinha! 

Bom dia a quem se levanta
E todos logo refilam
O café ainda mal saiu
E há que lhe enfie... Gengibre

Mas há comboios para apanhar
E quem convide para um café
Vamos todos, não falha um
Toca a trabalhar, pois é!

Estudasses... Alguém diz
Quando gabam a boa vida
E a quem vai de férias, já sabe
Sai um ódio(zinho) na rifa!

Logo sai uma piada
Trocadilho de má intenção
Todos riem e acertam
A clara presunção

Sai cacete, regueifa
Joaninhas e coisas que tal
Soubessem vocês do que se fala
E já tinham levado a mal

Mas ali nada se diz
Que traga desaforo ou tristeza
Enxugam-se lágrimas
Dão-se abraços
É às vezes,
Nem se diz nada, com certeza! 

Mas estamos lá ao acordar,
Ao almoço
E ao jantar
Do bom dia ao boa noite
Não paramos de piar.

E agora desculpem lá,
Que isto hoje saiu tardinho
Mas antes tarde e cá fora
Do que piar de fininho!

Piu piu... Que estes pássaros não se calam.

Ter | 26.11.19

Parabéns, Magda!

Fatia Mor

A nossa Magda (https://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/) faz anos!
São cinquenta anos neste mundo, a dar gargalhadas contagiantes e a ler todas as bibliotecas do mundo.

Magda, estas ideias, que logicamente consegues imaginar de quem vieram, servem para te dizer que tu provas que é possível fazer grandes amigos a partir das redes virtuais e que é possível que as pessoas se apoiem incondicionalmente, mesmo quando são totalmente diferentes (e tão parecidos, por outro lado). É admirável a tua boa disposição e a tua imensa capacidade de leitura, a tua capacidade de te desdobrares por todas as iniciativas e mais alguma, pela tua maravilhosa família. Certamente que é fácil gabar-te os sucessos, quando sabemos que em todos os percursos também há tombos. Mas é isso que te faz tão especial: falas de tudo com o mesmo à vontade e com a mesma capacidade de te rires das desgraças como te ris das conquistas! 

Venham mais 50, querida Magda. Venham muitos e bons. Cheios de saúde. E nós por cá, a piar contigo!

Sex | 22.11.19

Desafio de escrita dos pássaros #11 - Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação

Fatia Mor

Querido diário,

140 dias transcorreram desde que eu adoptei estes humanos. Não tem sido um processo fácil, especialmente, porque estes humanos reproduzem-se mais do que coelhos e têm três crias pequenas que acham que eu sou um boneco de peluche.

Reconheço que a minha estratégia de me fazer de morta, quando começam a correr na minha direcção, talvez reforce essa crença. Acho que tenho de começar a utilizar tácticas defensivas mais agressivas para garantir que os meus humanos, mais velhos, só me servem a mim.

Vê bem, querido diário, que ainda antes de me limparem a areia e me colocarem comida e água fresca, andam para aqui aos gritos, para estes pequenos energúmenos se sentarem, pacificamente, a comer. Não preciso que ninguém me grite. Basta colocar lá a comida que eu como, civilizadamente.

Seja como for, querido diário, os humanos que eu adoptei são uns queridos. São bem-comportados, fazem-me festas e recentemente fizeram por mim algo que nunca ninguém tinha feito!!

Sabes aqueles arranhadores que eles têm para aqui, modelo básico, claramente adquiridos no chinês? Pois bem, acho que se redimiram de não me terem colocado um Chanel no quarto e puseram-me um arranhador gigante, cheio de bolas e luzes, na sala, mesmo ao lado daquela coisa a que eles chamam televisão!!

Ai querido diário, se pudesses ver como é lindo. Está todo colorido. E eles têm um jogo engraçado que consiste em dizer-me que eu não posso ir lá tirar as bolas. Mas eu sei, querido diário, eu sei que quanto mais bolas eu tirar de lá, mais pontos ganho!

Tem sido uma verdadeira aventura. Agora, tenho de ir ronronar um pouco. Os meus donos acabaram de se sentar no sofá, e eu tenho de ir garantir que não vem para aí mais nenhum humano.

Com estes dois, nunca se sabe!

Sex | 15.11.19

Desafio de escrita dos pássaros #10 - Já chegamos? Já chegamos?

Fatia Mor

O quarto branco e assético continha todas as lágrimas que se permitira chorar. Neste momento, não havia mais mar salgado dentro de si, nem ondas de raiva, nem tempestades de dor. A paz da resignação tinha-se instalado, ao longo daqueles longos e imensuráveis meses, divididos em tratamentos, dosagens, medicações e canções de embalar.

Um corpo, débil, ligado às máquinas mostrava um espírito que procurava desprender-se. Estava ligado à sua ínfima vida, de 9 anos, mas que o martelo da vida tinha dilatado em sabedoria. Pelo menos, Flor gostava de pensar que sim. O seu filho suspirou mais uma vez, despertando em dor.

Correu para a sua cama e deitou-se ao seu lado, envolvendo pelas costas, recostando-o no seu peito como fazia quando Pedro acordava durante a noite, com pesadelos recorrentes.

A noite acossava o quarto dando-lhe uma tonalidade azulada, relaxante. O som ritmado das máquinas melodiava aos ouvidos de quem sabe que a esperança é a última a morrer. Naquele quarto, seria a última a suspirar.

Pedro, lembras-te de que querias muito ir à feira popular? Podíamos ir lá agora. Iríamos percorrer toda aquela alameda que tu tanto gostas, com os ciprestes alinhados, apontados para o céu! Querias sempre saber porque aquelas árvores cresciam tão direitas, tão retas, e para onde apontavam. E quem as tinha posto assim, tão alinhadas, tão perfeitas. Já viste as árvores? Hoje estão tão lindas, filho, com um verde que anuncia a primavera! Os pardais esvoaçam, à procura de local para o ninho e em breve não teremos onde deixar o carro, sem que fique todo sujo. Pedro esboçou um sorriso e a melodia que ressoava entrou num andamento mais lento. Podíamos parar por lá, fazer um piquenique. Íamos ser atacados pelas formigas, mas sei que dirias que temos muito, que podemos partilhar as migalhas com elas. Mais um suspiro profundo. Pedro abriu os seus olhos amendoados, castigados de dor e quase pedindo permissão para falar, sussurrou: - Já chegámos? Já chegámos, mãe?

Já, meu filho, já chegámos. A roda gigante está toda iluminada, mesmo à tua frente. A Selva do lado esquerdo. Podíamos ir dar uma volta os dois.

Flor apertou-o mais um pouco contra o seu regaço enquanto Pedro sorria pela última vez. Já chegámos, meu filho. Descansa, que já chegámos.

Qua | 13.11.19

Pequena (grande) rainha do drama

Fatia Mor

Comunicado Real

 

A Casa Real Fatia informa todos os seus súbditos fiéis que

Sua Alteza Real

Princesa Fatia#1

encontra-se doente, de forma irremediável, 

com o nariz entupido,

dores de cabeça

e febre.

 

Sua camareira, também conhecida como sua mãe, FatiaMor

informa que o seu estado de saúde não inspira cuidados,

mas que a saúde mental de todos os outros elementos que habitam esta casa está prestes a acabar!

 

SAR, a princesa, faz saber que está muuuuuuuuuiiiiiitooooo entupiiiiidaaaaaa

que lhe dóooooooooooooiiiiiii muuuuuuuuuuuuiiiiiitooooo a cabeça

e chama de hora a hora, para assoar, para lhe dar lenços, para lhe dar água, para lhe dar medicação, para dizer que está doente, que está farta, que não consegue comer, que não quer comer, mas que afinal quer, mas afinal dói-lhe o lábio (que rebentou com a febre)...

 

A Casa Real espera que, nos próximos dias, tudo retorne à normalidade.

 

A porta-voz

Uma-mãe-à-beira-de-um-ataque-de-nervos,

FatiaMor

Sex | 08.11.19

Desafio de escrita dos pássaros #9 - Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

Fatia Mor

Ai! A minha cabeça. Mas onde é que eu estou? Areia. Mar. Onde é que estou? Mas o que se passou? Ai! A minha perna. O meu braço. Isto é sangue? Mas o que se passou? Não há ninguém. Ninguém. Estou sozinho? Mas onde é que eu estava? Estou a enlouquecer. Estou a enlouquecer. Acalma-te Aníbal, acalma-te. Fecha os olhos. Abre-os. Tudo igual. Passou-se alguma coisa, mas… Não consigo perceber o que se passou. Onde é que isto fica… Mas onde é que eu estou? Completamente só. Sinto-me tonto, devo ter alguma hemorragia interna. Estou perdido nesta ilha. Só vejo água, água, água e areia. Não sinto a minha mão esquerda, devo ter partido o braço. Mas onde. ONDE? ONDE? Acalma-te Aníbal. De certeza que alguém já deve ter dado pela tua falta. A Cristiana deve dar o alarme quando vir que eu não liguei o telemóvel ou não lhe disse onde estava. Eu sei que devia estar a chegar a algum lado, mas não consigo lembrar-me. Devo ter batido com a cabeça. Estou tão tonto. Acho que vou vomitar. Que nojo. Que coisa castanha é esta? Ao menos, estou melhor. Mas continuo sem saber o que se passou. Só queria voltar a casa. À minha casa. Ver os meus pais. A Cristiana. Vai achar que eu a abandonei, que não a quis, que desapareci sem deixar rasto. Porquê, meu Deus, porque é que me atiraste para esta ilha, nu, perdido, sem memória. A minha mãe deve estar desesperada. Só queria o seu abraço. Não me lembro da última vez que vi, nem que a abracei. Nem que lhe disse que a amo. Ou que vi um jogo do Sporting com o meu pai, que o abracei. Só queria mesmo aquelas favas fritas intragáveis e uma cerveja para brindarmos. Cristiana, ó Cristiana! Não desistas de mim, vem à minha procura. Tenho tanto sono, se eu me deitasse um bocadinho, pode ser que acorde deste pesadelo ou que alguém me venha buscar.

 

Cristiana abraçou a sua melhor amiga, com os olhos vermelhos da dor de que estava acometida. O funeral decorrera horas antes. Como te estás a aguentar?, perguntou-lhe a amiga. Não estou, não acredito que ele não está mais aqui. Não posso acreditar que aquele cancro o levou, tão novo, tínhamos tanto para viver… A amiga estava desolada. Tenho a certeza que ele está a olhar por ti, esteja ele onde estiver!

Qua | 06.11.19

Viver (n)a academia

Fatia Mor

Há uns dias escrevi (e deixei nos rascunhos) um texto doloroso sobre o que é trabalhar na "academia". 

Desde que me lembro de mim, enquanto pessoa, aprender algo novo sempre foi algo que me deu prazer. Costumava dizer, meio-a-brincar-meio-a-sério, que não me importava de estudar a vida toda. Se me pagassem para isso, melhor!

Apesar de tudo, quando terminei a minha licenciatura (ainda nos moldes "antigos"), via-me a trabalhar na minha área com o mesmo prazer com que me via a estudar a vida toda. Por isso, quando apareceu a oportunidade - caída do céu, diga-se - de começar a dar aulas na casa onde eu própria me formei, agarrei-a, sem olhar para trás. E para trás ficou uma excelente oportunidade de trabalho que surgiu, pouco tempo depois, numa multinacional do retalho. Ia estudar o resto da vida, mas ficava feliz por isso.

O problema - e claro que há sempre um problema na ingenuidade dos 23 anos - é que quando estudamos, na "escola", o propósito é suplantar as nossas próprias dificuldades. Se não o era para a maior parte das pessoas, para mim, era o facto de crescer enquanto saber que adquiria e não tanto o destaque de ser bom nisto ou naquilo. Porém, ao longo dos catorze (um 1 e um 4, yep, está certo) anos que levo disto, descobri que neste meio somos constantemente enfileirados em rankings, critérios e medidas de excelência, para que nos destaquemos constantemente junto dos pares ou organizações similares.

Deixei de ter de saber por mim, pelo meu gosto pessoal, para ter de saber e mostrar esse saber a todos os outros, preferencialmente através das revistas em que publicamos, os centros de investigação a que pertencemos, do financiamento e internacionalização dos projectos que desenvolvemos, etc. Tudo é uma medida de sucesso, de excelência.

Mas sabem, isto é exactamente como a riqueza. Não podemos ser todos ricos. Também não podemos ser todos bons, nem todos excelentes, nem todos "O" melhor investigador. E como todos os sistemas, há um certo viciamento, porque o destaque granjeia-nos mais oportunidades que, por sua vez, nos granjeia mais destaque, e por aí adiante.

Em jeito de aliviar esta tensão, sigo uma página no facebook, a Shit Academy Say, uma comunidade que meio-a-sério-meio-a-brincar vai colocando o dedo na ferida. Logicamente, a academia não é idêntica em todos os lados do mundo, a nossa certamente terá diferenças profundas em relação a outras, em meios maiores e mais competitivos, mas o sentimento que nos anima é o mesmo. E hoje, quando li isto, concordei em absoluto:

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Eu vivo constantemente a dizer a mim mesma que, se não fosse pela família, pelo cérebro cansado, pelas mil e uma tarefas, pedidos e exigências, conseguiria chegar lá. Que isto não é um traço meu - o não ser excelente - mas sim um estado, que mais tarde ou mais cedo vai modificar-se.

 

Pois hoje, sem derrotas e sem hipocrisias, reconheço que ser bom terá que ser suficiente. E não há problema nenhum nisso. Tenho que fazer as pazes comigo, sobre esta incapacidade de ser excelente, caso contrário, qualquer dia desisto de aprender.

Ter | 05.11.19

O bairro mudou

Fatia Mor

Quando pensei em ter um blog, passeei-me por todas as plataformas. 

Umas eram complexas demais para a minha "proficiência" em gerir páginas. Outros pareceram-me demasiado simples. 

Por acaso, tropecei no sapo e encantei-me. 

Algures por estes dias, há cinco anos, escrevi a primeira publicação e desde então, tudo mudou.

Mudou o tipo de publicações, mudou quem cá comenta, criaram-se amizades (obrigada passarada) e o sapo estava aqui, "pequeno" espaço blogosférico batraquiano, que nos habituou a um espírito bairrista de simpatia entre vizinhos que se cumprimentam na rua, quando passam uns pelos outros.

Mas hoje, tudo mudou! E deixem-me que vos diga, o Sapo está mais giro! Mais claro. Mais clean! (está na moda, o anglicanismo).

Agora temos um bairro renovado, que muito agrada à vista! Parabéns, Sapinho e equipa! Não param de surpreender!

 

(e viram como aproveitei para dizer que este blog faz anos???)

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