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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qui | 31.01.19

Retratografia #1: night owl

Fatia Mor

A Joan of July lançou o desafio e eu, que não gosto nada de fotografia, especialmente de retrato, achei que valia a pena arriscar.

Se ainda não conhecem a Joan of July, que é como quem diz a Catarina (travei conhecimento há poucos dias), aconselho-vos a seguir com atenção. Um blog fresco como uma limonada no pico do verão! Gostei tanto que achei que na loucura da minha vida, dava para encaixar mais uma ideia!

Pois bem, aqui ficam os meus retratos do primeiro desafio: night owl.

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Optei por retratos de rua, tirados em várias saídas e momentos em que tinha a minha câmara comigo. Nos próximos desafio, espero conseguir fazer fotos especiais para cada um dos desafios!

Espero que gostem e que sigam este desafio por esta blogesfera fora!

 

P.S. Claramente, tenho um problema com a qualidade das fotografias que consigo colocar no blog. Com tempo, irei tentar encontrar uma forma melhor de partilha das mesmas!

 

P.S. 2: Sigam os restantes trabalhos nos blogs de quem teve a coragem de se meter nisto!!

Catarina Alves de Sousa  - Joan of july

Ana Garcês - Infinito mais um

Margarida Pestana - Margarida Pestana

Marta Moura - Fashionoir

Natália Rodrigues - escrever fotografar sonhar

Joana Sousa - jiji

Artur e Daniela - palavra padrao

Beatriz Nascimento - Vinte um

Marisa Cavaleiro - Marisa's closet

mami - mami

Sex | 25.01.19

O valor de uma fotografia

Fatia Mor

Recordo-me perfeitamente da voz do meu avô a tentar comandar-nos para mais uma fotografia de família, por um qualquer evento. Não havia grandes hipóteses de segundas tentativas e só conheceríamos o resultado daqueles esforços, após alguns dias - dependendo da velocidade a que se gastasse o rolo de 36 fotografias.

Todos aqueles registos eram uma preciosidade que não estavam ao alcance de qualquer um. E não raras vezes, depois de revelado, chegávamos à triste conclusão de que alguém tinha a cabeça cortada, estava pela metade, estava em contraluz, ou estava tudo desfocado. Mas não interessava. Guardávamos aquela fotografia como uma prova viva de que aqueles momentos tinham existido. Se tivesse sorte, a dita iria parar a uma moldura ou um álbum, com legenda por baixo, escrita à mão, em ligeiro desalinho, a recordar-nos que havia momentos que fazia sentido perdurar no tempo.

Ainda hoje gosto de perder horas a ver fotografias antigas. A nossa memória é incapaz de guardar com tanta precisão todos os belos momentos que vivemos e, pecando contra os ideias do "vive o presente", atrevo-me a dizer que um homem sem memórias é um homem sem raízes.

Hoje em dia, caímos no ponto oposto. Por todo lado, câmaras da mais variada forma e feitio democratizaram a fotografia. Permitiram, não só, poupar o dinheiro gasto em fotos que simplesmente ficaram completamente estoiradas, como garantiram que pudéssemos ensaiar e testar cada momento, cada pose, cada memória, para contar a história melhor.

Se por um lado, fazer memórias que perduram além da nossa, se tornou mais fácil, também perdermos o brio e o zelo pelas mesmas. Tiramos centenas de fotografias que ficam, desapreciadas algures, até trocarmos de aparelho. Não raras vezes, perdemos tudo o que tínhamos porque deixamos de nos preocupar em ter fotos à nossa vista. Um telemóvel que se perde, um cartão de memória que se estraga e pronto, desapareceu tudo.

Deixámos de apreciar a fotografia como uma forma de arte. Qualquer um faz aquilo, não é? Não. Não é. Qualquer um tira uma foto, poucos fazem memórias. E tenho pena que assim seja. 

E para vocês, qual é o valor de uma fotografia?

Ter | 22.01.19

Fot'aventura - um feliz acaso!

Fatia Mor

Mas o que tens tu feito, FatiaMor? - perguntam vocês, meus adorados leitores.

Pois bem, o projeto Serendipity Photography segue nos seus passinhos, lentamente, a tentar crescer e impôr-se no meio da fotografia de retrato infantil, familiar e lifestyle.

E já que perguntaram, se quiserem vir ao Algarve, mais propriamente a Almancil, nos dias 2 e 3 de Fevereiro, porque não aproveitarem e fazerem uma mini-sessão alusiva ao dia dos namorados?

Conto convosco para uma visita?

Seg | 21.01.19

Da saudade

Fatia Mor

Há alturas do ano em que a saudade me ataca. Normalmente, é no Outono. A melancolia dos dias cálidos e das noites frias, da luz solar que teima em encolher, as folhas amareladas que se desprendem das árvores, despindo os ramos secos de um verão quente, o cheiro a castanhas no ar... Tudo isso me coloca no passado com relativa facilidade. 

Este "clima" mental quebra-se facilmente no inverno, depois da passagem de ano, em que nos enchemos de esperanças para "o que há-de vir". Posiciono-me mentalmente no futuro, sem grandes expectativas para não me frustrar e deixo-me ir até Junho, altura onde realmente faço o balanço do "meu" ano.

Mas estes dias, nem consigo precisar bem porquê, têm-me trazido vagas saudosistas. Talvez tenha a ver com o facto fazer 20 anos sobre o meu 12º ano. E se esse foi um ano! Nada de especial, mas tudo em novo. Namoros, decisões de vida - algumas dolorosas - autonomia, desprendimento. 20 anos.

Sento-me a trabalhar com músicas dos anos 90 e desfilam perante os meus olhos da alma os episódios mais caricatos que quase me arrancam lágrimas de riso. Olho para os miúdos, que se juntam por baixo da minha janela, depois de saírem da escola (ali mesmo em frente) e recordo-me das horas passadas nas escadas dos Olivença, em conversas sem fim. 

Penso nos amigos que nunca mais vi, que nunca mais soube nada, mesmo com a facilidade do facebook, do instagram e do diabo a quatro. Penso naqueles que foram tão importantes, que ainda me defino em relação ao que aprendemos juntos, ao quanto crescemos em conjunto. 

A vida é implacável no toca a estabelecer distâncias físicas, que nos fazem perder a noção de quanto gostávamos das pessoas. Talvez seja por isso que temos memória. Para nunca deixarmos as partes de nós que entregamos a quem amamos, perdidas no mundo. E para que não percamos a dimensão do que nos foi dado, nessa troca tão especial.

Pois, ando saudosa. Volta lá, oh Primavera, a ver se isto anima!

Sex | 18.01.19

Pequeno Fatia#3 armado aos cucos

Fatia Mor

O meu pequeno Fatia#3 está sempre pronto para se meter nas conversas que tenho com as suas irmãs, especialmente, quando elas estão a ouvir um responso. 

Ontem, depois de (mais) uma birra da Fatia#2 (aprendeu e não quer outra coisa), lá estava eu a falar com ela sobre o seu comportamento.

Indignada com o que lhe digo, faz-me os seus famosos "rolling eyes".

Paro o que estou a dizer, elevo a voz e digo-lhe:

- Mau!

Vem logo ele a correr, pára ao pé da irmã, mão na cintura e diz:

- Mau!

Olho para ele, seriamente, fito-o longamente e digo-lhe, num tom bem exagerado:

- Oiça lá, a conversa é consigo*?

Fatia#3: Não! - responde-me ele, com uns grandes olhos pousados em mim.

FatiaMor: Então, não se meta!

Fatia#3: Está bem... - diz ele, num tom meio desiludido.

E lá deu meia volta e voltou para os seus carrinhos, antes que sobrasse para ele.

 

Não perdem uma oportunidade de "sovar " o outro. São muito "caridosos"...

 

(*não trato os meus filhos na terceira pessoa do singular, 'tá? mas ajuda a meter um certo tom à coisa)

 

Ter | 15.01.19

Do querer

Fatia Mor

Quero pôr a alma entre as almas do mundo
Ser maior que o amor
Ser mais forte que o diamante que luz em mim.

 

Quero pôr os versos da minha vida
entre os escritos da poesia, da prosa, da rima
quero ser quem se estende pelas linhas, 
perdida no sabor da lágrima 
e no som do riso.

 

Quero ser mulher e menina,
quero ser pessoa, quero ser natureza
quero ser quem sou e deixar de ser 
quem não quero, nem posso ser.

 

Quero ter as mãos operantes que modelam o universo
que embalam o amor
que afagam as palavras que brotam pelas pontas dos meus dedos
que me sussurram aos ouvidos
que palpitam com o coração.

 

Quero tanto destes momentos que me esqueço...
Esqueço-me de os viver, de os sentir
fico suspensa na imensidão da existência a querer...

 

Por isso,
às vezes,

 

Quero não querer,
quero ser sem pedir
quero amar sem pesar,
quero chorar sem cobrar
quero rir sem motivo.

 

E é neste querer que sou e que me defino,
que me encontro e me alimento
que vou além do que é óbvio, do que é sensato.
Sou quem sou, por querer, mesmo que o seja,
sem querer.

Seg | 14.01.19

Efeito dominó

Fatia Mor

Tenho falado muito pouco de maternidade, coisa a que este cantinho se dedica(va).

 

Isto está cada vez mais complicado e ninguém me disse que ia ser assim.

Mentira, eu já sabia. Mas é interessante como continuamos a olhar para os nossos filhos e a idealizá-los num futuro próximo, como sendo as crianças perfeitas.

 

Não são. É que não são mesmo. São birras atrás de birras. Avanços e retrocessos constantes na sua autonomia. Quando achamos que conquistámos um pouco mais de sossego, eis que um período qualquer conturbado bate à porta, trazendo consigo noites mal dormidas, choros incontroláveis e ideias parvas.

 

Ultimamente, o sr. Fatia#3 não tem uma noite que, lá para as 4, 5 ou 6 da madrugada, não venha dormir connosco. 

Quê, crianças a dormir na nossa cama... Nunca!

Hã hã.

O problema é que ele grita mais alto do que os nossos ouvidos são capazes de aguentar e, acresce à sua imperturbável vontade, o malogrado efeito dominó. 

Não sabem o que é o efeito dominó?

Típico de quem tem mais do que um filho, agrava-se substancialmente de forma proporcional ao número de crianças presentes numa casa. O efeito dominó é provocado pelo achaque nocturno de um dos pequenos seres, que exigindo a plenos pulmões leite, água ou qualquer coisa que nos valha, acorda todos os outros pequenos seres que dormitam levemente nas suas camas. E quando damos por ela, passaram-se 3 horas a atender chamadas a xixis, águas, leite, mais xixis, fraldas cheias, e pedidos de virem pernoitar para o pé de nós porque têm medo do escuro.

Efeito dominó.

Por isso, meus amores, um puto que se atravessa na nossa cama, nos faz dormir destapados mas que dorme em silêncio e que também nos deixa dormir o resto da noite é, inegavelmente melhor que três crianças aos gritos nas suas camas. E nós fora da nossa.

 

 

Sex | 04.01.19

Do equilíbrio - um desafio...

Fatia Mor

e·qui·lí·bri·o 
substantivo masculino

1. Estado de um corpo que se mantémainda que solicitado ou impelido por forças opostas.

2. [Mecânica]  Igualdade das forças de dois corpos que obram um contra o outro.

3. [Figurado]  Igualdade.

4. Boa inteligênciaharmonia (dentro de um partidoentre partidos diferentesentre naçõesetc.).

 

Por norma, perguntam-me "como consegues?".

A pergunta traz implícita a ideia de como é que eu consigo gerir uma casa, uma família com três filhos, um trabalho, um hobby. 

A verdade é: não consigo. Não há equilíbrio que nos valha, neste campo de forças opostas.

A própria noção de equilíbrio é perigosa. Recordo-me a primeira vez que me deparei com uma teoria de divisão do tempo, numa altura em que achava que não tinha tempo para nada e que precisava de me organizar mais, de equilibrar os meus interesses, vontades e obrigações. 

A ideia é que devemos dividir o dia em 3 partes de 8h. 8 horas para dormir, 8 horas para trabalhar e 8 horas para dedicarmos às nossas actividades de lazer. Tudo perfeito, diria o incauto observador do nada, se considerarmos que tomar banho, preparar refeições, fazer as compras, a limpeza e arrumação da casa, da roupa, etc., como actividades de lazer. Nessas 8 horas restantes, fazemos um esforço para encaixar tudo: o ginásio - porque temos que nos manter fit; o cuidar do lar - porque tudo tem que estar arrumado, limpo, passado; o estar com os amigos - porque temos que preservar a nossa vida social; as actividades culturais - porque temos que manter o sentido crítico e aguçar o sentido estético; e poderia continuar por aqui até me fartar.

Rapidamente, abandonei esta ideia infantil de que temos que dormir!! Podia viver sem dormir e mesmo assim jamais conseguiria manter os mínimos olímpicos de tudo o que é exigido ao ser humano. Voltemos à realidade...

Com crianças pequenas, esse tempo passa a ser usado nas deslocações até à escola, nos trabalhos de casa, em educar, em brincar, em cuidar.

A verdade, é que se pensarmos na quantidade de coisas que gostaríamos de fazer - ou que seria desejável fazer - estaremos sempre a perder. E se pensarmos que é possível estabelecer um equilíbrio entre todas estas dimensões da nossa vida, então, mais vale deitarmo-nos a chorar a um canto da casa, enquanto desejamos ardentemente que esta se arrume sozinha.

A realidade é que não há equilíbrio. Quando optamos por um caminho, sabemos que estamos a descurar outro. São escolhas, são opções, que iremos, mais tarde ou mais cedo, sofrer as consequências. Podem ser boas. Mas também podem ser más. 

Sou uma afortunada. Tenho as condições para ter toda a ajuda do mundo e mesmo assim não tenho tempo para tudo. Não consigo equilíbrio.

Curiosamente, devo ainda acrescentar, que este problema do equilíbrio só parece afectar as mulheres.

Nas muitas vezes que me perguntam "como consigo", poucas ou nenhumas são aquelas em que esta questão se estende ao meu marido. Portanto, implícito está que as mulheres é que têm que procurar o equilíbrio, porque a elas lhes cabe toda a responsabilidade acima determinada.

A verdade é que não. Não pertence. Nem a quero toda só para mim. Os homens são seres válidos que trabalham tanto como as mulheres, quer em casa, quer no trabalho. Eu sei, acredito em contos de fadas. Mas também quero acreditar que esses príncipes encantados andam por aí, nas casas, nos lares de todos nós. 

Vai daí, notei que tanto discriminamos a mulher por assumirmos que é a sua responsabilidade subdividir-se de forma equilibrada em saltos altos pelas diferentes vertentes da vida - criticando-nos duramente quando descuramos de alguma - como discriminamos os homens ao assumirmos que eles não podem, nem querem, assumir a sua dose de responsabilidade social e familiar a que estão dedicados.

As famílias mudaram, os valores alteraram-se, os papéis tornaram-se mais permeáveis. É preciso atender a isso e criar as condições para que os homens não sejam estigmatizados quando faltarem para cuidar de um filho doente, quando quiserem acompanhar a mulher no curso de preparação para a parentalidade, quando pretenderem poder usufruir da sua licença de parentalidade, sem interrupções, sem interferir com o trabalho. É preciso criar as condições para o equilíbrio não seja alcançado à custa de nos perdermos nos nossos afazeres, mal feitos, mas na capacidade de compreensão e cedência entre o casal.

Vamos destruir o mito do equilíbrio, a bem da nossa sanidade mental, e vamos trazê-lo para onde deve realmente existir: na simetria dos papéis familiares.

E agora, um desafio! Estou à procura de famílias simétricas para fotografar. Mães e pais que dividam o trabalho, o planeamento, a carga mental e emocional de gerir a sua vida. Pais que não tenham vergonha de mostrar que usam os seus direitos plenos de parentalidade, que fazem tudo, tal como as mães. Conhecem? Acreditam nesta ideia? Mandem-me um email para umfelizacaso@gmail.com e vamos conversar um pouco sobre isso!