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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

27
Abr18

Prioridades, senhores! Prioridades!

Fatia Mor

Conversa a atirar para o lamechas, à hora de jantar!

 

- Amas os papás? - pergunto eu à Fatia#2.

- Sim! Amo os papás! - responde ela.

- E tu, Fatia#1? 

- Eu amo a minha família toda daqui até à lua!

- A sério? - riposto eu.

- Sim, não vos trocava por nada!

- Nem por um gelado enooooorme? - exagero eu.

- Nem por isso.

 

Eu trocava!

 

Fatia#2 no seu melhor.

17
Abr18

Mum Code

Fatia Mor

Estão a ver aquela cena que une os machos nos filmes e séries? O chamado bro code, que no fundo é um conjunto de princípios e valores implícitos, informais, que regem a conduta dos homens uns para com os outros, especialmente no tocante às mulheres? 

Pois bem, tenho a informar-vos que, recentemente, me apercebi que há uma espécia de mum code, ou seja, um código implícito de condutas esperadas entre mães, que se cruzam na actividade constrangedora de educar os seus filhos em situações públicas. 

Estava eu no IKEA a almoçar, as benditas almôndegas; enquanto esperávamos pacientemente que o pai voltasse da interminável fila que se gera na loja daqui da zona, as crianças brincavam alegremente com os dispositivos para o efeito. Sentadas há um bocado, cada uma no seu banco, brincavam animadamente quando se aproxima uma mãe com dois filhos.

 

E é aí que começa "o" diálogo.

 

Diálogo esse, dirigido às crianças, que pretende mostrar à outra mãe que estamos solidárias com a necessidade de também ela colocar os seus filhos a brincar, enquanto lhe mostramos a extrema educação que damos aos nossos.

 

- A menina está a brincar. Quando ela acabar de brincar, podes vir brincar.

- Oh Fatia#1, deixa o menino brincar contigo que há espaço para os dois. Fatia#2 puxa esse banquinho para cá para brincarem todos.

- Não filho, não faças isso que a menina já cá estava. Temos que ser pacientes.

- Meninas, toca a partilhar. Vá, já aí estão há muito tempo. Não tarda vem a comida, venham limpar as mãos.

 

E assim continuou, num pingue-pongue de deixa-estar-vem-cá-sê-simpático e mais que seja, enquanto os miúdos olhavam para nós, claramente sem saber como corresponder àquela situação.

Foi no processo automático em que me encontrava que a minha mente começou a derivar e observar a situação, como se estivesse de fora da situação.

 

Não pude deixar de pensar que era ridículo.

 

Talvez se tivéssemos deixado as crianças, elas teriam arranjado maneira de brincarem todas juntas e nós teríamos nos agastado menos. Eu, pelo menos, teria gasto menos latim.

Mas cá está, depois não teríamos usado o código. O bendito código que diz que devemos provar às outras mães que somos preocupadas com o bem-estar de todos, que partilhamos tudo, que somos politicamente correctas, sob pena de, pelo mesmo código, sermos julgadas como más mães.

 

Sou franca, não sei quem o escreveu, mas vou começar a olhar com atenção redobrada. E vocês, reconhecem o mum code por aí?

12
Abr18

Sou um bicho do mato

Fatia Mor

Quando penso no meu eu ideal imagino-me sempre rodeada de pessoas. Gosto de comunicar, gosto de falar com os outros, gosto de os ouvir, gosto de pessoas. Mas, e como em tudo na vida há um "mas", sou um bicho do mato.

Uma das piores coisas que me podem fazer é pedir-me para socializar com um grande grupo de pessoas, com as quais não tenho qualquer relação prévia estabelecida, fora do meu contexto e da minha rede de segurança. Parece um contra-senso, atendendo a que a minha profissão me obriga a enfrentar públicos desconhecidos numa base recorrente, exige que tenha que falar com pessoas que não conheço numa base diária e obriga a que tenha que comunicar com elas durante muito tempo.

A diferença reside, de forma essencial, no objectivo da comunicação.

No meu trabalho, espera-se que eu ensine. Espera-se que estimule a discussão sobre temas para os quais todos temos apetência, temos interesse. No fundo, equivale a dizer que apesar de sermos todos desconhecidos há algo que nos une, e esse destino comum está logo selado à partida e é reconhecido por todos e consciente para todos!

Quando falamos de momentos sociais, sem saber o que move as pessoas que lá estão, quais são os seus valores, os seus princípios, os seus interesses, a possibilidade de errar é enorme. É inevitável fazer algo menos agradável, que alguém interprete de forma errada, dizer alguma coisa que seja mal entendido é quase certo! E as oportunidades para explicar ou fundamentar a nossa forma de acção e de pensamento têm a duração de um fósforo a queimar. 

Estas situações, de sorriso posto, agastam-me de uma maneira além do imaginável. 

Gostava de ser diferente. Ser mais espontânea, menos preocupada, menos conscienciosa de mim e da exigência desses momentos sociais, mas não consigo. Vai além das minhas forças e das minhas capacidades.

 

Sou um bicho do mato. O meu eu ideal, neste momento, troça do meu eu real e diz-lhe com descaramento "quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré!".

 

11
Abr18

Ai Netflix, Netflix...

Fatia Mor

Para onde quer que eu me vire, ele é post sobre La casa de papel; ele é conversas sobre Stranger things; eles são anúncios para me registar e ter um mês à borla de netflix e poder ver essas séries todas de enfiada, feliz e contente.

Mas porquê!? Porque é que toda a gente deu em ver coisas interessantes, quando eu não tenho tempo para aquecer o sofá?

Mas porque é que toda a gente deu em elogiar estas e outras séries, num momento em que seguir um carreiro de formigas é um desafio complexo para mim? 

E eu que queria tanto ver isso tudo e mais um par de botas, mas só tenho olhinhos para o trabalho, para o curso de fotografia e para a família que anda cá por casa!!!

 

Digam-me, vale a pena perder-me e registar-me no Netflix e enfardar essas séries todas de uma assentada? 

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