Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

30
Jan18

Arrumações

Fatia Mor

Este blog anda meio parado. E a culpa é minha. 

Bom, claro que é minha porque sou eu que o alimento. Mas é minha no sentido de que não consigo trabalhar em sítios desarrumado (bem, quem olhe para a minha secretária, neste momento, talvez duvide do que estou a afirmar).

 

Sinto que tenho perdido um pouco o norte no que vou por aqui publicando. Se, por um lado, este esforço tem sido um reflexo do que é a minha vida, por outro, isto tem-se tornado numa amálgama de ideias que estão, simplesmente, desorganizadas.

 

O problema é que tempo para pensar numa estratégia para isto está em falta. Escasseia abundantemente, passo a ideia paradoxal! 

Obviamente, que estas hesitações me levam logo a perguntar se vale a pena continuar. Eu adoro escrever para mim, tem uma função de catarse, mas a realidade é que ultimamente as ideias surgem-me sempre quando estou em ambientes que não permitem deitar a mão à obra e, quando chega o tempo de por tudo aqui nesta página branca, a inspiração deu à sola e colocou-se a milhas.

E sinto, francamente, que esse problema tem sido demasiado recorrente nos últimos tempos e tema de conversa aqui mais do que eu gostaria.

 

Por isso, está na hora de pensar no destino deste blog. Preciso de arrumar a casa, que é como quem diz, de arrumar as ideias.

Sugestões, ideias, aceitam-se tudo, desde que grátis!

 

A sempre vossa,

FatiaMor

24
Jan18

Enema para criança pequena

Fatia Mor

De facto, uma pessoa tende a complicar.

De há dias a esta parte, vira não vira, a Fatia#1 queixa-se de dores de barriga. Por vezes, tem vómitos. Sempre durante a noite, o que torna a coisa mais penosa, especialmente para quem tem que trabalhar no dia seguinte.

Há duas noites que o "forró" tem estado em alta. 

Esta noite, então, foi do demo. As primeiras horas foram com o Fatiasmen a levantar-se a cada 10 minutos, sensivelmente. E depois de ele sair para apanhar um avião de madrugada, fui eu a premiada com as chamadas constantes, as festas na barriga e os viagens entre a cama e a casa-de-banho.

Dói, dói, dói! Onde, onde, onde? Como? Mas dói muito? Será que tem febre? Será que é virose? Será que é apêndice?

Devido a tanta queixa e tanta interrogação da minha parte, às 09h da matina estávamos a entrar nas urgências privadas aqui do sítio.

Tem febre? Não. Recusa alimentar-se? Nem por isso. Vómitos? Nem sempre. Diarreia? Não. Tudo normal, aí. Tem animais? Não. Comeu algum alimento diferente? Não. 

Consulta, apalpação da barriga, nada de dores, nada de febre. Raio-x!

Já eu tremia por todo o lado. Mas vamos lá ver o que sai daqui...

E o que é que a menina tinha?

Cocó! 

Muuuuuuuuuiiiiiitoooooo cocó!

Depois dos filmes todos que fiz na cabeça, afinal a cachopa está obstipada. E como não demos por nada? Porque ela continua a ir à casa-de-banho e faz o número 2 normalmente. Mas, e nestas coisas há sempre um mas, não em quantidade certa e possivelmente menos dias do que devia. 

Ao que parece, os miúdos evitam fazer na escola - ou porque não gostam, ou porque não querem perder tempo de brincadeira - e a coisa começa a acumular-se, até que dá cólicas, vómitos, perda de apetite, etc.

 

E o tratamento? Ah pois é! Um enema, vulgo clister. Ora, se a coisa nem para mim me parece bem, tentem explicar a uma miúda de 5 anos que temos que enfiar um tubo no rabinho e empurrar água lá para dentro!

Foi um filme! 

Lá expliquei que a barriga estava a precisar de ser limpa e que era isso que a água ia fazer.

A sorte é que ela gosta de limpezas, caso contrário, acho que ainda agora estava a tentar convencê-la da utilidade do enema.

 

Agora é acompanhar os movimentos intestinais atentamente, dar-lhe um medicamento para a coisa mexer e esperar que as noites voltem a ser como antes: silenciosas. Excepto quando algum tosse, espirra, acorda, quer leite, quer luzes, quer colinho, quer ir ver televisão às três da matina, enfim, acho que vocês percebem. Silenciosas.

17
Jan18

Xô gripe!

Fatia Mor

Há uns bons anos que não tinha uma gripe.

Normalmente tenho sinusite, faringites, derivadas da minha rinite crónica. Mas gripe, assim à séria, não.

Pois, posso dizer-vos que este ano, foi o ano.

Foi o ano da dor de cabeça, da dores nas articulações, da febre, do ranho, da tosse, das tonturas, das náuseas, de tudo... De estar deitada, porque mal me conseguia levantar. De me sentir cansada por dar dois passos. De tratar sintomas, tomar mezinhas.

Uma maravilha!

 

E está a teimar em ir embora.

 

Creeeedoooo.

15
Jan18

Fatia, que achas desta coisa da SuperNanny - uma opinião delirante de quem está com gripe

Fatia Mor

Ontem, enquanto fazia zapping no auge de uma gripe que me atirou ao tapete (que é como quem diz, ao sofá!), encontrei a Nanny mais famosa de Portugal.

Ainda o programa não tinha começado e já eu lia ou via zunzuns de vozes mais activas nesta coisa dos direitos à protecção da privacidade e intimidade da criança.

Depois da estreia, as redes sociais ondularam mediante o tsunami que se abateu, disparando petições, queixas, comentários, contra, assim-assim, e a favor.

Cada um interpreta de acordo com aquilo que conhece, que acredita, com base na sua educação e nos seus sistemas de valores. Pouco é factual nas explicações encontradas, grande parte são suposições e tenho a certeza que só mesmo os envolvidos poderão descortinar melhor o propósito de se terem exposto desta forma.

 

Então vamos por partes.

 

Para mim, é expor desnecessariamente a criança?

É. Toda a exposição das crianças deve ser evitada, dado que são indivíduos de direito e como tal, não "pertencem" aos seus pais. No entanto, são eles que detêm o direito legal de gerir a sua vida. Portanto, é exposição quando os inscrevem para estes programas, como para outros quaisquer onde a imagem da criança seja utilizada para qualquer fim. Como por exemplo, concursos, passagens de modelos, trabalhos como actores e até blogs, instagrams e facebooks. Tudo é exposição sem o consentimento da criança. Até eu, quando retrato episódios, mesmo resguardados no anonimato, exerço um pouco essa exposição!

 

Pode esta exposição ter consequências negativas para a criança?

Possivelmente. Não podemos dar nada por garantido e, qualquer que seja a exposição, pode ter problemas para a criança. Vejamos o exemplo de muitas das crianças prodígio de Hollywood, por exemplo. No que poderia ser uma exposição que lhes era favorável, não faltaram os casos de sérios problemas de saúde mental, a longo prazo. Aqui, numa exposição que claramente mostra uma criança com comportamentos indesejáveis e que é assim retratada, poderá muito bem vir a ser ostracizada ou vitimizada na escola ou noutros meios.

 

A Nanny esteve bem ou mal?

A Nanny é chamada a intervir e tem um modelo muito específico de acção. A ideia dela é diminuir a frequência de comportamentos indesejáveis, em detrimento de outros desejáveis. Utiliza um sistema token para reforço positivo dos comportamentos que quer ver replicados, bem definidos através de um sistema de regras e horários definidos em conjunto com a família. Além do mais, utiliza o célebre time-out, para permitir à criança modificar o seu estado mental, enquanto espera sentada num banco, em número de minutos equivalente à sua idade.

O método é claramente de curto-prazo porque não se preocupa em compreender a origem dos sintomas do comportamento indesejável.

Vejamos os seguintes exemplos:

1. A criança faz birras mas os pais aceitam as birras por considerarem que fazem parte da sua (in)capacidade de expressão das suas emoções e estados mentais. Como tal, não consideram o comportamento desajustado, não sentindo necessidade de intervir.

2. A criança faz birras o que desespera os progenitores, por considerarem que é um comportamento indesejável e que expressa a vontade da criança contrariar os desejos dos adultos, apesar de estes serem para o seu bem-estar.

 

No primeiro caso, este tipo de sistema não faz sentido. A própria abordagem dos pais é que dita a indesejabilidade do comportamento. No segundo, talvez faça.

Em algum dos casos os pais estão errados? Não. Cada um gere a educação dos seus filhos da forma que acha mais adequada ao seu sistema de valores educativos e, desde que não prejudique os seus filhos, então ambas as visões são plausíveis. 

 

O método humilha a criança?

A criança está numa situação de fragilidade e de vulnerabilidade. Parece-me, na minha opinião que, o que poderá humilhar a criança é a exposição da situação por si, mais do que a utilização de um método de reforço positivo/negativo para a extinção de um comportamento que se considera um problema.

 

A mãe também tem problemas?

Certamente. Não temos todos? Há alguém que se possa considerar uma mãe ou um pai perfeito? Eu tenho dias em que me pergunto o que ando aqui a fazer, se estou a conseguir educar os meus filhos para serem boas pessoas, generosas, compreensivas. Mas nem sempre sei se estou a acertar. E vou tentando diversas estratégias, umas mais acertadas do que outras. A diferença? Ninguém vê. Com esta mãe, vimos tudo. E não tardamos a julgar.

 

Feitas as contas, este método vai resultar?

Como qualquer método destes, vai resultar sumariamente e a curto prazo. Com o crescimento da criança, encontraremos outros pontos de fricção e de testagem de limites, que irão necessitar de excelentes linhas de comunicação entre pais e filhos para poderem ser superados. 

O programa intervém a muitíssimo curto-prazo, num show off de uma acção que pode ter efeitos pelo mero efeito de exposição à observação, entre muitos outros enviesamentos que possam existir pelo formato em que é realizado. 

É um programa de televisão, um reality-show, com todos os predicados que podemos dedicar a este tipo de conteúdos.

Se a família continuar a encontrar problemas no comportamento da criança, entendendo-os como tal e sentindo-se incapaz para lidar com eles, terá então que procurar ajudar especilizada que passará por métodos diferentes destes, com efeitos a longo prazo mais do que instantâneos.

 

E a minha opinião pessoal sobre o caso?

A criança é perfeitamente normal, ajustada aos seus 7 anos, com comportamentos típicos de uma criança dessa idade que começa a querer demarcar o seu espaço. Não conheço muito mais e não me pronuncio muito mais.

 

E sobre os comentários?

Várias coisas.

1. Não é por "ter sido assim no meu tempo" que as coisas devem ficar como estavam. No tempo em que a minha avó era criança não havia televisão e olhem, agora toda a gente tem uma.

2. A psicologia não criou os traumas. Sempre houve e sempre haverá crianças e adultos traumatizados. A psicologia, tal como outras ciências só veio identificar o problema e encontrar-lhe uma solução. Vejam bem, antes morria-se e não se sabia do que era. Agora a medicina já consegue identificar os agentes patogénicos, procurar curas e evitar as mortes. Pois, mas estou-me a esquecer que quando se fala de saúde física a coisa tem outra figura. Quando é uma depressão, "é só uma depressão"... Bom, a psicologia não criou os traumas, não diz que as crianças não devam ser frustradas, contrariadas ou que se devam sobrepor aos seus pais.  

 

E pronto, acho que não tenho mais nada a acrescentar.

 

Espero que consigam destrinçar claramente o aspecto do reality-show (com o qual não concordo) com a utilização de métodos claramente comportamentalistas (a curto-prazo) para resolver um problema identificado pela família e que encontrou, nesta forma, uma maneira de pedir ajuda.

 

Não nos esqueçamos que no fundo, depois desta polémica toda, eles continuam a precisar da ajuda, de compreensão e de empatia. 

 

11
Jan18

First world problems de uma mãe com 3 filhos

Fatia Mor

Por acaso, até tenho um texto todo catita guardado nos rascunhos de hoje. Mas é sério e aborrecido, portanto, deixei-me disso e venho dar-vos conta de um flagelo maior que a vida.

Preparem-se...

 

Então não é que os emojis discriminam, claramente, famílias numerosas?

 

Ora bem, se forem um casal heteroparetal ou homoparental, com um filho, uma filha, dois filhos, duas filhas, um filho e uma filha, tudo bem! Têm lá um bonequito que vos representa. Se forem pais solteiros, também, desde que não tenham mais do que dois filhos...

 

Agora, se forem, como eu, uma fatia com 3 filhos... Esquece lá! Tivesses tido cuidado com os métodos contraceptivos, que ninguém te manda fazer muitos filhos. 

 

São só três. Não estou a pedir para fazerem um boneco para o gungunhana, mas vá lá! Gostava tanto de me poder representar por meio de emoji...  Vá... problemas de primeiro mundo que hoje me assolam. As coisas sérias ficam para outro dia.

Pág. 1/2

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre a FatiaMor

foto do autor

Fatias antigas

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Créditos

Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (https://www.flaticon.com/).