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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Sex | 29.12.17

2017

Fatia Mor

Apesar de não me considerar uma pessoa supersticiosa - ligo muito pouco a passar por baixo de escadas ou cruzar-me com gatos pretos - os números têm significados específicos para mim.

Por exemplo, o 2 por corresponder ao dia do meu nascimento tem sempre uma conotação especial. O 5 para mim é um número com brilho - sempre foi - e estranhamente (ou não) é o número de alminhas que habita lá por casa. O 7 sempre achei o número do equilíbrio, da vontade e da determinação. O 9 para mim é o número dos fins, dos términos e da morte. Estas associações criaram-se naturalmente na minha vida. 

2017 tinha tudo para ser um grande ano e foi. Mas foi também um ano de contrastes de alegria e de tristeza. Não sendo defensora dos balanços, esses para mim são diários, este ano foi um ano de mudanças estruturais na minha vida.

Foi o ano em que decidi que ia em busca de uma paixão na minha vida. Escrevi, na minha agenda, logo em Dezembro do ano passado que 2017 era o ano em que ia dedicar-me à fotografia e foi de facto! As formações, o curso em que me inscrevi, irão conduzir-me mais longe no que considero ser o outro lado de mim: um lado mais criativo, numa expressão diferente daquela a que estou habituada e que me tem feito tão bem.

Foi também o ano em que perdi a minha (última) avó. A matriarca da família, em toda a virtuosidade da palavra. A pessoa que me acompanhou ao longo de toda a minha vida. E isso também significa que a próxima linha é a dos meus pais - permita Deus que seja daqui a muitos anos. 

Foi igualmente o ano em que me apercebi claramente do meu crescimento. Em que senti que o tempo passa, na realidade, e que apesar de não existir, para nós que somos seres materiais finitos, ele não é uma ilusão. Os ciclos da vida tornaram-se mais prementes, quer seja pelos que nos abandonam, quer seja pelo crescimento acelerado dos que nos rodeiam.

Agora é tempo de pensar nos objectivos de 2018. Pensar no que poderá trazer, no quero realizar e alinhar a determinação nesse sentido. Acaba-se um dia e recomeça-se no outro... Que 2018 seja um ano de oportunidades para todos nós.

 

Feliz Ano Novo.

Qua | 20.12.17

Dúvidas fundamentais da existência humana

Fatia Mor

Há questões que aparecem na minha mente e que dificilmente as abandono.

 

Por que há vida na terra?

De onde vimos?

Para onde vamos?

Como foram construídas as pirâmides do Egipto?

É o universo infinito?

 

Não, não é nenhuma dessas...

A verdadeira questão que me assombra é...

 

Como é que raio sai tanto cocó de um ser tão pequeno?

 

Alguma alma caridosa me explica o milagre?

Seg | 18.12.17

O significado do Natal

Fatia Mor

na·tal 
(latim natalis, -e, do nascimento)

 
Sou, e espero ser sempre, uma apaixonada pelo Natal. 
Alegram-me os cânticos; encantam-me as luzes; sensibiliza-me a alegria dos pequenos em torno da magia do Natal, apesar de lhe reconhecer uma confusão de crenças e tradições, que vão do pagão ao cristão num piscar de uma gambiarra qualquer!
Seja como for, dentro das tradições comuns e das mais específicas de cada família, o Natal é uma época de consensos. Seja porque há quem o adore, seja porque há quem passasse bem por esta época sem colocar o nariz na rua. Ninguém lhe é indiferente.
 
Mas, com o tempo, o significado que o Natal assume na minha vida tem-se alterado consideravelmente.
 
Tempo houve em que o Natal era significado de espera
Espera que chegassem as férias escolares. O ficar em casa, acordar cedo à mesma, mas transitar directamente para o sofá, de pijama e comer uma tosta de queijo que o meu avô me preparava com todo o carinho possível.
Era também a espera interminável que o meu tio chegasse do Porto, cansado de exames, com músicas novas na tuna, como uma lufada de ar fresco que entrava pela casa e encantava toda a gente. 
Eram os doces, o cheiro das rabanadas acabadas de fritar, era o cheiro das couves na panela (blherc), era a mesa enfeitada. O pequeno pinheiro que parecia ter sofrido de um distúrbio qualquer de identidade, cheio de cores que não combinavam entre si e luzes que a dada altura deixavam de funcionar, porque havia uma que se fundia!
E claro, era espera pela véspera, pela meia-noite, pelo abrir das prendas, por ver todos alegres, esquecidos dos atritos do dia-a-dia.
 
Depois, passou o ser o tempo que antecedia a passagem de ano.
Já era mais crescida; as crianças já escasseavam; já não estávamos todos - por esta ou por aquela razão. 
O Natal passou a ser um momento importante para se viver em família, mas a passagem de ano era o Natal dos amigos.
Os dias eram passados a reconfigurar os planos entre o dia 24 e o dia 31. Quando podíamos reunir-nos, que roupa íamos vestir (certamente a que nos tinha saído nas prendas de natal, já escolhidas antecipadamente e sem qualquer surpresa), que comida íamos levar (e bebida, claro está), quem dormia onde e com quem. Preferências a namoros, depois a sectorização (cada um para seu lado) e depois, acabava tudo a dormir na sala, depois de noites intermináveis a conversar sobre tudo e sobre nada. 
Era tudo importante, ao ponto de nada o ser. Mas era o nosso Natal.
 
Com o crescimento, os amigos perderam campo e, as perdas fundamentais na família, levaram-me a valorizar novamente o tempo passado com todos os que cá estão.
O Natal passou a ser os dois dias em que nos dedicamos a estarmos juntos; a recontarmos as memórias que todos temos, dos tempos idos; a acrescentar-lhe novas histórias para recontar em anos futuros; a relembrar o gosto dos doces (que nunca são o que eram!) e a tentar reproduzir as receitas que já não podem ser reproduzidas (quem as fazia, já cá não está).
 
Agora, o Natal, é um momento que chega demasiado depressa. Olho hoje para o calendário e pergunto-me para onde voou o mês de dezembro que antes demorava, pelo menos, o tempo de dois meses de calendário a passar! O Natal é no próximo fim-de-semana e o meu tempo consome-se entre terminar o máximo de tarefas profissionais possíveis antes de chegar a época e organizar tudo para a consoada lá em casa. Parece que há uma urgência em poder usufruir o momento com calma e sinto que preciso de ordem à minha volta para o poder fazer!
Agora, o Natal são as compras para fazer a consoada, saber quantos sento à mesa, se a comida me chega (claro que chega, sobra sempre!). Se as compras estão todas compradas, se os presentes estão escondidos dos olhinhos expectantes que há lá por casa, se me sobra tempo para mim, nesta corrida desenfreada.
No meio disto tudo, tento mostrar aos meus filhos qual o verdadeiro significado do Natal.
Não quero que seja o natal da pressa, da comida, das prendas, nem sequer do pinheiro, das luzes, das bolas, dos enfeites. Não quero o natal da ilusão consumista lá em casa.
Quero o Natal da espera, da tosta de queijo que o meu avô me fazia. Das conversas longas à mesa. De contar e recontar histórias velhas e novas. Quero o Natal de nos apreciarmos, de dizermos a todos quanto gostamos uns dos outros, apesar dos atritos diários, quero o Natal que fique na memória para sempre, como o tempo em que celebramos a família, os valores e o amor.
 
Quero que o Natal chegue e fique. Que passe devagar. Que se prolongue pelo resto do tempo, dos meses do ano e que viva em nós.
Quero que seja Natal. 
 
Feliz Natal a todos!

 

Sex | 15.12.17

Follow Friday - Stone Art

Fatia Mor

Dúvido que haja alguém que ainda não conheça este blogue. Mas a verdade, é que perdido nesta blogoesfera pode haver alguém que ainda não se cruzou com a boa disposição da autora, nem com as suas palavras certeiras. 

Por via das dúvidas, e porque o follow friday é para isto mesmo, hoje a minha sugestão de leitura e seguimento (será que é assim que se diz?) vai mesmo para o Stone Art da nossa Magda.

Ainda para mais, está de cara renovada!!

 

Passem por lá. Tenho a certeza que não se vão arrepender!

 

 

Apresentação1.png

 

Qui | 14.12.17

Então Fatia, como é que vai esse Natal?

Fatia Mor

Obrigada por perguntarem.

Vai uma maravilha. 

Depois de, em anos transactos, as pequenas Fatias desfazerem a decoração da árvore de natal numa base diária; depois de partirem ou, se quisermos ver do prisma artístico, redesenharem - num pensamento out of the box - a forma das bolas da árvore de natal; depois de sorrateiramente comerem chocolates que lá estão pendurados e deixarem as pratas, num esforço em vão de ocultarem o crime; depois de isso tudo, tenho a dizer-vos que este natal está a ser uma desilusão.

Uma pessoinha aqui, na expectativa que Fatia#3 nos brindasse com mais umas peripécias loucas em torno do pinheirinho, de forma a alimentar a vertente humorístico-familiar deste blogue e nada! Nadinha de nada!

O puto olhou de soslaio para a árvore, encantou-se com as luzes a piscar e passou por ela como quem passa por uma parede branca. E olhem que essa, em dia de sol, encandeia. 

No outro dia, ainda o vi - com alguma esperança minha - a fazer balançar uma bola dos ramos inferiores. Rapidamente se fartou e foi embirrar com a mana do meio, só mesmo numa de a ver guinchar. Acho que ele tem mais gosto nisso do que em decorar a dita.

Pronto. É gajo. Deve ser disso. Não há cá bolas pelo chão, tiradas do sítio, guardadas no fim do mundo. O nosso pinus plastificado é-lhe totalmente indiferente. 

É uma afronta. Será que há algum sindicato onde eu me possa queixar?

Qua | 13.12.17

Azar!

Fatia Mor

Há uma luta matinal. Aliás, há várias, mas esta é a que me tem consumido interiormente e dado cabelos brancos (viva as tintas). 

 

Vestir. 


Imagino que seja um flagelo de casa-de-banho, passado por essas casas fora, nestas idades, e nós não somos excepção. Infelizmente.

 

Depois de alguma evangelização sobre quanto-frio-está e precisas-de-agasalho e esta-sweatshirt-foi-escolhida-pelo-agrupamento-da-tua-escola e mimimimi e mamama, finalmente consigo enfiar-lhe a sweat cardada corpo abaixo.

 

- Vá, vamos lá vestir as meias.

- Não quero!

- Oh Fatia#1 tem que ser. Querem ver que vou ter que me chatear a sério?

- Azar!

 

Como!? AZAR?!?! Mas a adolescência começou aos 5 anos e ninguém me avisou? Mas, mas, mas... Mas ela respondeu-me mesmo azar? 

(devo ter ficado vermelha)

 

- Oh mãe, não te irrites logo de manhã. Azar para mim, que fico com os pés frios.

 

 

Ter | 12.12.17

A ilusão do crescimento

Fatia Mor

Durante muitos anos da minha vida senti que crescer era uma ilusão. Apesar das dores de crescimento serem muito mais psicológicas do que físicas, o crescer era uma ilusão. 

A passagem pelo espelho da vida, que nos retorna uma imagem duradoura de quem somos, era para mim um vislumbre semelhante. Certamente, terei mudado entre as fases de criança, adolescente e adulta. Mas há uma mesclagem ilusória. A criança habitava na adolescente, que por sua vez se vestia de adulta. Ensaiei-me assim, numa ilusão. 

Mas sinto que nos últimos dois anos tudo mudou. Há algo em mim que mudou, que alterou a superfície do espelho e por mais que eu procure, só vejo a adulta. 

Sinto-a colada a mim, nas teias dos problemas que monto à noite, quando o sono teima em chegar. Nos receios pelos que amamos, apesar de me fazer de forte. Carrego em mim as dúvidas sobre o mundo, sobre a natureza do homem, sobre o seu destino. Coloco em causa os sistemas de valores, sem saber se da fissura que lhes encontro sairá um novo mundo. Talvez com a adulta que há em mim, tenha chegado uma crise de fé. 

Essa fé que sempre foi natural em mim, coloca-me agora desafios diferentes. É como sentir que deixei de acreditar no pai natal, não porque ele (não) exista, mas simplesmente porque eu deixei de ter fé na sua capacidade imensa de me deixar feliz. Procuro uma fé mais madura em mim, a cada passo, mas até essa dá mais trabalho, do que a fé natural que habita(va) em mim.

E hoje, enquanto pensava em tudo isto, tive uma epifania. Deixei de crescer. Estou a envelhecer. 

As dores nas costas, os dedos inchados por causa do frio, as digestões mais longas, tudo me lembra que um dia este corpo deixará de funcionar. A sensação (ilusória, lá está) de que o mundo jamais me vencerá, desapareceu. O medo alcançou-me e enfraqueceu-me. E mesmo que me queira esconder debaixo de uma manta, para ignorar o que me ameaça, não consigo fazê-lo. Acho que já não há mantas que tapem todos os receios.

Estou a envelhecer. Deixei de crescer. Acho que acabou a ilusão.

Seg | 11.12.17

Respostas prontas

Fatia Mor

Depois de um fim-de-semana em grande, com viagens pelo meio, relaxávamos ontem, na cozinha.

As Fatias comiam à mesa, enquanto o pai dava o jantar ao Fatia#3 e eu comia qualquer coisa, pelo entremeio da conversa.

Às páginas tantas, ouve-se um sonoro pum!

A Fatia#2 desata-se a rir, denunciando-se e eu ensaio uma conversa chocada!

 

- Puns à mesa? Quem foi?

Responde-me a Fatia#1 com a maior da desfaçatez:

- Oh mãe, claramente veio dos vizinhos!

 

 

Qui | 07.12.17

Dearly, Nenas (um follow friday à quinta, pode ser?)

Fatia Mor

Uma querida amiga minha deu-me a conhecer a história da Inês, ou Nenas, como a própria se intitula.

Numa enorme capacidade de resiliência para lidar com um problema que afecta muitos indivíduos, a Nenas assumiu o compromisso de falar sobre o seu próprio distúrbio e o percurso que fez (e faz) para lidar com ele.

É um projecto que merece ser acompanhado, ainda para mais vindo de uma mente tão jovem e tão promissora: Dearly, Nenas.

 

Fica a sugestão.

 

 

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