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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Ter | 31.10.17

Como é ter uma fobia

Fatia Mor

Tonturas. Tremores. Náuseas. Cólicas. Palpitações. Choro. Pensamentos intrusivos. Falta de apetite. Insónias. Dores de cabeça. Falta de ar. Visão em túnel. Frio. Calor. Dificuldade em engolir. Sede. Dores físicas aleatórias. Comichões no corpo. Dermatite seborreica. Falta de concentração. Ausência. Irritabilidade.

 

É tudo isto e mais um bocadinho, várias vezes ao dia, durante vários dias. É um desgaste físico semelhante a uma doença aguda; é um desgaste mental sem fim.

 

Quero muito acreditar que amanhã vou conseguir pisar o avião, entrar e voar até ao destino. Mais do que desiludir os outros, não me quero desiludir a mim.

 

Resta saber se vou conseguir.

Sex | 27.10.17

ME-DO!

Fatia Mor

O dia das fotografias na escola é ansiado por uns e temido por outros. Eu faço parte do grupo dos que temem a fotografia de escola, em parte por muitas fotos mal sucedidas ao longo do meu crescimento. 

Até agora, os fotógrafos que tenho encontrado com as Fatias são bons. E digo, até agora, porque este ano mudámos a Fatia#1 de agrupamento escolar e, como tal, o serviço é feito por outro fotógrafo. 

 

Ora bem, como é que posso descrever a coisa... Hummm... Não tenho bem palavras... Deixem cá ver... 

 

A fotografia individual ficou meio de lado, com uma parte do ombro da cachopa cortado, ela a morder o lábio inferior e um pouco suave na focagem.

Mas a pièce de résistance é mesmo a fotografia de grupo.

 

Para ser franca, nem eu consigo perceber o que aconteceu. Terá sido a luz? Terá sido algum tratamento que deu à fotografia? Não sei! Mas sei que os miúdos parecem tirados de um filme de terror, vindos dos confins dos infernos, com os olhos quase todos pretos. Sim, sim, disse bem, pretos. Para quem não sabe a que me refiro, deixo-vos aqui um exemplo:

 

 

Além disso, não tem gracinha nenhuma, com uns a fazer caretas, outros a fazer fretes, claramente.

Para o ano, seguramente, há mais. Espero que seja melhor. Ou pelo menos, menos temático. É que está perfeita para  Halloween!!!

Qua | 25.10.17

Fobia

Fatia Mor

Sei bem quando começou.

E há uns anos me mantém em terra firme. Já falei sobre isso aqui no blog, anteriormente.

 

Daqui a precisamente uma semana vou ganhar asas.

 

Estou a tentar manter-me calma, até porque associada a este passo, há um conjunto maior de ansiedades.

Mas este passo, que levará aos outros, está a deixar-me louca.

 

Para já, a seborreia voltou, na forma de pequenas feridas na orla do couro cabeludo.

O sistema digestivo está a acusar os problemas todos normais: dores de estômago, cólicas.

O pensamento que me alivia é, claramente, "não vou".

 

Mas tenho que ir. 

Primeiro, por mim. Porque preciso de ultrapassar este medo irracional que me congela. 
Depois, por eles.

Pelo meu marido que ainda não colocou de parte a ideia de viajarmos os dois, ou em família, para algum destino.

Para ensinar aos meus filhos que precisamos de sair da nossa zona de conforto para crescermos.

E, principalmente, para lhes mostrar que temos que enfrentar os nossos demónios pessoais, seja qual for a forma que eles tenham ou da maneira que se apresentem ao mundo.

 

Não quero desistir. E sei que ainda vou derramar muitas lágrimas nestes dias vindouros, por esta ou por aquela razão.

Mas queria poder adormecer em casa e acordar no destino, magicamente. 

 

Preciso de manter a fé em Deus, a fé na lata com asas, a fé no piloto e, finalmente, a fé em mim. E até tenho, muita fé em tudo. Só em mim... é que está difícil de encontrar!

Ter | 24.10.17

Fatia#1 e a sua natural aptidão para frases de partir o coco a rir...

Fatia Mor

Oh pai, tu sabias que nós temos um cu?

 

Vá lá que esta foi com o pai. Não posso ser eu a sofrer os embates todos e a não me poder rir feita perdida!

Acho que o homem se aguentou à bronca. 

E aparentemente cu é o que fica no meio do rabo, sabiam?

 

 

Seg | 23.10.17

Se não morremos do mal...

Fatia Mor

Andamos numa sucessão de viroses/infecções que parece não ter fim! 

Primeiro, foi uma tímida gastroenterite  da Fatia#1; depois ficou a tosse, a expectoração, que se estendeu também à Fatia#2. Pelo meio, o Fatia#3 fez três dias de febre sem motivo aparente, seguido de exantema. 

Depois, piorou ou voltou a gastroenterite da Fatia#1, a tosse retornou e apanhou-os a todos. E a mim também! 

Resultado? Fatia#3 com uma laringite. Eu com uma amigdalite e sinusite, sem contar com a que total afonia que tive desde sexta até ontem. Ventilan e celestone para um. Antibióticos para outro. 

Agora, por causa do antibiótico ando toda torcida do estômago. 

 

Realmente... Se não se morre do mal, morre-se da cura! 

Sex | 20.10.17

No que me fui meter!

Fatia Mor

Meti-me num curso de fotografia anual. Isso mesmo. Começou este mês e só vai acabar em julho de 2018. Com direito a aulas à noite, com trabalhos e apresentação final do portefólio que resultar dos trabalhos que formos realizando. Com tudo a que tenho direito...

 

E estou a adorar!

 

Confesso que ainda ponderei muito bem dar este passo. Além do investimento considerável que este tipo de cursos representam, não se trata propriamente de uma mudança de carreira. É, no fundo, a vontade de satisfazer uma paixão, um impulso motivacional que não quero travar!

Pode ser por mim, pela minha realização, pela minha paz de espírito! E, mesmo que ainda pense que me custa deixar os meus filhos duas noites por semana para as aulas presenciais, também vejo que é uma excelente oportunidade de lhes mostrar que devemos sempre fazer algo por nós, fazer o que nos apaixona e manter a nossa vida em perspectiva. 

 

Não quero tudo por garantido. Não me posso dar a esse luxo. A vida ensina-nos, variadas vezes na nossa figura ou na dos outros, que nada do que temos é perene e estável como achávamos. Quero sentir que tenho mais valências. Que posso dar outros passos. Nem que seja o sonho - e mesmo que só assim permaneça - de um dia ter um estúdio meu, expor as minhas fotografias, ser capaz de criar algo novo, fora dos meus limites, da minha zona de conforto.

 

No fundo é isso! É sair da minha zona de conforto, é encontrar novas partes de mim, é redefinir o meu presente e ansiar pelo futuro.

 

E estou a adorar. Já vos tinha dito?

Seg | 16.10.17

Dor na alma

Fatia Mor

Somos um país vestido de negro. De cinza. De vermelho.

Por todo o lado, as notícias sucedem-se e retratam de forma violenta o que será ulteriormente mais violento, mais desesperante. E mais exasperante, ainda, são as posturas pouco pensadas, pouco analisadas de quem fala sobre os fogos. 

Há, claramente, um défice de capacidade para lidar com situações de emergência destas! Não é apenas a emergência social, é também a emergência pessoal. De sermos capazes de nos dirigir de forma condigna e respeitadora a todos aqueles que sofrem directamente com este horror. 

É assustador pensar que estamos a assistir ao mesmo "filme" pela segunda vez num ano. Faz-nos questionar se é fruto do acaso, do infortúnio, ou se de facto, o poder político foi incapaz de agir. As perdas humanas e materiais, as lágrimas, os gritos, a incredulidade, o desespero, a sobrevivência. Os heróis anónimos que continuam a surgir em notícias que nos fazem ter esperança na humanidade a contrastar com a falta de fé nas políticas, nos governantes...

Apetece-me beijar os meus, agradecer por estarem em segurança, mas fica-me no pensamento todos aqueles que não poderão voltar a fazê-lo. As feridas que ficarão para sempre marcadas na pele e na mente. Os desafios da reconstrução de vidas... Poderia até trazer aqui a alegoria da fénix que renasce das cinzas. Mas infelizmente, parece-me que destas cinzas nada poderá renascer. 

 

É preciso começar de novo. 

 

Um abraço bem forte a todos aqueles que terão de recomeçar a sua vida.

Qui | 12.10.17

Vontade, onde andas?

Fatia Mor

Tenho, cada vez mais, dificuldades em vir aqui. Não sei se sou eu que me estou a dirigir para outros interesses, se é uma fase normal na vida de qualquer blog.

Preciso encontrar ânimo para pôr isto a mexer e a verdade é que este tem andando meio desaparecido.

Não é que não tenha temas para falar, que a vida não me traga situações caricatas o suficiente para vos pôr a rir com elas, ou até que as minhas reflexões mentais não queiram sair cá para fora. Mas, e nestas coisas há sempre um mas, desapareceu o ímpeto. A vontade. E sem vontade, não se faz nada. 

Acho que vou deixar marinar um pouco mais estes sentimentos contraditórios e tentar encontrar novamente o fôlego. Pode ser que chegue, por entre as gotas da chuva que tanta falta nos faz. Preciso do meu outono que teima em não chegar. Este verão molenga, colado à pele, que não é carne nem peixe, deixa-me meio banzada.

 

Veremos o que o futuro nos traz.

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