Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Sex | 29.09.17

Memórias

Fatia Mor

Dou por mim, inúmeras vezes, a olhar para os lugares que fizeram parte da minha infância e adolescência com a sensação de que nunca pertenci ali.

Olho e vejo, quase em dupla visão, o que era e o que sou, assistindo a uma discrepância absurda que me faz questionar como cheguei aqui!

Mas vezes há em que sou confrontada com o passado na forma de pessoas e não de lugares.

O estranho diferencial apaga-se e dou por mim a corresponder à memória que ambos temos. Momentaneamente, parece que perco todas as conquistas e a insegurança de outros tempos chega-me, castigando a minha segurança e o meu valor conquistado.

Não sei se é algo visível ou se apenas é uma percepção minha.

Gosto de quem fui, mas gosto mais de quem me tornei e arrelia-me que a sombra do passado volte e, principalmente, que me incomode.

Logo a seguir, volto a ser quem sou. Volto a ser quem conquistei e que me é natural. Imagino que quem parte pense "está miúda não mudou nada". Mas a verdade é que mudei e só a visão do passado é que não permite que todos vejam em quem me tornei. 

Ter | 26.09.17

E lá vamos nós outra vez

Fatia Mor

A vicissitude de ter três filhos que comemoram o seu aniversário em meses consecutivos é levar o tempo a fazer doces e a comê-los!

Falta-nos a última festa de aniversário do ano. A da Fatia#2, que quer uma festa de temática do Mickey.

Preparem-se para orelhas pretas, toalhas vermelhas às bolinhas brancas e cakepops em forma de Mickey.

 

Ora atentem aqui:

 

 

A vossa amiga vai fazer isto! 

O que é que uma mãe não faz por amor... 

Por isso, comecem a rezar, façam novenas e peçam por mim... que isto não vai ser fácil!

Sex | 22.09.17

Vamos lá falar de problemas do primeiro mundo...

Fatia Mor

Onde? Onde é que eu arranjo t-shirts de cor sólida (branco, azul, preto), de um bom algodão, que não sejam transparentes, que não se rompam em duas lavagens, que não sejam elásticas (e por conseguinte fiquem coladas ao corpo), e que não me custem os olhos da cara?

Onde?

É que me faziam tanta falta!!!

Seg | 18.09.17

Um ano

Fatia Mor

Fizeste ontem um ano, meu filho!

Fez ontem um ano que me redefini, pela terceira vez, enquanto mãe e enquanto ser humano.

Dizer que este revolução da terra em torno do sol passou num ápice é um cliché e, simultaneamente, um eufemismo.

Guardo com alguma emoção o dia em que vieste ao mundo, de forma atribulada. Guardo a angústia de não teres ficado comigo, de não ter sido meu o primeiro abraço, o primeiro beijo ou até a primeira fralda trocada. Mas retenho, com força e ainda mais alegria, todos os momentos que passámos juntos ao longo deste ano.

Foste o nosso terceiro filho, surgido do nada e que vieste para nos mostrar como o mundo é bonito em tons de azul, de verde, amarelo e também de rosa! Herdaste tanta coisa das tuas irmãs, que dificilmente compreenderás porque há tanta coisa em azul para menino! Fizeste da Fatia#1 uma irmã mais velha cheia de predicados e da Fatia#2 uma irmã do meio, cheia de ciúmes (pela frente) e cheia de preocupações (por trás, para ninguém ver o quanto ela também gosta de ti!).

Adoramos o jeitinho manso de te encostares no nosso ombro, da forma babada com chuchas no dedo (e que complicação que vai ser para deixar), os sorrisos que abres para toda a gente que te elogie! 

Elas ainda fazem gato-sapato de ti, meu filho, mas já começas a mostrar a tua energia. E a manter-se, vais-nos fazer velhos num instante!

Um ano, meu filho, um ano! 

Venham mais. Muitos e muitos mais!

 

 

 

Qui | 14.09.17

Contar cabelos brancos

Fatia Mor

Depois de muitas asneiras, decidi que as minhas fatias deviam reflectir e decidir quais são as regras que devemos seguir lá em casa.

Sentamo-nos na cozinha, saquei de umas folhas brancas, um marcador preto e toca a escrever.

Apesar de elas não saberem ler, fomos falando e foram dizendo, cada uma seu jeito e entendimento, o que achávamos que deveria ser cumprido para uma convivência harmoniosa em casa (e não só)!

 

Ora bem, o resultado foi parar ao instragram:

 

 

Escusado será dizer que de boas intenções está o inferno cheio!

Duvidam? Ora vejam lá!

 

 

Acho que vou ficar cheia de cabelos brancos, em menos nada...

Qua | 13.09.17

Clube das mães

Fatia Mor

Não sei lá muito bem quando é que me juntei a este exclusivo clube que divide o mundo em duas partes: de um lado as mulheres-mães e do outro aqueles seres que ainda não o são. 

 

Quando estava do outro lado da barricada, confesso que este clube sempre me tirou do sério.

 

"Quando fores mãe é que vais perceber!" ou "Só quem tem filhos é que sabe!"  pareciam ser santo-e-senha destas destemidas guerreiras que teriam encontrado o belvedere do mundo e só partilhavam a sua localização com aquelas que tinham padecido com as dores de parto (fossem elas quais fossem).

A falta de empatia demonstrada pela minha suposta falta de capacidade de sentir algo sem nunca o ter experimentado, banzava-me. Seria o mesmo que considerar que os médicos só poderiam tratar as doenças de que já padeceram ou que os padres não poderiam fazer aconselhamento conjugal porque nunca teriam provado os amargos do matrimónio!

Claro que era capaz de entender o padecer das noites em branco e juro que compreendia os desafios educativos de uma criança. Aliás, tinha euzinha concepções muito bem fundamentadas de como corrigir um comportamento indesejado ou de como construir uma personalidade segura! 

 

E depois fui mãe.

 

Acho que não me juntei logo ao clube assim que concebi por uma questão de sorte e por querer acreditar que teria um filho perfeitinho, tal e qual como os livros descreviam. Mas devo-me ter juntado assim que a Fatia#1 abriu as goelas a chorar e só as fechou quatro horas depois, em exaustão! Minha e dela.

As lágrimas caíam-me copiosamente no colo, molhavam-me a roupa e a manta dela, enquanto eu a embalava suavemente em desespero por sentir que estava, logo ali a falhar redondamente como mãe.

Talvez tenha sido nesse dia, ou nos seguintes, que aquilo que estas mães me queriam dizer era que na verdade nunca sabemos bem ao que vamos até irmos. Não é que as outras pessoas não percebam o sentimento, mas temos que esconder o desespero, o medo irracional de algo acontecer, o sentimento de solidão quando estamos rodeados de todos os carinhos e conselhos (tantas vezes descabidos e absurdos), com o respectivo ruído de fundo que causam, enquanto tentamos criar um vínculo com alguém que é suposto amarmos com todas as nossas forças.

Isso, infelizmente, podemos empatizar, mas sentir, só mesmo depois de sermos mães. 

 

Por isso, perdoem-me se alguma vez disser algo como "depois logo entendes", parecendo que estou a diminuir a vossa capacidade de empatizar. Pelo contrário, estou apenas a dizer o indizível, o que é incapaz de se transpôr em palavras. 

É que apesar de não ter feito a inscrição, nem pago a jóia ou o seguro, infelizmente, às vezes faço parte do Clube das Mães e parece que depois de lá estarmos, o número de sócio é para a vida!

 

Nota confessional: É que acabei de dizer uma coisa destas e até se m'arrepiou a espinha quando ouvi!

 

Ter | 12.09.17

Onde anda o romantismo?

Fatia Mor

Apesar de, assumidamente, não ser uma velada romântica, sempre à procura do gesto que nos faz tremer nos tornozelos, ainda sou capaz de apreciar pequenos-grandes gestos de amor.

 

Ora bem! Obrigada a parar numa pequena rotunda que dá acesso ao centro comercial aqui da "vila", observo um casal de adolescentes no passeio.

Ele, com uma rosa vermelha, bem volumosa, estendida na direção dela. 

Ela, ao telemóvel, a olhar para a situação com desdém. 

Enquanto estive parada, e ainda foram alguns minutos por circunstâncias do trânsito que empancou devido à perícia (#not) de alguns condutores,  a situação manteve-se assim. Parecia congelada no tempo, com a excepção da expressão do miúdo que parecia assumir contornos dolorosos.

A criatura não foi capaz de esboçar um sorriso, de se retirar da chamada que decorria, nem tão-pouco de aceitar a rosa, pelo menos enquanto pude ver a telenovela que ali se desenrolava.

 

Fiquei a pensar... Será que o romantismo está assim tão mal visto nos dias de hoje? Estaremos assim tão insensíveis aos gestos "sensívóhumilhantes" que os outros fazem para nos mostrar o quanto gostam de nós? Ou será que já, tão jovem, conseguiu errar tanto ao ponto de ela não se coibiu de o desprezar à força toda?

 

Apostas, aceitam-se!

Seg | 11.09.17

Respostas na ponta da língua

Fatia Mor

[após a Fatia#1 ter despejado "acidentalmente" metade do gel de duche da Uriage no banho]

 

FatiaMor: Minha filha, deves achar que o dinheiro nasce nas árvores!!

Fatia#1: Oh mãe. Eu já fui com a avó ao monte, apanhar maçãs, e não havia dinheiro nenhum nas árvores. Óóóóbvio que EU sei que o dinheiro não nasce nas árvores.

----

Vou ficar com cabelos brancos num instante, é o que vos digo.

Seg | 11.09.17

Trocadinha da Silva

Fatia Mor

Todos os anos, após as férias, é a mesma coisa.

Troco-me toda nos horários.

Possivelmente, fruto da inconstância de horários do mês de Agosto, chego à cama e nada de sono.

Dou voltas até às duas e meia da manhã, altura em que o meu corpo me dá tréguas e a minha mente finalmente desliga.

O problema? Acordar! Qual bela adormecida, sem as minhas oito horas de sono não funciono e fico mais para lá do que para cá.

O curioso é que não me acontece isto durante as férias nem passo tempos a deitar-me a esta hora. E acordar tarde, então, nem pensar!

Parece apenas ser uma reacção à entrada na rotina. Talvez até uma repulsão aos horários e à necessidade de dormir para funcionar.

Se calhar, é isso! Um boicote geral do meu corpo para que eu não me sinta em condições e tente prolongar as férias.

Ou cansaço.

 

É que férias, assim a sério, foram há 6 anos...

 

Resta saber se sou a única vítima deste efeito. Há mais alguém por aí? 

Sab | 09.09.17

Um cheirinho das nossas férias

Fatia Mor

As férias foram uma aventura. 

Se sair de casa com três crianças pequenas pode parecer um desafio dos Jogos Sem Fronteiras (quem se lembra?), por outro lado, não queremos deixar de diversificar as experiências deles e fazemos um esforço por isso (mesmo que seja por pouco tempo).

 

Este ano optámos por um agroturismo.

Bem, optámos talvez seja dourar a pílula. Basicamente, foi onde conseguimos vaga para esta família numerosa, de maneira a acomodar-nos em dois quartos, com ligação entre eles, o que tornou a nossa estadia muito mais confortável! Ainda assim, a ideia era passar uns dias fora, com a família, passear por locais desconhecidos e num local que fosse calmo e rural. Pois bem, a Herdade da Serrinha foi tudo isso!

 

Situada em Santiago do Escoural, relativamente perto de Montemor-o-Novo, a Herdade da Serrinha é um monte alentejano, recuperado para agroturismo há uns anos, mas que só agora está a ganhar algum fôlego. 

IMG_5944.jpg

A traça é tradicional, a decoração é típica e se estamos à procura de algo inovador, só vamos encontrar o calor de uma casa familiar.

Aliás, a piscina - magnífica - contrasta com todo o trabalho agrícola que rodeia a casa principal. 

IMG_6021.jpg

 

IMG_5996.jpg

 E enquanto estamos na piscina podemos encontrar umas companhias diferentes!

IMG_5941.jpg

O Fatia#3 não deu por nada, nem achou grande piada à piscina. Mas as fatias meninas ADORARAM! 
Ainda hoje falam do "natel" (como diria a Fatia#2) como sendo a melhor coisa das férias. 

Esperamos, para o ano, poder fazer algo semelhante. Veremos onde nos leva o próximo verão.

 

Nota: Infelizmente, não me pagaram as férias. Pelo contrário, fui eu que paguei tudo... 

 

Pág. 1/2