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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qua | 31.05.17

Descomplicar...

Fatia Mor

Os fins de tarde são caóticos. Muitas vezes, antes de entrar em casa, onde sei que já estão os três à minha espera, fico no carro dois minutos, de portas fechadas e em silêncio. É preciso retemperar as forças para enfrentar aqueles fenómenos da natureza, com os melhores pulmões que eu já vi e com uma colocação de voz impressionante!

Basta ligarem-me ali pelas 18h para perceberem o que estou a dizer! 

Para conseguir operacionalizar os banhos, os jantares e as dormidas é preciso entretê-los. Neste campo, a televisão é a minha grande aliada. Mas não deixo de sentir alguma culpa sempre que os coloco a ver o panda, com a excepção do Fatia#3 que ainda prefere os bonecos bamboleantes que pendem da sua espreguiçadeira. Por menos que queira, a televisão faz parte da nossa rotina e é essencial para prevenir que tomem um segundo (ou terceiro) banho, enquanto trato dos restantes (ou coisas piores)!

Vivo nessa dúvida. O que fazer com eles para se entreterem? Então, há uns dias, descompliquei! Peguei numa fita cola de papel (não sei se é esse o nome) e pus-me a "desenhar" o jogo da macaca no chão! 

Expliquei-lhes que no meu tempo (creeeeedooooo) não havia canais de televisão que passassem desenhos animados a toda a hora, nem tão pouco tinha direito a ver o que queria. Isso eram os mais velhos que decidiam. E que muitas vezes tinha que puxar pela imaginação para brincar, com a desvantagem de que não tinha irmãos para o fazer. Na verdade, passava muito tempo aborrecida, sempre que penso nesses tempos, sem nada para fazer e talvez tenha sido isso a desenvolver o meu gosto pelos livros.

Digo-vos... foi um sucesso. Levaram o tempo a tentar saltar, a percorrer os caminhos da macaca com uma bolinha (já que não há pedrinhas lá por casa) e tudo animado! Até eu e o pai brincámos à macaca e descobrimos que era bem mais fácil quando éramos pequeninos!

Por vezes é preciso descomplicar, mas a imaginação nem sempre me assiste... Alguém tem mais ideias de como conter crianças entre os 2 e os 4 anos, sem envolver pintar paredes, sofás ou móveis?

 

Ter | 30.05.17

Dias em família

Fatia Mor

Posto o título desta forma e mais parece que nunca estamos juntos. 

Apesar de dormirmos todos sob o mesmo tecto, a verdade é que nem sempre passamos dias de qualidade em família. 

E agora, perguntam vocês, em coro e afinadinhos...

 

Oh Fatia, mas o que entendes tu por dias de qualidade?

 

Dias de qualidade em família é quando rompemos barreiras e rotinas. Se pensarmos no enfiamento dos dias, raramente temos capacidade para desfrutarmos da presença uns dos outros sem estar a correr para algum lado. As manhãs são a correr para a escola e para o trabalho. O dia é passado a correr atrás de prazos e objectivos a serem cumpridos. Os fins de tarde são os banhos, os jantares, organizar o dia seguinte... Corremos sempre atrás de alguma coisa de forma incessante... Dias de qualidade são aqueles em que não atendemos a nada, a não ser a nossa satisfação.

 

E assim foi! Aproveitamos três dias de férias perdidos no meio do calendário e fomos visitar a família ao norte. 

Pelo meio, conhecemos o Monverde Hotel e a Quinta da Dinha

Qualquer um dos locais é recomendável, no caso de querermos ficar a dormir na zona. E garanto-vos que estou a fazer publicidade à borla! 

 

Aproveitamos para dormir o possível, passear pelas vinhas do Monverde, brincar muito no jardim da Quinta da Dinha, e tudo sem horários. Almoçamos às três da tarde, jantámos quando nos apeteceu, passeamos quando nos apeteceu. Foi uma maravilha e retemperamos forças. Voltamos antes do fim-de-semana para podermos recuperar as rotinas antes do início da semana e hoje voltámos ao batente com a sensação de que fizemos boas memórias.

 

Agora... viajar com três crianças... conto-vos tudo na próxima entrada, pode ser?

 

Seg | 29.05.17

Sem tempo...

Fatia Mor

Os dedos atropelam-se mais do que o habitual sobre este teclado. Tenho tanto para contar e tão pouco tempo para o fazer. 
Podia falar-vos dos dias em família, de como as famílias nos definem, ou de como podemos pertencer a uma família sem nos sentirmos parte dela.

Podia falar-vos da fotografia, de como está a evoluir, do que estou a aprender. De como é bom descobrir em nós novas paixões, de como é voltar a ter vontade de aprender.

Ou falar-vos de como é bom sentirmo-nos menos bem na nossa pele, nas resoluções que fazemos diaramente e na forma como lhes falhamos redondamente.

Mas não tenho tempo.

Peço desculpa aos que continuam a passar por aqui, em busca de novidades. Prometo que assim que consiga reequilibrar-me na quantidade de trabalho que tenho em atraso, venho até vós, falar-vos disto tudo! Até lá, não estranhem o silêncio...

Passem pelo facebook ou pelo instragam onde é mais fácil colocar novidades!

Qui | 18.05.17

Há coisas que eu não entendo...

Fatia Mor

Eu tento, mas não entendo.

 

Na zona onde eu vivo, há um cruzamento, onde os carros que se apresentam pela direita têm um stop, para deixar passar os que vêm da esquerda e que se apresentam numa subida. 

Quem passa por ali, com desconhecimento de causa e porque normalmente conduz sem olhar para a sinalética - neste caso bem visível - não pára no stop. Por norma, quando se apercebem do erro - depois daquele momento de elevada adrenalina em que metemos travões a fundo porque nos apercebemos que afinal o carro oposto não vai parar como lhe compete - pedem desculpa pelo equívoco e seguem caminho. Tudo isto, claro, de vidros fechados e recorrendo à linguagem universal: gestos.

 

Ora, hoje no caminho para o trabalho, quando vou a fazer a curva à esquerda apercebo-me que uma carrinha preta decidiu não parar no stop. Travamos os dois, com as frentes do carro na iminência de bater... O senhor que conduzia a carrinha achou que eu vinha da esquerda e portanto tinha que travar. Sem recorrer a gestos, mas antes a uma linguagem digna de levar uma bolinha vermelha no canto superior direito, terá vociferado dentro do veículo que tinha prioridade, introduzindo um sem número de vernáculo pelos entre-meios das sílabas das palavras. 

Com redobrada paciência indico-lhe para olhar para o canto superior direito onde poderia deparar-se com o bendito stop. Vejo-o olhar pelo canto do olho e quando se apercebe que eu tinha razão, cospe mais uma frase épica que não me requereu muito de capacidade de leitura dos lábios, nem me deixou muito para a imaginação trabalhar...

Acelerou furiosamente e passou-me à frente, mesmo depois de perceber que era ele quem tinha que ceder a passagem... E isto tudo, para estacionar o carro uns 100 metros à frente.

 

Ora bem, não entendo. Não consigo compreender a necessidade de ter razão, mesmo depois do racional ser o seu pior inimigo. Se o primeiro argumento era que teria prioridade por via das regras de trânsito, tendo ele conhecimento de que estava o próprio a incorrer em erro, não seria mais proveitoso assumir que não tinha visto o stop? Ou trata-se de chegar sempre em primeiro? Mesmo quando estava a 100 metros do local onde deveria estar?

 

Não entendo, juro que não entendo...

 

Ah, esperem, lembrei-me agora... É só falta de civismo.

Seg | 15.05.17

Aaaaiii o deeeeesfraaaaaldeeeeee! #3

Fatia Mor

Não sei se se recordam do Euro 2000. De um jogo espectacular, Inglaterra-Portugal, em que estivemos a perder 2-0, e no fim fomos ganhar 3-2, numa espectacular reviravolta? Pois bem, assim foi o desfralde da Fatia#2.

Depois de um começo atribulado, que eu não vi nada como auspicioso a um rápido desfralde diurno, no fim da semana passada começou a pedir para ir fazer cocó ao bacio. 

 

E desde então...

 

Nunca mais teve nenhum deslize e parece ter entendido como funciona esta coisa de andar sem fralda!

 

Estou num orgulho só visto! Acho que valeu a pena esperar que tivesse um pouco mais de maturidade em vez de ter insistido da primeira vez. E agora está pronta para outros voos, que é como quem diz, tirar a fralda à noite. Mas antes disso temos que acabar com o leitinho antes de ir dormir... Vamos ver se nos safamos!

 

 

 

 

Qua | 10.05.17

As iniquidades do dia da mãe

Fatia Mor

Eu sei que foi domingo. Mas por um conjunto de circunstâncias, no Jardim de Infância da Fatia#1 celebrou-se hoje com a presença de todas as mães durante a manhã, para realizarmos algumas actividades com os nossos filhos.

Não sou a pessoa mais emotiva do mundo, mas fico de coração cheio e lágrimas a rasantes quando vejo aqueles pequenos seres, crescerem em orgulho e felicidade por terem, naquele espaço que é deles, as suas mamãs.

Olhei à volta e vi que a vida não permitiu que todas as mães estivessem. Os "patrões" às vezes não podem deixar as mamãs saírem do trabalho que é muito importante, como disse (e muito bem), a educadora. No entretanto, apercebi-me que há um menino cuja mãe já morreu. 

 

Custou-me horrores.

 

Nunca tinha sido confrontada com essa realidade de haver filhos sem mães. E mesmo sabendo que há uma avó, uma figura materna, naquele momento, fui incapaz de não me sentir do tamanho de uma formiga.

O menino estava calmo, impávido perante a alegria dos colegas, mas notava-se uma tristeza fundeada no seu rosto, como se morasse ali há muito tempo. Não era, certamente, aquele o momento que mais o fazia sofrer - via-se que estava preparado para essa realidade - mas havia uma desconectação de toda a situação que era arrepiante. 

Não fui capaz de me concentrar muito durante o resto do tempo que lá estive. Pelo canto do olho, via-o a brincar, normalmente, como se não estivéssemos ali. Apeteceu-me abraçá-lo e levá-lo para casa, apesar de saber que nunca compensaria o que quer que fosse. E tem a sua família, portanto, não lhe faço falta nenhuma. Mas inevitavelmente pensamos em como seria se fosse connosco, ou pior ainda, com os nossos filhos.

No momento de sair, a Fatia#1 tentava conter as lágrimas. Tive vontade de lhe explicar que não valia a pena chorar porque me tinha aqui, ao contrário de quem já não tem um abraço de mãe para nos confortar. Desisti. A verdade é que não consigo explicar-lhe o sofrimento do colega dela. Nem quis. Abracei-a, confortei-a e dei graças por poder fazê-lo. 

 

Deixei-a a ajudar a educadora a arrumar tudo e sei que ficou bem. 

 

Seg | 08.05.17

Aaaaiii o deeeeesfraaaaaldeeeeee! #2

Fatia Mor

Meus amados leitores, fatias fofas da minha vida, acho que merecem um update sobre isto!

 

Depois de um primeiro dia que ditou o destino de 12 cuecas para o estendal, o segundo dia já foi um pouco melhor. 

Foram só meia dúzia!

 

A Fatia#2 ainda estava habituada a fazer o xixi aos bochechos, em vez de reter e fazer tudo de uma vez. Mas, fazendo jus a ser uma rapariga inteligente e desenrascada, rapidamente percebeu como ir ao bacio ou ao redutor fazer os seus xixis.

 

A única coisa que está a demorar mais a compreender o mecanismo é mesmo o dito #2, que é como quem diz, o cocó. Há uma certa relutância em fazê-lo no sítio certo e ainda se esconde, atrás dos móveis, debaixo da mesa da cozinha ou nas cortinas da sala para dar azo ao seu pecado: fazer cocó nas cuecas!

 

Esperemos que a sua agilidade mental se apiede destes pais e nos tire a camada de nervos que é sair de casa com eles, neste momento em que nuca sabemos o que vai sair por ali.

 

 

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