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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Qui | 28.07.16

Coisas que eu não gosto na gravidez

Fatia Mor

Já sei que pareço um disco riscado. Profundamente!! Mas eu divirto-me a ver o lado menos bonito de um estado considerado pela generalidade das pessoas como sendo algo lindo, maravilhoso, um chão de bençãos e já agora um céu estrelado de alegrias.

Balelas... Ora bem... Vamos lá destilar algum do ódio...

 

Coisas que eu não gosto na gravidez!

 

1. Que constatem o óbvio e o menos óbvio. 

"Estás barriguda!". "Estás mais gordinha!". 

A sério? O pessoal que diz coisas destas devia ganhar o prémio Nobel do evidente e do óbvio. Não há mais nada para dizer a uma grávida?

 

2. Não verem a grávida.

Isto parece um contra-senso até porque, ao avaliar pelo ponto 1, diríamos que as pessoas reparam em nós. Excepto nas filas do supermercado, especificamente nas caixas prioritárias. Ou nos serviços públicos. Ou noutros quaisquer sítios onde possamos ter algum tipo de prioridade para não secarmos horas a fio em pé!

 

3. O relaxamento dos músculos.

Minhas amigas e meus amigos: ninguém vos fala disto... Mas durante a gravidez há um relaxamento muscular que torna complicado, por vezes, segurar coisas que antes ficavam presas sem dificuldade. Por isso digo-vos, preparem-se para passar algumas vergonhas, especialmente quando após comer algumas coisas que fermentam, nos baixamos, dobramos ou ficamos em posições pouco confortáveis. Eles escapam-se... Sozinhos!!! À rebeldia!!! 

 

4. Não ver a agilidade.

Conhecem aquela piada da senhora que vai na carroça, cai de pernas escancaradas, se põe em pé num ápice e diz para o condutor da dita "Viste a minha agilidade Manuel?"... Ao que ouve de resposta "Já lhe ouvi chamarem muitas coisas, mas agilidade é a primeira vez!". 

Pronto, é a essa agilidade a que me refiro. 

Não a vejo há uns tempos. Sei que anda por lá. Sei que deve estar diferente. Sei isso tudo, mas não a vejo. E eu gosto de saber de todas as partes do meu corpo... Desculpem lá, mas eu sou assim!

 

5. Calçar sapatos com atacadores.

Ou seja, dobrar-me. Esqueçam lá isso. Leiam o ponto 3 novamente.

E agora imaginem isso, convosco em cima de uma bola de pilates, a tentarem chegar aos pés... É mais ou menos essa a sensação.

 

6. Histórias de partos pavorosas.

E quem diz histórias de parto pavorosas, diz também histórias sobre o problema que é ter outro bebé em casa, as coisas horríveis que o filho do meio fez, ou o feitio terrível do terceiro... Poupem-me!!!

Partos já passei por dois, não preciso de saber mais nada. E se quiser saber, eu pergunto. Se foi mau, não contem. Para aqui, só histórias que levantem a moral ou que mantenham a ilusão nos píncaros, ok? É que para lidar com a realidade, quando ela chegar, já cá estamos nós... Não precisamos das minhoquices todas da malta, pode ser?

 

7. Estimações sobre o tamanho da barriga.

"Está muito para cima". "Está muito grande". "Só está assim? Estás de quanto tempo?" "As outras eram maiores, não eram?"

Malta... As barrigas são como as opiniões, cada um tem a sua... Não precisa de opinar sobre as dos outros, pode ser? 

E aviso já... As minhas barrigas anteriores foram normais, nunca descaíram e eu pari as miúdas na mesma, ok? E uma até teve pressa, portanto, não vale a pena tentar adivinhar.

 

8. Fotografias de grávidas.

Minhas ou das outras. Desculpem-me os adeptos fervorosos de registar uma foto por mês. E de sessões maravilhosas em torno de um umbigo saído. Com roupa interior a condizer. Não me peçam para tirar fotos comigo agora, a não ser que sejam piadas bem montadas. Tenho a certeza que vou conseguir convencer os meus filhos que fui eu que os pari, através da certidão do hospital. E se duvidarem muito, porque não há fotos, acho que passo a dizer que foram todas adoptados!

 

Qua | 27.07.16

Semana #28

Fatia Mor

Querido diário,

 

Sei que estou um dia em atraso. Afinal, foi ontem que chegámos às 28 semanas. 

Oficialmente no terceiro trimestre, as dores intensificam-se, os ossos parecem querer começar a abrir e o calor consome-me! Não sei que mal fiz ao mundo para passar sempre a gravidez no verão! Aliás, isso deveria querer dizer que já estou mais do que habituada, mas na realidade parece-me que me custa horrores a cada vez que atravesso este deserto.

Finalmente comecei a preparar a roupa e o quarto do Fatia#3. Já tem uma gaveta cheia de coisas essenciais para vestir nos primeiros 15 dias (que há-de ser enquanto aqueles tamanhos servirem), mantas cor-de-rosa prontinhas para o embrulhar, e alguns pormenores de decoração estão despachados.

Portanto, está quase tudo pronto! 

Agora, basta-me comprar umas fraldas, e pouco mais, e a coisa está feita! 

 

De resto, é esperar que o menino não queira ser um apressadinho como a sua irmã e esperar que nasça dentro do normal! É que com este calor, parece que ele ainda quer vir apanhar um solinho de praia em tempo útil! 

 

Até para a semana,

Fatia

 

Seg | 25.07.16

Loucas, estão loucas!!!

Fatia Mor

Suponho que deva ser do calor. Só isso justifica a sequência de acontecimentos capazes de endoidecer de vez uma mãe...

As Fatias estão empenhadas em dar cabo do resto da minha sanidade mental...

Ontem conseguiram sujar-me a varanda toda com aguarelas, sem contar com os pés, as mãos, a roupa (delas e minha).

Hoje conseguiram surripiar-me o pó de talco e cobriram-se, literalmente, de branco... Da unha do pé à raiz dos cabelos.

Logo a seguir, a Fatia#1 pediu para fazer umas pinturas... Distraí-me por escassos segundos com a Fatia#2 e, em menos nada, tinha mãos pintadas nas paredes da cozinha.

Umas atrás das outras...

 

#SomosTodosPaisÀBeiraDeUmAtaqueDeNervos

Sex | 22.07.16

Porque não suporto pescada cozida?

Fatia Mor

A nossa Mula está de dieta. Ou melhor, está a educar-se do ponto de vista alimentar e refere no seu post que "Quando começo uma dieta tenho de ter atenção para não obrigar o Mulo a entrar em dieta também, se não ele diz que só lhe dou comida de coelho."

 

Fiquei a pensar nestas palavras e como isto explica porque não gosto, nem um bocadinho, de pescada cozida.

 

Toda a minha vida, vi a minha avó em dietas para perder peso. Não que alguma vez tenha tido assim um volume corporal tão grande que justificasse os cortes radicais que às vezes fazia, mas a busca por um rabito menor e umas pernas mais torneadas, davam cabo de qualquer raciocínio lógico!

 

A pior dieta que me recordo de ter sido feita lá por casa - e que nos pôs a todos ali no raiar da loucura - foi a dieta da pescada cozida.

E no que consistia a dieta da pescada cozida? Nisso mesmo, pescada cozida do almoço ao jantar, 7 dias por semana. 

Para nós ainda havia a ousadia de uma batata cozida, para combinar com um conjunto de vegetais que eram permitidos no bendito regime (pior que ditadura militar). A minha avó apenas ingeria a dita pescada, com os vegetais cozidos, e cara alegre.

Ora, o primeiro dia passou, o segundo fez-se, mais ao terceiro que já deitávamos pescada por todos os orifícios do corpo (poros incluídos) e acho, até, que o meu cabelo cheirava a peixe cozido. 

Depois desenvolvemos estratégias: descobrimos que pescada com maionese até nem ficava mau e disfarçava o sabor; ou que um molho de limão e manteiga fazia aquilo parecer um manjar dos deuses (que é como quem diz, comestível); ou que bechamel era capaz de envolver a pescada até esta voltar a nadar num mar branco. O azeite e o vinagre foram os meus melhores amigos durante umas semanas que mais me pareceram meses intermináveis. 

Com isto, quero afirmar, que a Mula é amigo do seu Mulo, já que faz as coisas para que pobre não enjoe a comida ou não sinta que lhe crescem uns bigodes e umas orelhas peludas. 

Mas ele que se lembre... que podia ser muito pior!!!! Podia ser pescada cozida!

Qui | 21.07.16

Brincadeiras (parvas) de irmãs #2

Fatia Mor

Estão a ver o calor que está, não estão?

Daquele que nos faz amolecer o corpo e alma. Que nos retira réstia de vitalidade. Que nos coloca no patamar dos vegetais. Pronto, perceberam onde quis chegar certo???

 

Pois tenho aqui duas alminhas a brincarem com cobertores, a taparem-se mutuamente, enquanto a mais velha anuncia que está muito frio e que têm que ficar bem quentinhas...

 

Se isto não é um distúrbio, não sei o que será!

 

Será de serem filhas de psicóloga?? Oh meu Deus, será este o meu destino? Filhas malucas de um todo???

Ter | 19.07.16

Semana #27

Fatia Mor

Querido diário,

 

A semana 27 é especial. Bom, na verdade não é; é igual a todas as outras. Mas é a semana que oficialmente dá início ao terceiro trimestre. Isto quer dizer que começou a pior fase de todas. Daqui para a frente a criança só vai crescer e engordar! Na última vez que nos vimos tinha quase 1kg e perto de 30 cm. Portanto, metade do caminho já está feito.

É também a partir desta fase que começamos a ter muita atenção às medições do perímetro cefálico. Não é que isso tenha grande interesse na hora h, mas gostamos muito de ver que o perímetro não é muito grande. Dá-nos a ilusão de que assim vai custar menos a passar. 

Igualmente, por estas alturas, começamos a desenvolver um gosto estranho - quase a raiar o patológico - por partos e histórias de parto. Bom, a verdade é que até podemos nem desenvolver, mas o resto do mundo desenvolve e A-D-O-R-A contar-nos detalhada e ilustradamente (quando possível) o que lhes aconteceu.

A minha sorte, querido diário, é que a esta altura eu levo um avanço gigante sobre a maior parte das pessoas e se for preciso, tenho eu mais partos para contar do que elas. Ainda assim, o gosto por fazê-lo parece ser proporcionalmente inverso à facilidade do parto: quanto mais complicado, mais sofrido, mais horas durou, mais gostam de nos relatar com pormenores o que se passou! 

E claro, agora começam também as perguntas que eu considero óbvias: vais querer epidural? Ou as observações do pessoal mais velho que me tiram do sério: tanta preocupação, no meu tempo não havia nada disso e as crianças nasciam à mesma.

Vou apenas debruçar-me sobre a primeira questão, já que a segunda até já foi debatida aqui no blog (e não me perguntes pelo link que eu não faço ideia - vai à procura).

 

Querido diário, não sei o que te douraram sobre o parto mas aquilo dá umas dores tramadas. Por isso, sim, quero epidural. Quero tudo a que tenho direito e quanto mais cedo melhor! Sou uma verdadeira adepta do parto sem dor. Recordo-me, com extrema clareza de espírito, o momento em que as epidurais iniciaram o seu trabalho e devem ter sido dois dos momentos mais felizes da minha existência. Compreendo e respeito quem não queira - independentemente de achar que podíamos fazer ali uma avaliação psicológica para garantir que está tudo dentro dos parâmetros do aceitável - mas eu, querido diário, quero muito não sofrer. 

Já me bastam as horas em que temos que esperar que tudo esteja a jeito para levar a epidural... E as dores que aparecem depois... Portanto, se eu puder passar duas horinhas, num ligeiro estado alterado de consciência, em que não sinto dor e consigo participar no processo sem ter vontade de partir a cara ao marido por me ter posto naquela situação (sim, porque na altura eles são os culpados do mal no mundo), então, venha daí!

 

Até para a semana,

Fatia

Seg | 18.07.16

Com tanto avanço no mundo...

Fatia Mor

... com tanta tecnologia, formas de fazer as coisas e ainda é preciso esperar em jejum para fazer análises, beber um líquido glicosado horroroso de enfiada (capaz de nos voltar as entranhas) e tirar sangue com agulhas grossas e um pouco dolorosas, três vezes no espaço de duas horas... 

 

Queridos senhores investigadores e financiadores  deste mundo, deixo-vos um repto: antes de gastarem horas e milhões à procura do próximo creme anti-rugas milagroso; ou de tentarem perceber como é que a maquilhagem fixa melhor; ou qual o tratamento mais adequado para a celulite...

fixe, mas mesmo fixe, era que estes procedimentos fossem menos invasivos, menos dolorosos e mais simples de realizar...

(E nem preciso dizer quanto é mau quando se trata de crianças, doentes e outras situações complicadas)

 

Agradecida!

 

E agora vou esperar a próxima recolha...

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