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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Seg | 30.11.15

11 tipos de alunos em frequência

Fatia Mor

Já toda a gente sabe que eu sou professora.

Pronto, pronto, acalmem essas vozes e esses clamores. Os meus alunos são saudáveis. Nada temam!

Hoje, em plena sala de aula, e em análise com a minha colega, confirmámos a existência de tipologias de alunos em frequência (também aplicável em situações de exame).

 

Ora vamos lá...

 

1. O sonhador - este tipo de aluno está sempre com a cabeça na lua, a cabeça apoiada numa mão, e a tampa da caneta (ou a caneta em si) colocada na boca. Faz claramente lembrar Britney Spears nos seus anos de ouro! Normalmente é o último a entregar o teste e parece nem se dar conta que o tempo passou entre as deambulações mentais pouco nexas que realizou.

 

2. O-que-fala-sozinho - normalmente podemos vê-lo em cantos da sala, ou posições estratégicas, para que possa repetir de forma surda tudo aquilo que está a escrever. Inclusive conseguimos perceber-lhe na expressão a entoação, a emoção, todo o cariz não-verbal, da comunicação que ele faz com o ar...

 

3. O radar - este aluno passa a vida a passar revista aos testes dos outros. Parece um radar sempre a rodar a cabeça em todas as direcções para ver se a resposta vem de algum lado ou se a consegue ler de formas pouco ortodoxas.

 

4. O estenógrafo - esta tipologia só é perceptível depois de recebermos o teste escrito e constatarmos que é apenas um aglomerado de abreviaturas que mais parecem uma mensagem encriptada para passar a barreira do inimigo e chegar a bom porto a algum lado... que certamente não será uma classificação brilhante. Se for mais rudimentar e imperceptível este tipo de aluno evolui para O garatujador

 

5. O rápido - é o primeiro a entrar, o primeiro a sentar-se, o primeiro a receber o teste, o primeiro a responder a uma velocidade estonteante e o primeiro a entregar e a sair da sala! Não há como este ferrari das provas para deixar testes a meio, perguntas por responder ou frases sem palavras de interesse. 

 

6. O religioso - este é aquele que ergue as mãos para o céu, que se lamuria com um "ai meu Deus" e que termina o agradecimento ao desejo de boa sorte com um "se Deus quiser!". Claramente, durante toda a prova, espera que a inspiração divina lhe pegue na caneta e escreva por ele.

 

7. O tira-dúvidas - para este aluno não há pergunta que não tenha um senão, nem palavra que não tenha duplo sentido, nem tarefa que não ofereça resistência... "Tem a certeza que é esta a palavra que queria pôr aqui?" e "Mas se eu puser aqui outra palavra isto muda de sentido, não é?" ou "Só há mesmo uma resposta certa, tem a certeza?" - são normalmente algumas das interrogações que ele coloca.

 

8. O incomodado - é um aluno raro, mas incomoda-se com facilidade com o burburinho que algumas coisas geram. É comum ouvi-lo a dizer "porque não se calam!" aos colegas que insistem em trocar "impressões" no teste ou a mandar calar a turma ainda antes da professora o fazer! 

 

9. A despensa - este é o tipo de aluno que vem com uma despensa para os testes. Ele traz várias canetas, lápis, aparas e borrachas. Mas traz também bolachas, chocolate, lenços de papel, água, chá ou café. Ficamos sempre na dúvida se fomos claros a transmitir a ideia de que vamos fazer uma frequência, não um pic-nic.

 

10. O cábula -  este é talvez o tipo mais conhecido. Normalmente entra de forma a passar despercebido, com casacões largos e estojos capazes de esconder os papiros que sumariam toda a matéria disponível desde 1986. Por norma, tenta sentar-se no fim da sala ou, quando é descarado, logo nos lugares da frente. Está sempre a topar a posição dos professores na sala para descobrir quando pode tirar as cábulas para fora e copiar. O problema é que normalmente, nunca sabe onde está a parte que precisa, nem sabe seleccioná-la de forma adequada, ou até escolheu cabular a parte que não sai no teste. Também poderíamos designá-lo de O azarado!

 

11. O cool - este é o tipo de aluno que tudo está bem para ele. Não há drama que o afecte... Não tem caneta? No problem! Pede a um colega. Não comprou folhas de teste? Algum colega fornece uma que tenha a mais. Não sabia que havia teste e não estudou? Sem drama, dama! Tudo se faz.  Nunca se chateia, raramente tem dúvidas e normalmente tem o à vontade suficiente para, ao entregar a prova, perguntar logo pela data do exame.

 

Identificam-se? 

Sab | 28.11.15

Estatísticas de uma árvore de Natal

Fatia Mor

1 árvore de Natal

89 bolas de tamanhos e feitios diversos

2 horas, 36 minutos e alguns segundos para a execução final

1 conjunto de gambiarras coloridas disputadas mana a mana

89 bolas colocadas pela Fatia#1

70 bolas reposicionadas pela FatiaMor

15 bolas subtraídas pela Fatia#2

15 bolas reposicionadas novamente pela FatiaMor

3 birras da Fatia#1 porque não quer que a Fatia#2 mexa nas bolas que são dela

5 birras da Fatia#2 porque não a deixamos tirar mais bolas da árvore

 

Estou exausta.

 

O próximo que me disser que o natal é quando um homem quiser, leva com a árvore pela tromba...

 

 

Mas está linda!!!

 

P.S. Informa-se que duas bolas foram sacrificadas neste processo.

Sex | 27.11.15

Quem conta um conto #8 - À tua espera - Parte IV

Fatia Mor

Alguém achou que eu seria capaz de dar continuidade a este conto... Estavam claramente loucas. Mas vamos lá isso.

Mas se ainda não sabem do que está em causa, podem ler as outras partes aqui:

Quem conta um conto #8 - À tua espera  - Parte I

Quem conta um conto #8 - À tua espera  - Parte II

Quem conta um conto #8 - À tua espera  - Parte III

 

 

Passaram-se cinco semanas desde aquele fatídico dia.

Desde então, Ísis tinha a sensação que só tinha chorado. Parecia que ainda os podia ver ali, na entrada da casa dela, naquela manhã, qual Caim e Abel a disputarem-na. Sempre que fechava os olhos sentia-se a reviver a situação na íntegra. 

Depois daquele soco inesperado do Ricardo, André tinha ficado caído no chão, sem ripostar. Ricardo olhou para ela incrédulo. Os olhos dele suplicavam-lhe por uma explicação... Porque é que o irmão dele estava ali? Porque é que ele a beijara? Mas principalmente porque não o recusara ela, porque não se debatera... Ele tinha a certeza do que tinha visto. Ela estava nos braços dele, entregue, sem ambivalências. Algo que ele nunca tinha sentido. 

 

Levanta-te André! - gritou-lhe, enfurecido, com uma raiva que desconhecia ostentar. 

O André levantou-se e encarou-o. O Ricardo sempre tinha sido uma referência para ele. Nos momentos de ausência do pai, o Ricardo tinha sido quem o tinha orientado, mostrado o caminho, tirado as dificuldades. Talvez por isso tenha-se habituado a viver à sua sombra. Nada do que ele fazia era suficientemente bom. O Ricardo sempre fora considerado fora-de-série, sempre fora o que conquistara as mulheres, mesmo aquelas de quem ele gostava ou admirava secretamente. 

Quando naquele dia, a vira chegar, tudo gelara dentro de ele. Até ela, aquela mulher linda que ele tinha descoberto e conquistado timidamente com o olhar, tinha sido tomada por ele. 

Porquê Ísis? Diz-me porquê! - gritou o Ricardo.

 

Ísis apercebeu-se nesse instante que não estava mais naquela cena. Mas as palavras continuavam a soar-lhe na mente. O que mais lhe custara no momento, fora a sua incapacidade de lhe responder. 

Ela também tinha sido apanhada de surpresa, numa virada irónica da vida. Jamais pensou voltar a ver o André. Aliás, nem o conhecia. O que ela sentia podia ser apenas fruto da sua imaginação. Mas naquele momento, quando ele a beijou, as dúvidas dissiparam-se. Não havia nada nele que ela não amasse, até a imensidão do desconhecido que havia entre eles, ela amava!

O telefone tocou... Era novamente ele. Mais uma vez ela deixou-o tocar até ir para o atendedor de chamadas. Não voltara a falar com o Ricardo. O anel jazia em cima da cómoda. Não tivera oportunidade de o devolver. 

Mais um telefonema. Olhou para o visor e viu André escrito. 

Ele voltou a ligar-te? - perguntou-lhe o André assim que ela atendeu o telefone.

Sim. Mas eu não atendi. Não quero ter que o encarar já. Ele está muito magoado. Nada do que eu pudesse dizer, ou fazer, agora ia resolver a situação. Passas por cá? A tua mãe, já te fala novamente? - perguntou-lhe ela enquanto sentia a alegria calorosa da possibilidade de o ver. 

Vou já para aí, já falamos.

 

Em menos de 15 minutos ele estava à porta dela. Naquele mesmo local onde há três semanas se tinham beijado pela primeira vez. Entrou e repetiu o gesto. Agarrou-a pela cintura, agora com cuidado, olhou-a nos olhos, beijou-a ao de leve nos lábios, deixando escorregar os seus levemente pela abertura dos dela... Mas foram despertados pelo toque de um telefonema. Por momentos ela sentiu que o Ricardo estava novamente a roubar a alegria daquele momento de reencontro, que eles ainda não tinham conseguido viver em plenitude em nenhum dos dias anteriores.

O Ricardo rondara, ameaçara, voltara a família deles contra o André. Hoje era o primeiro dia em que tudo parecia decorrer com maior naturalidade e menos sofrimento. Mas o toque não lhe era familiar, pensou. O condicionamento era tão grande que, no imediato, nem se apercebeu que era o telefone do André que tocava.

É o teu. - disse-lhe. Nem ele se tinha apercebido desse facto. 

Meio desajeitado, tirou-o do bolso, olhou para o visor e o que viu deixou-o apreensivo. O passado ligava. Maria. Considerou não atender, mas certamente também ela já saberia do escândalo. E apesar de já não estarem juntos, devia querer saber se tinha sido este motivo que tinha levado a que ele terminasse a relação num de repente, depois do aniversário da avó Rosa. O melhor era acabar logo com a agonia.  

Olha Maria... - disse-lhe com a voz meio embargada. Mas antes que pudesse terminar a frase, apercebeu-se que ela soluçava do outro lado da linha...

Estou... André... Prec...Preciso de falar contigo... 

O tom era claramente perturbado. 

O que se passa Maria, está tudo bem? Conta! 

A ansiedade crescente. Ísis ouvia o choro compulsivo do outro lado, via o ar de preocupado do André e sentia-se a mais, como se tivesse ido a uma festa para a qual não tinha sido convidada. 

Es... Estou... Estou grávida, André...

 

(continua)

Menina Língua Afiada... Este molho de bróculos é todo seu!

 

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