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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

Vida às fatias

Seg | 30.03.15

O dia de andar trocada

Fatia Mor

Eu fico toda trocada com a mudança da hora. Tenho sono tarde, acordo mais cedo, demoro a adormecer e depois ando a cair de sono todo o dia. Hoje na rádio anunciavam que era o dia de andar trocado: chegar mais tarde a qualquer lado, esquecermo-nos de avançar um dos relógios, etc.

Em honra desta "efeméride" resolvi contar uma história que está nos idos do tempo e que ficou para os anais da história, tal foi a troca que foi feita.

Estava eu na faculdade, último ano, em elevado stress para acabar o estágio e entregar a monografia de final de curso. Tinha combinado encontrar-me com a minha orientadora às três da tarde e por isso tinha ficado a ultimar todos os pormenores até uma hora que era altamente incomum para mim - duas da manhã. Sempre tive por hábito não estudar pela madrugada dentro porque prezo e preciso de 8h de sono diário para me poder chamar de gente (caso contrário, acho que viro bicho de mau feitio).

Fui para a cama, pus o despertador e adormeci em acto contínuo, no maior breu. 

De repente acordei, com a sensação que tinha dormido mais do que devia. Sentia-me claramente desperta. Olho para o relógio de pulso, que estava em cima da mesa de cabeceira e vejo, nos ponteiros luminosos, que são 15h45. Meu Deus! - pensei para os meus botões em pânico - Deixei-me dormir!

Num ápice levanto-me, faço a cama, pego na roupa que tenho mais à mão, vou para a casa-de-banho, ponho a água a correr e volto ao quarto para apanhar uma ou duas coisas que me esqueci de levar para o banho. É neste momento que me lembro que não vale a pena estar de luz acesa e mais vale abrir a persiana.

Puxo-a de uma vez só e... BREU! 

O que me passou pela mente? Um eclipse solar total, ao qual, eventualmente, eu estaria completamente alheia. Só podia ser isso!

Até que vejo a minha mãe entrar atarantada no meu quarto a perguntar-me o que me tinha acontecido porque eram 3h45 da manhã!

Foi nesse instante que senti todo o cansaço que até então, a descarga de adrenalina de achar que estava tremendamente atrasada, tinha mascarado.

Fui fechar a torneira do banho, voltei a abrir a cama e fui dormir.

Nunca tal me tinha acontecido e espero que nunca mais aconteça.

Mas fiquei a admirar a minha capacidade de imaginação... Um eclipse! Ainda hoje, rio de mim própria, a olhar para o céu estrelado e a pensar onde estaria o sol...

 

E pronto, dado o tempo que tenho para actualizar isto, o hoje já se transformou em ontem! 

Dom | 29.03.15

Chegou o Verão!

Fatia Mor

Esperem lá, mas não era a Primavera? E ainda há três dias não estávamos no Inverno?

Bom, seja como for, chegou o Verão! Ou pelo menos assim parece, dado o calor que se fez sentir hoje. 

Confesso que já tinha saudades de sair à rua e sentir a brisa quente a bater-me cara. E de os dias serem maiores e mais luminosos. E de comer um gelado à tarde e sentir que me refresca por dentro enquanto o calor me acaracia a pele. Acho que já tinha saudades do Verão e olhem que até nem sou muito fã da época!

As fatias também apreciaram sair de casa com menos roupa do que habitual. A Fatia#2 até agora só tinha conhecido camadas de roupa à semelhança da cebola, hoje teve direito a ver reduzida para metade a sua indumentária. E mesmo assim, foi roupa a mais!

Eu que estava céptica em relação às previsões da metereologia, confesso que restaurei a minha fé e espero que estas previsões se mantenham e realizem por mais alguns dias. 

É que este Verão está mesmo a saber-me bem!

Sab | 28.03.15

Pérola #14

Fatia Mor

Fatia#1 fazia as suas séries de acelerações pela casa, em vez de ir para a cama dormir, a horas já nada respeitáveis para uma criança de 2 anos.

FatiaMor e Fatiasmén já a bufar, quais dragões da idade média, continuam a alimentar a paciência que sobra com uns suspiros profundos e umas elevações de voz.

Já a dar de si, digo-lhe:

"Fatia#1-e-segundo-nome, já para a cama ou a mamã dá-te uma palmada no rabinho!".

Resposta altamente respeitadora do pingarelho andante:

"Não mamã!" - em tom de indignação - "O rabinho é meu!"

 

 

 

Como é que eu faço para não me rir, alguém me explica?

Qui | 26.03.15

Quando os aviões caem do céu

Fatia Mor

Acho que hoje toda a gente fala do avião que caiu. Ou melhor, que foi atirado contra uma montanha. 

Aparentemente, esta "queda" terá tido mão criminosa já que parece ter havido intencionalidade na acção. 

O comportamento humano reveste-se de intencionalidade. Todos nós somos psicólogos näives, que constantemente procuramos causas para os efeitos que observamos à nossa volta, que tentamos entender o porquê dos comportamentos observáveis. 

E hoje é incontornável perguntar o "porquê?".

Hoje a psicologia está na ordem do dia. Seja pela procura de uma razão para um acto desta natureza, seja pelas característias que alguém que o pratica tenha que conter, seja pela necessidade de dar resposta às dúvidas e anseios para o futuro, para controlo e evitamento de algo semelhante. Por todo o lado se ouve "instabilidade mental", "personalidade desestruturada", "psicopatia", tudo características inerentes a uma explicação plausível que procuramos encontrar na falta de plausibilidade de um acontecimento desta ordem.

Costumamos dizer que uma equipa é tão forte quanto o seu elemento mais fraco. Aqui também parece aplicar-se essa máxima. Todos os feitos em nome da segurança já alcançados parecem fraquejar perante a possibilidade de um copiloto ter sido criteriosamente seleccionado, avaliado e treinado para transportar de forma segura todas as almas que vão dentro de um avião, e esse avaliação ter falhado redondamente.

Mas e se essa avaliação não falhou? E se quando foi seleccionado e avaliado não houve qualquer indício de um dia poderia conscientemente desviar um avião para embater com uma montanha?

Todos os esforços que realizamos em prol da segurança alimentam a nossa falsa ilusão de controlo. Necessitamos dela para avançar  no mundo, para não questionarmos constantemente os passos que damos. Se não acreditassemos que há forma de despistar e controlar este tipo de acção, menores seriam o número de pessoas que voam todos os dias sem pensarem que um dia poderiam estar nesta situação. Ou que entram num carro e conduzem para os seus trabalhos. Ou que frequentam um café, um bar ou andam na rua. Mas um facto é que a capacidade de previsibilidade de uma acção deste tipo tem limites. E a avaliação psicológica não é infalível nem uma panaceia para todo o mal.

Neurótica assumida, tendo constantemente a sofrer com a falta de controlo. Custa-me pôr os pés num avião. Aliás sofro já, em parâmetros clínicos, de uma fobia que me impede de viajar dentro destas latas com asas, para ser sincera. É um dos locais onde sinto que a minha acção é totalmente inerte e estou totalmente indefesa e à mercê de erros humanos ou erros mecânicos. Não sei comandar um avião e caso algo aconteça não posso fazer nada... Consome-me pensar nisso e imaginar-me nessa situação!

Por isso, hoje não faço a pergunta do porquê?. Limito-me a olhar para tudo como uma manifestação do pior que a natureza humana tem, sem apelar a qualquer sentido de explicação. Até porque coisas destas não precisam de ser explicadas. O sentimento e impacto que produzem já são material suficiente para digerir.

 

 

 

Qua | 25.03.15

Sem tempo

Fatia Mor

Não admira que tempo seja dinheiro. Está sempre escasso, faz sempre falta e se o tivesse era uma mulher rica!

Eu bem que tento, entre um banho e uma refeição, vir aqui ler os vossos posts e actualizar o blog, mas não está fácil.

Espero conseguir voltar, dentro em breve com novidades fresquinhas da minhas fatias!

Seg | 23.03.15

Essa coisa do... Liebster award!

Fatia Mor

Ora ora ora... A nossa Just Mum a "modes" que me nomeou para um Liebstar Award, seja lá o que isso for. Tenho andado aqui a resistir à ideia até porque convenhamos é preciso nomear onze blogues para a coisa e eu mal conheço o meu quanto mais onze que não tenham sido já nomeados ou que eu mantenha uma leitura atenta... Aiii isto de ser novinha na blogoesfera tem muito que se lhe diga e eu ainda mal dou os primeiros passos!!

Mas vamos lá!

 

liebster-award-main.jpg

 

 

Para que o nosso blog seja consagrado com este prémio, temos de seguir os seguintes 6 passos:
  1. Escrever 11 factos sobre nós próprios.
  2. Responder às perguntas que nos colocaram.
  3. Nomear 11 blogs com menos de 200 seguidores.
  4. Fazer 11 perguntas a esses blogs nomeados.
  5. Colocar a foto do Liebster Award no post.
  6. Enviar o link do post a quem te nomeou.

 

Então vamo-nos a isso!!

 

11 factos sobre moi:

1. Sou gémeos. E apesar de não acreditar nestas coisas da astrologia lá muito a sério, há coisas que são muito certas.

2. Sou comunicativa. Adoro falar. E escrever. E tudo o que implique pôr-me em expressão com o mundo.

3. Não tenho jeitinho nenhum para artes. A minha figura humana é vergonhosa e era motivo de risota na faculdade.

4. Sou do mais nojentinha que há! E esquisitinha também. Não me convidem para comer em tascos nem coisas muito estranhas que eu não sou a vossa pessoa!

5. Detesto mexer em terra. Não gosto de sentir a areia nos pés e não tenho muita paciência para torrar na praia.

6. Gosto de conversar até cair, de noite, com amigas. Tenho saudades das noitadas que fazíamos a rir de anedotas parvas, a falar da vida e a sonhar com o futuro.

7. Sinto-me sempre com uma idade inferior do que a que efectivamente tenho. 

8. Tenho um ar jovem o que já me valeu alguns embaraços a mim e aos outros que me rodeiam.

9. Adoro ler. Durante anos foi a minha companhia noites fora. Recordo-me de uma noite me ter posto a ler e de repente eram 8 da manhã! 

10. Adorava o regresso à escola, o cheiro dos livros novos, os cadernos por estrear. Adorava aquela sensação de inaugurar um mundo novo de possibilidades e de aprendizagens que cada ano trazia. De preferência com uma letra imaculada que rapidamente perdia vigor!

11. Adoro cozinhar, ver programas de cozinha mas detesto a obrigatoriedade de ter que fazer comida todos os dias.

 

Questões da curiosa Just Mum

01. Já alguma vez fizeste alguma coisa que tiveste vontade de sair para a rua gritar?

Hummm. Acho que não. Nunca senti que precisasse de gritar aos quatro ventos alguma coisa que tenha feito. Bem, talvez tenha tido vontade de sair para a rua a gritar quando defendi o meu doutoramento. Mais de loucura do que propriamente de realização!

02. O que é que levas sempre contigo, não importa para onde vás?

Tanta coisa. Mas indispensável: lenços de papel! Sou uma ranhosa de primeira!

03. O que te faz sentir melhor, quando está de mau humor?

Chocolate, sem dúvida. 

04. Preferes dar ou receber presentes ?

Dar! Adoro pensar no presente ideal para cada pessoa e se for preciso ando a poupar para conseguir dar "aquela" prenda! Adoro fazer surpresas, mas não gosto lá muito de ser surpreendida. :)

05. O que é que farisa com teus “15 minutos de fama”?

Nada. Acho que não dava para famosa... Nem que fosse por 15 minutos.

06. Qual foi a última coisa que aprendeste?

Aprendo todos os dias. Mas não sei dizer qual foi a... Ah! A fazer caracóis com papel prata e um ferro de alisar!

07. Está a andar na rua e vem alguém que detestas na tua direção. O que fazes, encaras essa pessoa, desvias o olhar, não ligas ou fazes outra coisa?

Adorei esta pergunta. O mais certo é não ligar! Mas se tiver que ser, cumprimento cordialmente e continuo. Mas acho que não tenho ninguém nesta situação e ainda bem!

08. Costumas deixar as coisas para a última hora?

Sim e não. Por norma sou muito organizada e não gosto de deixar nada para a última hora. Às vezes lá tem que ser, mas mesmo assim planeio mentalmente todos os passos para essa última hora não se tornar um caos. Sou um bocadinho neurótica... Acho que isso explica tudo.

09. O que deixaria a tua vida de pernas para o ar?

Todas as mudanças deixam a minha vida de pernas para ar. O facto de planear as coisas faz com que muitas vezes tenha que me ajustar às novas condições de vida. Mas também sou uma pessoa que gosta da mudança e normalmente acredito que quando vêm, vêm pelo melhor.

10. Que música não sai da tua cabeça, neste momento?

Geronimo dos Sheppard... AMO!

11. Acreditas que existem Extra-Terrestres?

Sim. Não na forma da ficção científica nem acho que andem para aí a largar-nos conhecimentos ou a raptar-nos. Mas acho que com tanto planeta neste universo seria estranho que nos tivesse calhado a lotaria cósmica. Acho que é de um tremendo egocentrismo da humanidade acharmo-nos sozinhos no universo...

 

Então vamos lá oh pessoinhas da blogoesfera. Eu cá nomeio (e sem saber se já foram ou não nomeados):

1. Pequenos Encantos

2. A desarrumada

3. A teoria quase perfeita

4. Blogdocaixote

5. No sítio do costume

6. Faz e come

7. Os contos da menina-mulher

8. Mulher, filha & mãe

9. Tempestade de ideias

10. Desabafos agridoces

11. A mãe não sabe

 

E agora as minhas 11 perguntas

01. Se a tua vida desse um filme, qual era o título?

02. Qual o lema que guia a tua vida?

03. O que te levou a criar um blog?

04. Onde gostavas de estar daqui a 10 anos?

05. Se tivesses que dar um conselho a ti mesma/o quando tinhas 18 anos, o que te dirias?

06. Qual foi a lição de vida mais importante que aprendeste?

07. Qual a maior loucura (saudável) que já fizeste?

08. Se pudesses mudar alguma coisa em ti ou na tua vida o que seria?

09. O que te consola nos dias de maior desânimo?

10. O que te faz rir até às lágrimas?

11. Se tivesses um super-poder, qual seria?

 

Espero que se divirtam tanto a responder como eu!

Obrigada Just Mum!

 

 

Dom | 22.03.15

De quem gostas mais?

Fatia Mor

"De quem é que gostas mais? Do papá ou da mamã?"

Esta questão surgiu muitas vezes na minha infância. Umas vezes com um ar de gozo associado, outras mais séria. Nunca veio de ninguém directamente implicado na questão, mas muitas vezes de familiares mais afastados, vizinhos menos sensíveis ou pessoas demasiado metidas em assuntos que não lhes diziam respeito.

Por vezes penso que os anos 80 foram um misto de exploração e experimentação psicológica, da área de desenvolvimento infantil, porque não foram poucas as vezes em que ouvi este atentado contra a sanidade mental de qualquer criança. 

Apesar de ser uma questão perturbadora, para mim nunca teve qualquer conotação negativa. Eu vivia apenas com a minha mãe e como tal nunca me causou dor ou desconforto optar claramente por um genitor nas minhas preferências. Com o crescimento apercebi-me que a vida era feita de polaridades no campo do gostar: havia a "melhor amiga" que necessariamente gostávamos mais do que todas as outras; o melhor colega que evidentemente era mais simpático e solícito do que os outros; as paixonetas por quem nutria mais afeição do que em relação aos demais rapazes... Portanto, a vida era efectivamente feita de preferências. 

E hoje pus-me a pensar... E os filhos? Será que gostamos mais de um filho do que outro? 

A ideia, por si só, é um tremendo tabu que os pais de filhos únicos não têm com que se debater. São uns abençoados, confesso, porque morro de medo de demonstrar, acidentalmente, preferências entre as minhas duas fatias. Aliás, morro de medo que um dia goste mais de uma do que de outra.

"A Escolha de Sofia", soberbamente interpretado pela Meryl Streep condensava na sua trama muito bem isto. Como optar por um dos filhos? Como claramente evidenciar uma preferência?

A situação revolta-me enquanto mãe, porque reconheço que é inevitável que haja uma preferência, assim como filha por pensar em que em dado momento alguém poderia gostar mais de outro filho do que de mim.

Sei que ter mais do que um filho é uma multiplicação do amor. Não deixamos de amar um filho para passar a amar outro! Mas cada um tem as suas particularidades, o seu feitio, a sua forma de ser e de estar que pode ser mais ou menos compatível com as nossas próprias particularidades, feitio e forma de estar. A afinidade dita tudo no estabelecimento de laços entre dois seres, aparentados ou não. E parece-me que nos filhos não será diferente, na medida em que desde cedo eles reagem de forma distinta a situações idênticas, levando a uma maior ou menor afinidade connosco.

Uma coisa é certa e assumo sem pudores: gosto mais de mim enquanto mãe da Fatia#2 do que da Fatia#1. A inexperiência, os receios e a ilusão ridícula de grandeza, provocada pela insegurança existente num primeiro filho, são devastantes! A Fatia#2 ajudou-me a ultrapassar algumas dessas questões e fez-me gostar mais... de mim, pelo menos! E é inevitável que isso se reflicta na relação que tenho com elas. 

Mas se a vida me demonstra que há preferências, também me mostra que estas evoluem. Somos capazes de abandadonar as mais extremadas afeições para as substituir puerilmente por outras. Amamos muitos os que nos rodeiam, uns dias um pouco mais, mas também, por vezes, um pouco menos!

Quero acreditar que com os filhos será igual... Que ao longo da vida, uma variação saudável, fará com que cheguemos ao fim em pé de igualdade; que os dias em que estamos mais amáveis compensarão largarmente os dias de menor amabilidade.

Não obstante, sofrerei sempre com a questão: 

"E tu, gostas mais de um filho do que de outro?"

 

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