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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

12
Set18

18 anos

Fatia Mor

Esta semana tem sido pautada pela chegada dos novos alunos à universidade. 

Olho-os e penso em mim, há 18 anos (credo!!!). As expectativas, os sonhos, a vontade de crescer, de me emancipar. 

A universidade foi, para mim, tudo isso, mesmo sem sair de casa. Foi o momento em que passei a decidir por mim, a gerir a minha vida, de forma mais consistente e mais consentânea. 

Passaram-se, então, 18 anos e estão neste momento a chegar à universidade os bebés que nasceram nesse mesmo ano. Separa-nos um ciclo de vida, curiosamente. E separa-nos uma perspectiva social completamente diferente.

Hoje, enquanto circulava por pais que aguardavam, ansiosamente, que os seus filhos se desembaraçassem de um processo altamente informatizado e rápido de inscrição na universidade (o meu foi feito manualmente, ainda), apercebi-me que havia algo de estranho nesse cenário. Os pais! Quase todos os jovens se faziam acompanhar dos seus pais.

Puxei pela memória. Fui sozinha. Os meus colegas, com quem comentei, também. Uns da mesma idade, outros mais velhos. Tentei recordar-me e poucos eram os pais que há 18 anos estavam presentes naquela fila de inscrição na universidade. Eram principalmente os alunos, alguns funcionários que nos indicavam por onde ir e os académicos (terceiros anos) em pulgas para nos espetarem qualquer coisa na testa, para fazer sobressair em nós a condição de caloiros.

Poderíamos dizer que vieram muitos alunos de fora. Talvez. Mas também sabemos que mais de metade dos alunos, que escolhem esta universidade, são precisamente do Algarve. E, diga-se o que se disser, isto não é assim tão grande.

Curiosamente, os miúdos contrastavam com os pais ansiosos, mostrando grande à vontade nos seus telefones e tablets. São autênticos bichos sociais, activos e reivindicativos na suas (nossas) redes sociais e, ao mesmo tempo, necessitam dos seus pais na primeira grande oportunidade de emancipação.

Talvez este seja o primeiro choque geracional que vou sentir, assim, "à séria"! Lenta e gradualmente, ao longos dos 13 anos em que lecciono, tenho vindo a aperceber-me e comentar com os meus colegas que há um decréscimo da maturidade dos alunos que chegam ao ensino superior.

Há uns anos, acentuou-se. Dificuldade em compreender o nível de autonomia que é requerido, não saberem fazer a transição entre momentos de lazer e convívio e a postura adequada num espaço de aprendizagem, o constantemente exigirem um adaptar às suas necessidades, sem compreenderem a necessidade de corresponder a um bem maior e mais abrangente, entre outras situações que, antes eram esporádicas, e agora vão-se tornando mais comuns.

Seria injusta se não dissesse também que, com o passar dos anos, assiste-se uma transformação clara, qual lagarta em borboleta de mil cores. Mas, demora mais tempo, é mais trabalhosa e nem sempre se conclui de forma a que os alunos entendam a instrumentalidade de um grau de ensino superior que vai além do canudo e de histórias memoráveis de noites de copos, para contar em jantares de reunião, anos mais tarde.

Estamos a criar jovens mais dependentes, mais imaturos do que fomos, talvez por medos e receios que estas novas formas de informação nos trouxeram. Desvirtuamos as capacidades dos nossos filhos, fazendo deles menos capazes, fazendo-os falhar o seu potencial. Temos medo por eles. Os nossos pais também tinham, mas tiveram a coragem de nos deixar abrir as asas e voar. 

Oiço, amiúde, as coisas não são como antigamente. Pois não, concordo. São melhores. Mas curiosamente, isso fez-nos mais temerosos...

 

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