10.027
06/2021
Poderia ser um título de um filme vistoso, dos melhores estúdios de Hollywood. Um saldo de uma conta bancária - e nesse caso particular, não me importaria que fosse em € e da minha conta pessoal, todos os meses. Ou ainda o número de horas de treino de um músico, garantindo-lhe a excelência.
Aliás, se acreditarmos no chavão de que são necessárias 10.000 horas de prática em qualquer coisa, para nos tornarmos realmente bons, então, este número poderia dizer que tínhamos ultrapassado a mestria numa coisa qualquer.
Mas não.
São 10.027 novas infeções, em cima de um SNS nas últimas.
Não sei se este número se deve a atrasos na inserção da informação, de testes não processados que convergiram todos ao mesmo tempo para o sistema, se é resultado do abrandamento das restrições do Natal, se é reflexo de uma nova variante mais contagiosa (não, necessariamente, pior em termos de resultado de infeção).
Este objetivo número quer dizer que hoje foram assinaladas mais dez mil e vinte e sete infeções.
Não quero um novo confinamento - por questões económicas - mas este valor assusta. Obviamente que não estamos no mesmo ponto que estávamos em março - a braços com um novo e desconhecido vírus. Neste momento estamos a braços com um novo, relativamente conhecido vírus, cujos efeitos a médio e longo prazo desconhecemos, com um corpo técnico-médico desgastado, um conjunto muito grande de pessoas que preferem acreditam em teorias hiperbolizantes da realidade em vez de tomar uma vacina que lhes é oferecida. Sei que estamos perante pessoas que têm receios loucos com algo que permitiu vivermos mais e melhor, enquanto não se preocupa com algo que parece deixar sequelas cognitivas, físicas, e até doenças mentais que poderão vir a mostrar um lado mais obscuro desta infeção. Sei que estamos perante uma sociedade que está a organizar-se num eixo fóbico, com meio mundo a olhar por cima do ombro, a olhar o outro com uma perspetiva mais crítica do que empática, em que nos sentimos observados, julgados e analisados pelas nossas opções.
São 10.027 casos. Poderiam ser mais. Ou menos. É só um número. Mas é um daqueles que poderá mudar as regras do jogo.
