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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

17
Mai18

Viver de forma saudável

Fatia Mor

Vou já começar este texto a informar a tropa de que percebo pouco ou nada de nutrição. E não faço intenções de perceber.

Mas a verdade é que temos que comer todos os dias e isso faz com que a alimentação seja tema de interesse aqui para a vossa FatiaMor que, bem confessada, alimentava-se à vontadinha de torradas de pão caseiro (barradas com manteiga) e galões de máquina (directos, de preferência).

A vida não é justa e o meu corpinho não gosta dessas avarias. Aliás, não são só os pneus que teimam em incrustar-se, são também um sem número de indicadores do nosso estado geral de saúde que demovem desse estilo de vida. Se aliarmos isso tudo a uma vontade incontrolável de me enfiar no sofá e de lá não me mexer durante umas horas, garanto-vos está o caldo (e não é o verde) entornado.

Por isso, faço por fazer boas escolhas. Simultaneamente, a vida trouxe-me por caminhos de interesse e por vezes cruzo-me com pessoas que fazem trabalhos excelentes dentro destas áreas.

Recentemente, tive a oportunidade de ouvir um trabalho, bem fundamentado na literatura actual (e quando digo actual, digo state of the art e não os artigos das revistas de opinião) que procurava mostrar porquê a necessidade de alterarmos os nossos hábitos alimentares para parâmetros semelhantes aos praticados há 10 mil anos, altura em que introduzimos a agricultura e modificamos os nossos padrões alimentares (aparentemente para pior).

Ora, eu cá, não sou defensora de dietas do paleolítico e acho que - tal como a pessoa frisava - todas as medidas devem ser entendidas com relativo cuidado, sem extremismos ou fundamentalismos. Mas também devemos manter-nos a par do que as meta-análises vão mostrando e, dou o braço a torcer, a introdução de dietas mais ricas em hidratos de carbono têm acompanhado a evolução de várias das doenças de que padecemos hoje. 

A verdade é que nas minhas experiências de N=1 (gostei desta expressão) e do que fui aprendendo com várias pessoas da área da nutrição e do desporto, fui-me apercebendo que preciso muito mais de proteínas e de gorduras para me manter saudável e saciada, do que preciso de hidratos (que me lentificam, aceleram o batimento cardíaco e me deixam prostrada).

O que mais me chocou foram as análises conduzidas sobre a introdução de farinhas integrais não mostrarem benefícios para a nossa saúde, mostrando-se até mais prejudiciais que os produtos "brancos". 

Outras coisas, já sabia. O consumo de ovos não tem uma relação directa (e nem indirecta) com o colesterol. E o próprio colesterol, não existindo mais indicadores patológicos, não tem relação com as doenças coronárias. 

Além do mais, mostra-se que a alteração da composição física depende muito mais do tipo de alimentação do que do exercício físico e que devemos estar atentos aos activos sedentários, que acabam por compensar a actividade física que realizaram em ginásio, reduzindo a sua actividade física nas horas seguintes e ingerindo mais calorias.

Nem de propósito, vejo hoje um vídeo que diz que vivemos 90% do nosso tempo dentro de casa. Dentro de espaços fechados, a simular a luz do sol com luzes artificiais, a restringirmos o contacto com a natureza, inseridos em ares saturados e poluídos e que essa tendência tem acompanhado o desenvolvimento de doenças alérgicas e respiratórias.

Comemos mal, não nos mexemos e privamo-nos do meio de onde viemos. 

Não digo que tenhamos que abdicar dos prazeres deste mundo mais facilitado. Não vejo vantagens em ir viver para o meio do mato, abdicar de conforto, para passarmos a morrer de predadores, em vez de morrermos de velhice (que era no fundo o que acontecia aos homens do passado).

Mas temos tudo demasiado disponível. É tudo demasiado confortável. 

Qual foi a última vez que passeámos ao ar livre? Que fizemos um picnic, uma refeição (um churrasco, porque não?) ao ar livre, com amigos, que nos sentamos na terra, que vimos os carreiros de formiga, que apanhamos sol (sem ser na praia), que nos motivamos para olhar uns para os outros, em vez de ser através de um ecran?

Onde está o ritmo lento, das tarde sem fazer nada? 

Vivemos num mundo que nos exige constante ocupação, constante conexão, coisas rápidas, imediatas... E no meio disto tudo, estamos a perder o contacto com o mundo que nos cerca...

 

Bom, começou isto com comida e acabou no isolamento. Mas, se calhar, está tudo ligado, não acham?

 

P.S. Também está mais do que provado que um copo de vinho tinto e o chocolate negro (apesar de processados) fazem muito bem à nossa saúde. 

15
Mai18

Dia da família

Fatia Mor

Se dissesse que algum dia sonhei ou aspirei a ter esta família estaria a mentir. 

A noção de família sempre me foi intuitiva. Composta pela minha mãe, avós e tios maternos, era simplesmente isso! Tinha mais família, mas o sentimento não acompanhava a nomenclatura da mesma forma, por via da distância física e mental. Como essa existia, nunca fantasiei com mais nenhuma, nem com aquela que eventualmente viria a formar.

Agora olho à minha volta e vejo caos, desordem e purpurinas. Para onde me viro piso um brinquedo esquecido, há uma birra a gerir, há alguém a reclamar por cuidados e carinhos. Não são apenas as crianças. Nós também o fazemos, naqueles momentos preciosos de sofá, ou quando encostamos a cabeça na almofada para mais umas horas de sono.

Não sei bem quando começou esta família, onde te incluí nos meus planos, e passaste a ser para a vida toda. Mesmo que não sejas. Não sei quando me olhei ao espelho e vi que em vez de ser membro, era agora contributo maior. Só sei que esta família com que nunca sonhei, que nunca equacionei, é exactamente aquela que me faz falta. 

Esta é a família perfeita de imperfeições que me faz pôr tudo em perspectiva, que me faz crer num mundo melhor e me faz sentir, no fundo do meu ser, que vale a pena melhorar todos os dias por eles. 

A minha família é agora maior. E o meu coração também.

 

Feliz dia da família.

02
Mai18

Cabelos brancos... muito cabelos brancos!

Fatia Mor

Parece que os miúdos têm um capacidade irritante. Esperam sair de casa, chegar a um café, restaurante, estabelecimento comercial ou até mesmo o carro para se lembrarem que querem fazer cocó. Peço já desculpa aos mais sensíveis à palavra, mas acreditem que é bem melhor lê-la escrita aqui do que ouvir, em alto e bom som, onde quer que esteja e com quem quer que esteja à nossa volta:

 

Oh mãe, quero fazer cocó!

 

Adiante.

 

Lá fomos nós, ligeiritas até à casa-de-banho mais próxima daquela superfície que agrega várias lojas e dá pelo nome de shopping. Felizmente, já há uns tempos que estas casas-de-banho têm espaços destinados aos mais pequenos (um dia, quem sabe, falarei sobre isso).

 

Quando chegámos, encontrava-se uma menina a usar o espaço. Fatia#2, na sua forma expressiva de expor as coisas, referia que não aguentava mais. 

Começa, então, o que eu gosto de chamar "a evangelização do cocó". Também pode ser do xixi, mas aqui era só o número 2 a querer vir ao mundo!

"Oh filha, aguenta mais um bocadinho. Não falta nada. A menina está quase a sair. Vamos pensar nas lojas que vimos lá fora. O que será que o pai e os manos ficaram a fazer..." E lálálálá. 

A outra miúda lá se despachou, nuns segundos que pareceram minutos, e entrámos aceleradas.

 

Faço a preparação do espaço (noutra altura, senhores, noutra altura!), ela senta-se na sua sanita mini e lá faz o que tem a fazer.

Estava eu a tentar perceber se era coisa para durar quando batem à porta.

Digo-lhe eu:

- Despacha-te Fatia#2, que há um menino lá fora que quer usar a casa-de-banho.

 

Sua excelência franze-me o sobrolho, enquanto se esforça mais um pouco e responde-me calmamente:

Eles que esperem.

- Eles quê? Mas como assim-eles-que-esperem? Oh filha, então quando estavas aflita querias que a menina saísse e agora dizes isso?

- Oh mãe! Têm mesmo que esperar, não queres que eu saia daqui como o cocó meio "fazido"*, pois não?

 

E pronto, é isto, eles que esperem, que cocós a meio é que não! 

 

* Ela ainda conjuga os verbos todos como se fossem regulares.

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (https://www.flaticon.com/).