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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

22
Jan19

Fot'aventura - um feliz acaso!

Fatia Mor

Mas o que tens tu feito, FatiaMor? - perguntam vocês, meus adorados leitores.

Pois bem, o projeto Serendipity Photography segue nos seus passinhos, lentamente, a tentar crescer e impôr-se no meio da fotografia de retrato infantil, familiar e lifestyle.

E já que perguntaram, se quiserem vir ao Algarve, mais propriamente a Almancil, nos dias 2 e 3 de Fevereiro, porque não aproveitarem e fazerem uma mini-sessão alusiva ao dia dos namorados?

Conto convosco para uma visita?

21
Jan19

Da saudade

Fatia Mor

Há alturas do ano em que a saudade me ataca. Normalmente, é no Outono. A melancolia dos dias cálidos e das noites frias, da luz solar que teima em encolher, as folhas amareladas que se desprendem das árvores, despindo os ramos secos de um verão quente, o cheiro a castanhas no ar... Tudo isso me coloca no passado com relativa facilidade. 

Este "clima" mental quebra-se facilmente no inverno, depois da passagem de ano, em que nos enchemos de esperanças para "o que há-de vir". Posiciono-me mentalmente no futuro, sem grandes expectativas para não me frustrar e deixo-me ir até Junho, altura onde realmente faço o balanço do "meu" ano.

Mas estes dias, nem consigo precisar bem porquê, têm-me trazido vagas saudosistas. Talvez tenha a ver com o facto fazer 20 anos sobre o meu 12º ano. E se esse foi um ano! Nada de especial, mas tudo em novo. Namoros, decisões de vida - algumas dolorosas - autonomia, desprendimento. 20 anos.

Sento-me a trabalhar com músicas dos anos 90 e desfilam perante os meus olhos da alma os episódios mais caricatos que quase me arrancam lágrimas de riso. Olho para os miúdos, que se juntam por baixo da minha janela, depois de saírem da escola (ali mesmo em frente) e recordo-me das horas passadas nas escadas dos Olivença, em conversas sem fim. 

Penso nos amigos que nunca mais vi, que nunca mais soube nada, mesmo com a facilidade do facebook, do instagram e do diabo a quatro. Penso naqueles que foram tão importantes, que ainda me defino em relação ao que aprendemos juntos, ao quanto crescemos em conjunto. 

A vida é implacável no toca a estabelecer distâncias físicas, que nos fazem perder a noção de quanto gostávamos das pessoas. Talvez seja por isso que temos memória. Para nunca deixarmos as partes de nós que entregamos a quem amamos, perdidas no mundo. E para que não percamos a dimensão do que nos foi dado, nessa troca tão especial.

Pois, ando saudosa. Volta lá, oh Primavera, a ver se isto anima!

18
Jan19

Pequeno Fatia#3 armado aos cucos

Fatia Mor

O meu pequeno Fatia#3 está sempre pronto para se meter nas conversas que tenho com as suas irmãs, especialmente, quando elas estão a ouvir um responso. 

Ontem, depois de (mais) uma birra da Fatia#2 (aprendeu e não quer outra coisa), lá estava eu a falar com ela sobre o seu comportamento.

Indignada com o que lhe digo, faz-me os seus famosos "rolling eyes".

Paro o que estou a dizer, elevo a voz e digo-lhe:

- Mau!

Vem logo ele a correr, pára ao pé da irmã, mão na cintura e diz:

- Mau!

Olho para ele, seriamente, fito-o longamente e digo-lhe, num tom bem exagerado:

- Oiça lá, a conversa é consigo*?

Fatia#3: Não! - responde-me ele, com uns grandes olhos pousados em mim.

FatiaMor: Então, não se meta!

Fatia#3: Está bem... - diz ele, num tom meio desiludido.

E lá deu meia volta e voltou para os seus carrinhos, antes que sobrasse para ele.

 

Não perdem uma oportunidade de "sovar " o outro. São muito "caridosos"...

 

(*não trato os meus filhos na terceira pessoa do singular, 'tá? mas ajuda a meter um certo tom à coisa)

 

15
Jan19

Do querer

Fatia Mor

Quero pôr a alma entre as almas do mundo
Ser maior que o amor
Ser mais forte que o diamante que luz em mim.

 

Quero pôr os versos da minha vida
entre os escritos da poesia, da prosa, da rima
quero ser quem se estende pelas linhas, 
perdida no sabor da lágrima 
e no som do riso.

 

Quero ser mulher e menina,
quero ser pessoa, quero ser natureza
quero ser quem sou e deixar de ser 
quem não quero, nem posso ser.

 

Quero ter as mãos operantes que modelam o universo
que embalam o amor
que afagam as palavras que brotam pelas pontas dos meus dedos
que me sussurram aos ouvidos
que palpitam com o coração.

 

Quero tanto destes momentos que me esqueço...
Esqueço-me de os viver, de os sentir
fico suspensa na imensidão da existência a querer...

 

Por isso,
às vezes,

 

Quero não querer,
quero ser sem pedir
quero amar sem pesar,
quero chorar sem cobrar
quero rir sem motivo.

 

E é neste querer que sou e que me defino,
que me encontro e me alimento
que vou além do que é óbvio, do que é sensato.
Sou quem sou, por querer, mesmo que o seja,
sem querer.

14
Jan19

Efeito dominó

Fatia Mor

Tenho falado muito pouco de maternidade, coisa a que este cantinho se dedica(va).

 

Isto está cada vez mais complicado e ninguém me disse que ia ser assim.

Mentira, eu já sabia. Mas é interessante como continuamos a olhar para os nossos filhos e a idealizá-los num futuro próximo, como sendo as crianças perfeitas.

 

Não são. É que não são mesmo. São birras atrás de birras. Avanços e retrocessos constantes na sua autonomia. Quando achamos que conquistámos um pouco mais de sossego, eis que um período qualquer conturbado bate à porta, trazendo consigo noites mal dormidas, choros incontroláveis e ideias parvas.

 

Ultimamente, o sr. Fatia#3 não tem uma noite que, lá para as 4, 5 ou 6 da madrugada, não venha dormir connosco. 

Quê, crianças a dormir na nossa cama... Nunca!

Hã hã.

O problema é que ele grita mais alto do que os nossos ouvidos são capazes de aguentar e, acresce à sua imperturbável vontade, o malogrado efeito dominó. 

Não sabem o que é o efeito dominó?

Típico de quem tem mais do que um filho, agrava-se substancialmente de forma proporcional ao número de crianças presentes numa casa. O efeito dominó é provocado pelo achaque nocturno de um dos pequenos seres, que exigindo a plenos pulmões leite, água ou qualquer coisa que nos valha, acorda todos os outros pequenos seres que dormitam levemente nas suas camas. E quando damos por ela, passaram-se 3 horas a atender chamadas a xixis, águas, leite, mais xixis, fraldas cheias, e pedidos de virem pernoitar para o pé de nós porque têm medo do escuro.

Efeito dominó.

Por isso, meus amores, um puto que se atravessa na nossa cama, nos faz dormir destapados mas que dorme em silêncio e que também nos deixa dormir o resto da noite é, inegavelmente melhor que três crianças aos gritos nas suas camas. E nós fora da nossa.

 

 

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (https://www.flaticon.com/).