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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

17
Set18

2 anos

Fatia Mor

As maiores alegrias da nossa vida são, precisamente, aquelas que não foram planeadas. Apesar de não haver maior alegria do que ver os nossos efémeros sonhos alcançados, a verdadeira realização passa por aceitarmos aquilo que a vida nos traz de forma arrojada e corajosa. 

Foi assim, há uns 2 anos e 7 meses, quando descobri que vinhas a caminho. Foi assim, quando nasceste, sem dar cavaco a ninguém, 5 semanas antes do tempo devido. Foi assim quando enfrentei, pela primeira vez, uma maternidade sem um bebé ao meu lado, sabendo-te rodeado de máquinas, fios e muito amor, por parte de todos aqueles que aguardaram, pacientemente, para te pegarem ao colo e te encherem de beijos.

2 anos, meu filho, fizeste hoje 2 anos. E se alguém me dissesse, há 2 anos e 8 meses que iria ter-te enrolado nas minhas pernas, a gritar por colo, a exigir atenção, diria que estavam loucos!

És o epítome do "menino da mamã"! Falas pelos cotovelos e mais valia dizer que com os cotovelos, dado alguns atropelos típicos da idade. Correr é a tua cena e passas a vida a fazer maratonas pelos corredores desta casa que, não menos vezes, terminam em galos nessa cabeça, já de si dura, tanto literal como figurativamente.

Dotado de um sorriso enternecedor, ou não fora eu uma mãe babada, és um bebé - minto - és já uma criança capaz de tanta coisa, incentivado por estas irmãs malucas que vida te entregou.

Não há como não nos derretermos, quando te encaixas no nosso pescoço, enquanto chuchas no polegar direito (desde que nasceste) e nos babas até mais não. 

Foste e serás sempre uma das maiores surpresas da nossa vida... Mas, sabes filho, ainda bem que apareceste. Esta casa só faz sentido contigo (convosco) por cá!

12
Set18

18 anos

Fatia Mor

Esta semana tem sido pautada pela chegada dos novos alunos à universidade. 

Olho-os e penso em mim, há 18 anos (credo!!!). As expectativas, os sonhos, a vontade de crescer, de me emancipar. 

A universidade foi, para mim, tudo isso, mesmo sem sair de casa. Foi o momento em que passei a decidir por mim, a gerir a minha vida, de forma mais consistente e mais consentânea. 

Passaram-se, então, 18 anos e estão neste momento a chegar à universidade os bebés que nasceram nesse mesmo ano. Separa-nos um ciclo de vida, curiosamente. E separa-nos uma perspectiva social completamente diferente.

Hoje, enquanto circulava por pais que aguardavam, ansiosamente, que os seus filhos se desembaraçassem de um processo altamente informatizado e rápido de inscrição na universidade (o meu foi feito manualmente, ainda), apercebi-me que havia algo de estranho nesse cenário. Os pais! Quase todos os jovens se faziam acompanhar dos seus pais.

Puxei pela memória. Fui sozinha. Os meus colegas, com quem comentei, também. Uns da mesma idade, outros mais velhos. Tentei recordar-me e poucos eram os pais que há 18 anos estavam presentes naquela fila de inscrição na universidade. Eram principalmente os alunos, alguns funcionários que nos indicavam por onde ir e os académicos (terceiros anos) em pulgas para nos espetarem qualquer coisa na testa, para fazer sobressair em nós a condição de caloiros.

Poderíamos dizer que vieram muitos alunos de fora. Talvez. Mas também sabemos que mais de metade dos alunos, que escolhem esta universidade, são precisamente do Algarve. E, diga-se o que se disser, isto não é assim tão grande.

Curiosamente, os miúdos contrastavam com os pais ansiosos, mostrando grande à vontade nos seus telefones e tablets. São autênticos bichos sociais, activos e reivindicativos na suas (nossas) redes sociais e, ao mesmo tempo, necessitam dos seus pais na primeira grande oportunidade de emancipação.

Talvez este seja o primeiro choque geracional que vou sentir, assim, "à séria"! Lenta e gradualmente, ao longos dos 13 anos em que lecciono, tenho vindo a aperceber-me e comentar com os meus colegas que há um decréscimo da maturidade dos alunos que chegam ao ensino superior.

Há uns anos, acentuou-se. Dificuldade em compreender o nível de autonomia que é requerido, não saberem fazer a transição entre momentos de lazer e convívio e a postura adequada num espaço de aprendizagem, o constantemente exigirem um adaptar às suas necessidades, sem compreenderem a necessidade de corresponder a um bem maior e mais abrangente, entre outras situações que, antes eram esporádicas, e agora vão-se tornando mais comuns.

Seria injusta se não dissesse também que, com o passar dos anos, assiste-se uma transformação clara, qual lagarta em borboleta de mil cores. Mas, demora mais tempo, é mais trabalhosa e nem sempre se conclui de forma a que os alunos entendam a instrumentalidade de um grau de ensino superior que vai além do canudo e de histórias memoráveis de noites de copos, para contar em jantares de reunião, anos mais tarde.

Estamos a criar jovens mais dependentes, mais imaturos do que fomos, talvez por medos e receios que estas novas formas de informação nos trouxeram. Desvirtuamos as capacidades dos nossos filhos, fazendo deles menos capazes, fazendo-os falhar o seu potencial. Temos medo por eles. Os nossos pais também tinham, mas tiveram a coragem de nos deixar abrir as asas e voar. 

Oiço, amiúde, as coisas não são como antigamente. Pois não, concordo. São melhores. Mas curiosamente, isso fez-nos mais temerosos...

 

11
Set18

Escreverem por nós

Fatia Mor

Sei que o tema é batido. Possivelmente, a maior parte de nós já recebeu propostas para publicar algo, referente a um produto ou serviço, proposto por uma agência de comunicação ou algo semelhante.

Não critico, minimamente, quem aceite. No fundo, são conteúdos para um blog que não se alimenta sozinho. Devo dizer, até, que tenho tido grande dificuldade em preencher as páginas em branco deste, portanto, entradas à borla até que nem me parece um mau negócio.

Mas, quando comecei este blog estava longe de imaginar que o mesmo pudesse ser um veículo comercial. Nunca foi essa a minha ideia. Nunca pensei em ganhar o que quer que fosse que as letras que aqui debito. Pode parecer uma santificação de discurso ao tipo "olhem para mim, tão íntegra" mas, neste caso, até nem é!

Nunca pensei. Se um dia me dissessem que podia ganhar o equivalente ao que aufiro agora, só a partir desta plataforma, digo-vos já que não hesitava um segundo. Se isso me comprasse mais tempo de qualidade com os meus, era num piscar de olhos! Mas esse tipo de ideia é apenas uma ilusão, como muitas outras. Tudo dá trabalho.

Ora, quando vejo estas acções predatórias, que se atiram a tudo o que tecla, fico um pouco desapontada. Suponho que a taxa de sucesso dos mesmos seja baixa (ou então, leio muito pouco para me aperceber da semelhança de conteúdos). Ainda assim, pergunto-me, quanto posts já li eu que não eram de autor? Qual a utilidade de o fazer?

Visibilidade, talvez. Tentar crescer no mundo dos blogs, eventualmente. Mas desvirtuar tudo aquilo que um blog representa, também. Ser blogger profissional implica, talvez, abdicar de algo que nós, os amadores ainda não temos que ceder: sermos nós mesmos (passo o pleonasmo).

Quantas vezes, depois de ler um post até giro, bem escrito, interessante, noto, em letras minoradas "post escrito em parceria com...". Sei que é outra liga, mas fica-me sempre a dúvida de quanto está ali do blogger, quanto está ali da agência. Talvez me importasse menos se anunciassem claramente que aquele tempo de antena é agora da responsabilidade da marca tal e talvez lesse à mesma o post, com o mesmo interesse em conhecer novos produtos e serviços.

Seja como for, aqui, garanto-vos. É tudo escrito por mim. E se algum dia, não for, serão os primeiros a saber!

 

 

04
Set18

A crescer

Fatia Mor

Os dentes caem-lhe deixando buracos que rapidamente são preenchidos por outros dentes, maiores e mais resistentes. Cresceu e aumentou o peso durante as férias, deixando as calças "a regar", os calções demasiado curtos e as t-shirts vestidas com ar de quem já não cabe bem lá dentro. Quando dou por mim, emite opiniões, tem interesses e aparenta já ter os seus próprios fantasmas e ansiedades. 

A escola está ao virar da esquina e já consegue dizer o que sente quando pensa nisso. Está a crescer a olhos vistos e isso faz-me ver que o sentido da vida é todo o mesmo. Menina agora, mas essa ideia está para partir e em breve não tenho mais uma criança em casa, mas sim, um protótipo de mulher. Sei que ainda leva alguns anos nesse lume brando, mas ultimamente, a infantilidade parece estar a desaparecer.

Percebe subtilezas no discurso e usa-as também. Disfarça, enfatiza, mostra enfado para rir em seguida por estar a ludibriar-nos com sucesso. Percebo agora a resistência de todos os adultos em aceitar que somos seres independentes. Que crescemos. É bom acalentar a ideia de que seremos sempre o seu norte, mas a verdade é que este será apenas a referência para partir para outros rumos.

Por muito que esforce, ela é ela mesma e a isso nunca poderei fugir. Não é minha, não é um prolongamento meu e o meu raio de influência começa a fechar-se com a passagem dos dias.

Agarro-me com força ao mais pequeno, que ainda me trepa pelas pernas quando chego a casa e à do meio que ainda procura o meu colo. Cabem todos, mas lentamente, a menina mais velha começa a ceder o seu espaço para conquistar a sua independência.

Sei que ainda falta... mas a verdade é que ainda ontem faltava muito tempo para começar o seu percurso na escolaridade obrigatória e olhem, é já daqui a uns dias. Deixem-me preparar para o que aí vem...

 

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