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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

03
Ago16

Umas dicas para sobreviver a esta coisa da maternidade

Fatia Mor

Uma voltinha no facebook e mais uma entrada sobre as 10 dicas para amamentar. Ou sobre a chucha. Ou sobre as frases que nunca devemos dizer a uma criança. Ou o que fazer quando temos filhos. 

Dou-me conta que, numa ânsia de pôr de parte as conversas (in)úteis dos familiares mais velhos e versados nesta coisa da maternidade/paternidade, os substituímos por todo um conjunto de informações profundamente inúteis a que damos profunda relevância por estarem online.

Como eu sei que as grávidas/mães são um bicho que sofre patologicamente de ansiedade, em parte porque a pressão social para sermos pais perfeitos está ao rubro, e na outra parte porque a cabeça de uma gestante/mãe é uma rave hormonal capaz de encostar a um canto qualquer festival de verão mais intenso, achei por bem deixar aqui umas dicas para sobreviver a esta coisa da maternidade. (E acho que também serve para os pais)

 

Dica #1 - Desenvolvam uma resposta na ponta da língua.

Não percam tempo com perguntas e respostas idiotas...

 

Vamos fazer aqui um pequeno roleplay...

Pessoa: Então como se vai chamar o/a bebé?

Grávida: Maribel Flumentínio de Sousa e Sá

Pessoa: Huuummm... Não gosto muito do nome Flumentínio.

Grávida: Azar.

 

Pronto, perceberam? Deixem de estar com agrados, subterfúgios. Ninguém tem que gostar do nome que vocês escolheram para o vosso filho, mesmo que esse nome faça com que seja gozado o resto da vida na escola. Vocês é que vão pagar pela terapia, portanto... Vocês é que sabem.

 

Dica#2 - Suplantem sempre as expectativas.

Mais um roleplay.

Pessoa: Que linda barriguinha! É o primeiro?

Grávida: Não, é o 7º e acho que não vamos ficar por aqui.

 

Dica#3 - Oiçam todas as teorias.

Pessoa: Com o meu João Miguel o que resultava era tomar banho de manhã. Se fosse à noite não dormia.

Mãe: Interessante.

Pessoa: Vais seguir o meu conselho?

Mãe: Não, mas achei os sapatos naquela montra bem interessantes. Já viste o preço?

 

Oiçam, mas não sigam. Cada criança é única e tenho a certeza que vão descobrir sozinhos o que funciona. E se tiverem que ouvir algumas, oiçam as da vossa mãe. Para o bem ou para o mal, foram elas que vos puseram onde estão hoje. Dependendo de como resultaram, podem copiá-las ou então fazer exactamente o inverso!

 

Dica#4 - Recebam as visitas em casa como se fossem família.

Aproveitem a visita deles para tomar banho, pedires-lhe para estenderem uma roupinha, tomarem conta dos miúdos enquanto vão ao supermercardo, ao cabeleireiro, ou simplesmente enfiem-se na casa-de-banho por 10 minutos. Se forem amigos à séria aguentam e voltam! 

 

Dica#5 - Não acreditem em tudo o que lêem na internet.

Há quem tenha filhos que dormem 12 horas de seguida desde o dia em que saíram da maternidade. E criaturas que começaram a comer de faca e garfo com um ano. Ou que largaram as fraldas aos 16 meses e até hoje são do mais asseado que há. Pois há. Mas normalmente esses pequenos génios nunca nos calham a nós.

E depois há as tabelas do que uma criança deve fazer em determinada idade. E algumas até são tão fixes, que explicitam concretamente o que a criança deve fazer para estar num nível avançado!!! E quem não quer um pequeno Einstein em casa? 

Nós! Nós não queremos. Ao que parece o Einstein era problemático na escola, chumbou a física (deve ser mito mas eu reproduzo) e no fim, só em adulto, é que a coisa resultou minimamente. 

Portanto, esqueçam lá que crianças com 18 meses já têm a dentição completa...

 

Dica#6 - Não se culpabilizem.

Se há coisa que a nossa sociedade está a fazer de forma perfeita é criar pais com complexo de culpa. Levantou a voz? Ai minha nossa senhora dos afónicos, que má mãe. Deu salsichas ao jantar? Ai minha santa Ágata Roqueta das Dietas, que a criança vai ser obesa. Não dás apenas alimentos biológicos? Não educas de acordo com a última tendência educativa do Professor Doutor Armenildo Formosinho? Oh minha grande besta, vai já ler os livros e recomendações todas... Mesmo que não façam sentido, não se adaptem ao vosso estilo de vida...

Nada de culpas, nada de medos. A verdade é que quem somos, irá ditar em grande medida os pais que nos vamos tornar. Não podemos achar que vamos mudar do dia para a noite, quando a criança nascer. As mudanças serão graduais, os ajustamentos também. Não se culpabilizem e sejam pacientes, convosco!

 

E só para ser do contra... Não vou dar 10 dicas mas apenas 6...

Querem mais!? Leiam o resto do blog que tenho a certeza que vão encontrar muita coisa de jeito! (ou não!!!)

 

 

 

 

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