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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

06
Jan15

Trabalho: Mãe

Fatia Mor

Tenho ido com a Fatia#1 ao parque durante a manhã para que disperse alguma da energia acumulada. Apesar do pânico ao ver os pombos e do encanto com os pavões (a quem carinhosamente chama de cavalos, ainda não percebi porquê) - sentimentos que considero um erro de prioridades já que os últimos são maus como as cobras - lá vamos nós andar de baloiço e de escorrega. O parque onde vamos é dos poucos onde existem módulos adequados ao tamanho da Fatia#1 e é um espaço bem bonito para passear, não fosse o lixo, os riscos que os parvos dos adolescentes deixam por todo lado e a má preservação a que infelizmente já estamos habituados.

Curiosamente, e contrariamente ao que esperava, nunca vemos mais nenhuma criança a brincar. Na hora mais quentinha do dia, seria de esperar que outros por ali parassem, a aproveitar o que a natureza nos dá de melhor. É interessante ver que mais depressa encontramos mães e suas crias na grande superfície comercial a passear do que no parque! Mas ainda assim em menor número e normalmente mães de licença, com os seus carrinhos e bebés de colo, mais do que crianças da idade da Fatia#1.

Nunca pensei que a profissão de mãe estivesse tão em desuso. Parece ser cada vez menos provável que as mulheres optem por "apenas" educar os seus filhos. Na verdade entristece-me porque se não o fazem é claramente porque não podem. 

Este período mais caseiro, com ambas as pequenas fatias em casa, apesar de muito exigente, é evidentemente uma enorme recompensa. A possibilidade de atenção, afecto e educação multiplica-se como nunca antes. E curiosamente, começo agora a ver algumas alterações no rebelde feitio da minha Fatia#1 devido a essa dedicação 7/24h. Começa a parecer mais calma, menos birrenta e menos desafiadora. Poderá ser apenas um efeito do tempo. Mas também pode ser um efeito de estar com a mãe em casa. 

Ainda que ela vá ser sempre um espírito rebelde (aliás, as suas respostas na ponta da língua de uma pirralha de dois anos assim o atestam), a sua docilidade parece ser directamente proporcional à atenção recebida. 

Apesar de também eu ser escrava do trabalho, não posso deixar de pensar no que estou a perder. Ser profissional da maternidade é um cargo em vias de extinção e custa-me, particularmente agora, que as nossas políticas de protecção à parentalidade não tenham mais visão e acutilância!

Quem sabe um dia...

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