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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

07
Jul17

Tão inteligente, a cachopa!

Fatia Mor

Eu, a avó Fatias e a Fatia#1 fomos ao supermercado. Como todos os pais sabem, fazer coisas destas com crianças constitui uma actividade de alto risco para os adultos, com níveis de adrenalina a superar um salto com elástico, comprado numa loja dos 300, do cimo de uma ponte.

Estávamos a tentar contornar o corredor dos brinquedos, que os senhores do hipermercado colocaram logo à entrada, no ângulo de visão destes pequenos seres. Além disso, tivémos a sorte de encontrar uma conhecida que estava colocada bem perto da entrada para o inferno parental e, como tal, não tivémos opção. Respiramos fundo, atravessámos o dito e preparamo-nos para o pior. Que não tardou nada...

 

Fatia#1: Posso escolher um brinquedo avó? 

(a esperta da miúda volta-se logo para o elo mais fraco do trio, sabendo-se que os avós cedem mais depressa a estes pedidos "à gato das botas")

AvóFatias: Está bem.

(eu não disse?)

AvóFatias: Mas olha que não pode ser caro porque também quero levar um miminho para os manos. Fazemos assim, tem que ter apenas um número à esquerda da vírgula.

 

Não sei se avó Fatias achou que ela ainda não desenvolveu a lateralidade e teria dúvidas quanto ao que ver aos lados das virgulas, ou se ela não sabia distinguir entre um algarismo e dois. Seja como for, colocou-se à conversa e deixou-a a investigar bonecada e etiquetas de preços.

Passados uns minutos, a Fatia#1 aparece ao pé da avó com duas bonecas, tipo Barbie, na mão. 

 

Fatia#1: São estas avó!

Avó Fatias olhou para aquele festival e achou que era muito caro.

- Oh filha, não pode ser que isso é muito caro.

Fatia#1: Mas tu disseste um número à esquerda da vírgula. E é!

Avó Fatias decide ir ver e depara-se com as bonecas a 8,99€. Depois de se fazer de mil cores, lá disse que sim:

- E a outra? Só levas uma, filha.

 

Fatia#1: É para a mana. Assim não nos chateamos e fica cada uma com a sua, pode ser?

(soma!)

- Agora só falta escolher para o mano. Olha pode ser este, também só tem um número à esquerda da vírgula.

 

E foi assim que saímos do hipermercado. A Fatia#1 com três brinquedos nas mãos, toda contente. A avóFatias 20€ mais pobre!

 

 

29
Jun17

Aceitam-se sugestões

Fatia Mor

Todos os dias lemos a história, à noite. Ultimamente, e porque a Fatia#2 está a crescer e quer fazer valer os seus gostos e interesses, lemos dois livros.

 

Ora, apesar de ainda ter um número considerável de livros infantis em casa, não chega para ler histórias novas - ou pelo menos, não repetidas - todos os dias. Com rapidez damos a volta ao espólio e acresce, ainda, as preferências da petizada por uma história ou outra.

 

Elas estão numa idade em que as histórias já não podem ser demasiado simplistas, correndo o risco de não ter interesse, mas ainda não têm paciência e resistência para histórias infanto-juvenis, muito longas e com muitas personagens.

 

Daí a minha questão: alguém conhece alguma colecção de interesse para crianças de 5 anos?

09
Jun17

Ser mãe sobressai o que há de pior em mim (momentos de desabafo)

Fatia Mor

Não é todos os dias. 

 

Tenho alturas em que consigo gerir as exigências familiares com a doçura do mel e a agilidade de uma ginasta. 

Nesses dias acho que sou extremamente competente nesta "tarefa" que é a maternidade e que, de facto, ser mãe faz sobressair o que de melhor há em mim.

 

Mas não posso negar que ser mãe também sobressai o que há de pior em mim.


Desde que me conheço que me analiso, mas desde que sou mãe, então, faço-o mais! A verdade é que a maternidade é como se estivesse em frente a um espelho, a escarafunchar cada milímetro do meu ser, a ver em directo as reacções do mundo às minhas acções.

 

Nos momentos em que vejo as suas reacções desproporcionadas e a minha ineficiência em contê-las, sinto-me a pior pessoa do mundo.

 

Desde que sou mãe reparo na forma irreflectida como reajo, antes sequer de pensar na resposta mais adequada.

 

Sei que a minha paciência esgota-se muito antes do recomendável e tenho o péssimo hábito de lhes dar uns gritos quando a coisa começa a descambar muito.

 

Sou pouco tolerante às alterações de rotina e enervo-me quando vejo as horas a derrapar no relógio.

 

Irrito-me com extrema facilidade quando me desafiam a minha autoridade e só penso como será quando chegarem à adolescência! (as fatias meninas parecem que entraram na pré-adolescência... muito antes do recomendável!!!) 

 

Muitas vezes não tenho força nem vontade de colocar a mente em modo criança, para brincar, e nesses dias o que me apetece é que cresçam para termos conversas de adultos. 

 

São as minhas arestas e é a muito custo que as reconheço ao mundo, no esforço de as modificar todos os dias, um bocadinho. 

Quero educar boas pessoas, saudáveis de mente, e vivo no medo (aterrador) de que não o sejam. De que estas incoerências, estas invigilâncias pessoais resultem num sem número de dificuldades individuais e sociais, que os prejudiquem a longo prazo.

 

Podem até ser tolices da minha cabeça, mas se não for eu a mudar, fica tudo na mesma...

31
Mai17

Descomplicar...

Fatia Mor

Os fins de tarde são caóticos. Muitas vezes, antes de entrar em casa, onde sei que já estão os três à minha espera, fico no carro dois minutos, de portas fechadas e em silêncio. É preciso retemperar as forças para enfrentar aqueles fenómenos da natureza, com os melhores pulmões que eu já vi e com uma colocação de voz impressionante!

Basta ligarem-me ali pelas 18h para perceberem o que estou a dizer! 

Para conseguir operacionalizar os banhos, os jantares e as dormidas é preciso entretê-los. Neste campo, a televisão é a minha grande aliada. Mas não deixo de sentir alguma culpa sempre que os coloco a ver o panda, com a excepção do Fatia#3 que ainda prefere os bonecos bamboleantes que pendem da sua espreguiçadeira. Por menos que queira, a televisão faz parte da nossa rotina e é essencial para prevenir que tomem um segundo (ou terceiro) banho, enquanto trato dos restantes (ou coisas piores)!

Vivo nessa dúvida. O que fazer com eles para se entreterem? Então, há uns dias, descompliquei! Peguei numa fita cola de papel (não sei se é esse o nome) e pus-me a "desenhar" o jogo da macaca no chão! 

Expliquei-lhes que no meu tempo (creeeeedooooo) não havia canais de televisão que passassem desenhos animados a toda a hora, nem tão pouco tinha direito a ver o que queria. Isso eram os mais velhos que decidiam. E que muitas vezes tinha que puxar pela imaginação para brincar, com a desvantagem de que não tinha irmãos para o fazer. Na verdade, passava muito tempo aborrecida, sempre que penso nesses tempos, sem nada para fazer e talvez tenha sido isso a desenvolver o meu gosto pelos livros.

Digo-vos... foi um sucesso. Levaram o tempo a tentar saltar, a percorrer os caminhos da macaca com uma bolinha (já que não há pedrinhas lá por casa) e tudo animado! Até eu e o pai brincámos à macaca e descobrimos que era bem mais fácil quando éramos pequeninos!

Por vezes é preciso descomplicar, mas a imaginação nem sempre me assiste... Alguém tem mais ideias de como conter crianças entre os 2 e os 4 anos, sem envolver pintar paredes, sofás ou móveis?

 

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (http://www.flaticon.com/).