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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

29
Set17

Memórias

Fatia Mor

Dou por mim, inúmeras vezes, a olhar para os lugares que fizeram parte da minha infância e adolescência com a sensação de que nunca pertenci ali.

Olho e vejo, quase em dupla visão, o que era e o que sou, assistindo a uma discrepância absurda que me faz questionar como cheguei aqui!

Mas vezes há em que sou confrontada com o passado na forma de pessoas e não de lugares.

O estranho diferencial apaga-se e dou por mim a corresponder à memória que ambos temos. Momentaneamente, parece que perco todas as conquistas e a insegurança de outros tempos chega-me, castigando a minha segurança e o meu valor conquistado.

Não sei se é algo visível ou se apenas é uma percepção minha.

Gosto de quem fui, mas gosto mais de quem me tornei e arrelia-me que a sombra do passado volte e, principalmente, que me incomode.

Logo a seguir, volto a ser quem sou. Volto a ser quem conquistei e que me é natural. Imagino que quem parte pense "está miúda não mudou nada". Mas a verdade é que mudei e só a visão do passado é que não permite que todos vejam em quem me tornei. 

13
Set17

Clube das mães

Fatia Mor

Não sei lá muito bem quando é que me juntei a este exclusivo clube que divide o mundo em duas partes: de um lado as mulheres-mães e do outro aqueles seres que ainda não o são. 

 

Quando estava do outro lado da barricada, confesso que este clube sempre me tirou do sério.

 

"Quando fores mãe é que vais perceber!" ou "Só quem tem filhos é que sabe!"  pareciam ser santo-e-senha destas destemidas guerreiras que teriam encontrado o belvedere do mundo e só partilhavam a sua localização com aquelas que tinham padecido com as dores de parto (fossem elas quais fossem).

A falta de empatia demonstrada pela minha suposta falta de capacidade de sentir algo sem nunca o ter experimentado, banzava-me. Seria o mesmo que considerar que os médicos só poderiam tratar as doenças de que já padeceram ou que os padres não poderiam fazer aconselhamento conjugal porque nunca teriam provado os amargos do matrimónio!

Claro que era capaz de entender o padecer das noites em branco e juro que compreendia os desafios educativos de uma criança. Aliás, tinha euzinha concepções muito bem fundamentadas de como corrigir um comportamento indesejado ou de como construir uma personalidade segura! 

 

E depois fui mãe.

 

Acho que não me juntei logo ao clube assim que concebi por uma questão de sorte e por querer acreditar que teria um filho perfeitinho, tal e qual como os livros descreviam. Mas devo-me ter juntado assim que a Fatia#1 abriu as goelas a chorar e só as fechou quatro horas depois, em exaustão! Minha e dela.

As lágrimas caíam-me copiosamente no colo, molhavam-me a roupa e a manta dela, enquanto eu a embalava suavemente em desespero por sentir que estava, logo ali a falhar redondamente como mãe.

Talvez tenha sido nesse dia, ou nos seguintes, que aquilo que estas mães me queriam dizer era que na verdade nunca sabemos bem ao que vamos até irmos. Não é que as outras pessoas não percebam o sentimento, mas temos que esconder o desespero, o medo irracional de algo acontecer, o sentimento de solidão quando estamos rodeados de todos os carinhos e conselhos (tantas vezes descabidos e absurdos), com o respectivo ruído de fundo que causam, enquanto tentamos criar um vínculo com alguém que é suposto amarmos com todas as nossas forças.

Isso, infelizmente, podemos empatizar, mas sentir, só mesmo depois de sermos mães. 

 

Por isso, perdoem-me se alguma vez disser algo como "depois logo entendes", parecendo que estou a diminuir a vossa capacidade de empatizar. Pelo contrário, estou apenas a dizer o indizível, o que é incapaz de se transpôr em palavras. 

É que apesar de não ter feito a inscrição, nem pago a jóia ou o seguro, infelizmente, às vezes faço parte do Clube das Mães e parece que depois de lá estarmos, o número de sócio é para a vida!

 

Nota confessional: É que acabei de dizer uma coisa destas e até se m'arrepiou a espinha quando ouvi!

 

12
Set17

Onde anda o romantismo?

Fatia Mor

Apesar de, assumidamente, não ser uma velada romântica, sempre à procura do gesto que nos faz tremer nos tornozelos, ainda sou capaz de apreciar pequenos-grandes gestos de amor.

 

Ora bem! Obrigada a parar numa pequena rotunda que dá acesso ao centro comercial aqui da "vila", observo um casal de adolescentes no passeio.

Ele, com uma rosa vermelha, bem volumosa, estendida na direção dela. 

Ela, ao telemóvel, a olhar para a situação com desdém. 

Enquanto estive parada, e ainda foram alguns minutos por circunstâncias do trânsito que empancou devido à perícia (#not) de alguns condutores,  a situação manteve-se assim. Parecia congelada no tempo, com a excepção da expressão do miúdo que parecia assumir contornos dolorosos.

A criatura não foi capaz de esboçar um sorriso, de se retirar da chamada que decorria, nem tão-pouco de aceitar a rosa, pelo menos enquanto pude ver a telenovela que ali se desenrolava.

 

Fiquei a pensar... Será que o romantismo está assim tão mal visto nos dias de hoje? Estaremos assim tão insensíveis aos gestos "sensívóhumilhantes" que os outros fazem para nos mostrar o quanto gostam de nós? Ou será que já, tão jovem, conseguiu errar tanto ao ponto de ela não se coibiu de o desprezar à força toda?

 

Apostas, aceitam-se!

11
Set17

Trocadinha da Silva

Fatia Mor

Todos os anos, após as férias, é a mesma coisa.

Troco-me toda nos horários.

Possivelmente, fruto da inconstância de horários do mês de Agosto, chego à cama e nada de sono.

Dou voltas até às duas e meia da manhã, altura em que o meu corpo me dá tréguas e a minha mente finalmente desliga.

O problema? Acordar! Qual bela adormecida, sem as minhas oito horas de sono não funciono e fico mais para lá do que para cá.

O curioso é que não me acontece isto durante as férias nem passo tempos a deitar-me a esta hora. E acordar tarde, então, nem pensar!

Parece apenas ser uma reacção à entrada na rotina. Talvez até uma repulsão aos horários e à necessidade de dormir para funcionar.

Se calhar, é isso! Um boicote geral do meu corpo para que eu não me sinta em condições e tente prolongar as férias.

Ou cansaço.

 

É que férias, assim a sério, foram há 6 anos...

 

Resta saber se sou a única vítima deste efeito. Há mais alguém por aí? 

29
Jun17

O medo de voar

Fatia Mor

Passei vários anos da minha vida em que viajar de avião significava, apenas, apanhar mais um meio de transporte público.

Fazia voos de maior ou menos distância com a mesma tranquilidade em que entrava para um carro e achava um piadão a tudo o que dizia respeito ao avião. O melhor momento era a descolagem. A força daquele aparelho, em grande velocidade, a levantar-se do chão e a encostar-nos às cadeiras era, no mínimo, emocionante.

Um dia tudo mudou. 

Um voo que correu menos bem, devido à turbulência que se fazia sentir, um "poço" de ar que nos fez cair durante uns segundos mais longos que o habitual e o medo instalou-se.

Primeiro, fez-se anunciar numa angústia leve quando entrava no avião. Depois, começou a tomar conta dos meus pensamentos nos momentos antes de começar a viagem. Logo a seguir, começou a contaminar os momentos antes de entrar no avião e, um dia, não consegui embarcar. Passei a noite numa angústia fóbica desmedida, a chorar, a hiperventilar, e desisti!

Passaram-se quase seis anos desde esse dia e tenho mantido mil e uma desculpas para não voltar a voar, entre gravidezes, crianças pequenas e falta de tempo ou dinheiro.

Mas não posso protelar isto por muito tempo. Hoje vi na NiT o que poderá ser o primeiro esforço. 

easyJet lança curso online para quem tem medo de voar

 

Aparentemente, há um curso de 2h30 que promete conseguir dar-nos estratégias para lidar e enfrentar este medo.

 

Não conheço o grau de sucesso do curso mas talvez não custe tentar. Ao menos, é mais em conta que o curso da TAP. 

Adorava voltar a sentir prazer em voar, sem estar constantemente a pensar que o avião se pode despenhar, que podemos morrer e nas sensações que uma situação dessas pode trazer. No fundo, o avião é para mim uma fobia de morte. Tenho medo de morrer a voar, ainda que saiba que a probabilidade de isso acontecer é inferior à probabilidade de morrer num acidente de viação, por exemplo.

 

Vamos ver. Nos próximos anos há uma viagem que garantidamente terei que fazer de avião e esperava não ter que passar por figuras muito tristes quando esse dia chegar!

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