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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

02
Ago17

Férias

Fatia Mor

Estou de férias! Finalmente! E isso significa que tenho muito menos tempo para vir aqui. Entreter três crianças e tratar das lides domésticas tomam-me o dia todo, para não dizer a noite!

 

Prometo tentar passar por cá, para ir deixando novidades, mas o mais certo é voltar ao activo quando voltar ao trabalho.

 

Até lá, umas boas férias para todos. 

 

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11
Abr17

Educar uma menina a mulher

Fatia Mor

A educação é a maior tarefa que um pai tem a seu cargo. Implica, acima de tudo, dar as bases morais a um filho para que este se mova na vida, pautado por princípios que lhe permitam respeitar-se, sem prejuízo do próximo. 

 

Não é fácil! Ainda não me tinha apercebido dessa monta, até porque connosco parece que tudo foi feito de forma fluída, sem esforço. A verdade é que esta simplicidade aparente resulta apenas da nossa perspectiva. Basicamente, não nos apercebemos do nosso crescimento, como nos apercebemos do crescimento dos nossos filhos.

 

Essa preocupação redobra-se com as minhas filhas. 

 

Não é por um tema estar batido, que deixa de causar impacto. Por onde quer que eu olhe, há uma quantidade enorme de informação que se foca na sexualização e objectivação da imagem da mulher. As mensagens que veiculam não deixam muito à imaginação: é preciso ser-se bonito. É preciso ter-se um corpo perfeito. Desempenhar um papel de forma perfeita: o de ser mulher. 

 

Olho para trás e penso em quantas vezes achei que não era bonita. De quantas vezes me interroguei porque seria que todos os rapazes de quem eu gostava, invariavelmente, gostavam de raparigas mais altas e mais magras do que eu. O meu único trunfo era ser inteligente. E mesmo esse ser inteligente resumia-se a estar entre os melhores alunos das turmas a que pertencia.

 

Durante esse período, nunca fui capaz de acreditar nas minhas capacidades sociais, na minha personalidade. Sempre tive o bom senso de não seguir por atalhos sofridos para alcançar patamares que atraíam as minhas fontes de afecto. Mas fechei-me muitas vezes, no meu casulo alimentado a livros, onde vivia tudo aquilo que não consegui viver na minha vida real. 

 

Anos mais tarde, aprendi a gostar de mim. Compreendi que o ideal não é ser "a mais bonita da festa". A verdade - como diz uma fase motivacional que às vezes vejo por aí - é que a beleza de outra mulher não anula a minha. Não tenho constantemente que estar a competir por um pódio que tem prazo de validade: vão sempre existir mulheres mais belas, mais inteligentes e - olhem a novidade - mais novas do que eu!

 

A natureza é sábia. Retira-nos a juventude para nos dar sabedoria. E ambas coexistem por tão pouco tempo para não nos apegarmos demasiado ao que vamos perder, em breve.

 

A Fatia#1 chorava no fim-de-semana porque um colega da escola lhe tinha dito que era feia. O seu raciocínio, do alto dos seus quatro anos, era que se pusesse maquilhagem ficava bonita. 

 

Fiquei em pânico! Ela é uma criança linda! Mais ainda aos meus olhos, mas consigo ver-lhe a beleza para lá da "mãezice" que há em mim. Não consigo fazê-la entender para lá do que os olhos vêem porque o seu nível de abstracção não lho permite.

 

Quero que se olhe ao espelho e que perceba que o seu impacto nas nossas vidas vai além do que ela vê. E que vale mais do que ela consegue avaliar. Que mesmo que fosse a criança mais feia do mundo, continuaria a ter as mais belas qualidades consigo. Gostava que ela entendesse que aquilo que vê no espelho será transitório e que apenas conseguirá transportar consigo na vida as conquistas internas que fizer. Que mesmo que uma ou mais pessoas não gostem do seu aspecto - seja qual for o motivo - que a beleza é um atributo relativo, enquanto a empatia, a bondade, o amor, não o são. 

 

Está longe de entender todos estes conceitos. E sei que vai chorar muitas mais vezes por não corresponder ao que os outros esperam dela, ou pelo que ela gostaria que outros apreciassem. 

 

Mas farei os possíveis para os educar, a todos assim. A ver além do óbvio. A apreciar o que há de melhor em cada pessoa. A valorizar o que é perene. A ser capaz de entender o que de bom cada pessoa tem, independentemente da forma como se apresenta ao mundo.

 

Só ainda não sei como vou fazer isso...

 

17
Mar17

6 meses

Fatia Mor

Gosto do teu sorriso desdentado, que me enternece a alma, assim que chego perto de ti.  

Adoro a forma apaixonada com que olhas para mim e para as tuas irmãs, mesmo quando gritam à tua volta e saltam por cima de ti.

Quando abres muito os olhos, tomado de espanto por alguma coisa nova no teu mundinho, deixas-nos derretidos. Percebe-se pela mesma expressão, meio assustada meio espantada, que não gostas nada das toalhitas frias, que usamos para te limpar. Mas nada que uns beijos sonoros no pescoço ou na barriga não resolvam rapidamente, transformando tudo numa gargalhada pegada.

Enternece-me ver como encaixas perfeitamente no colo do papá, quando ele te embala.

Adoro pegar nos teus pezinhos, despidos e suados, para os encher de beijos. 

Tenho pena que o tempo não me deixe ver-te crescer. Se o amor se multiplica por três, a atenção divide-se sempre, e tenho a sensação que cresces despudoradamente nas minhas costas e à minha revelia.

Apetecia-me congelar o tempo nesta fase maravilhosa, manter-te nos meus braços só mais um bocadinho, mesmo contigo empenhado em tirar-me os óculos da cara ou em puxar-me os cabelos. 

Fazes hoje seis meses. Seis meses que já não fariam sentido sem ti. 

 

01
Mar17

Olá, sou mãe nas horas vagas!

Fatia Mor

Depois de um dia de trabalho, em que tentamos remar contra a corrente, chegamos a casa na ânsia de descansar o corpo e a mente.

O dia pode ter corrido bem ou menos bem (sim, sou das que vê o copo meio cheio), mas em qualquer das situações, tudo o que não apetece é entrar numa casa onde imperam os gritos, a desarrumação, as birras, os choros!

Ao contrário das famílias perfeitas que a TV nos vende, em que todos jantam de forma alegre e divertida, pratos coloridos, com sopa ao lado, e ainda iluminados por uma réstia de luz do sol, a verdade é que a realidade está longe desse patamar idílico.

A realidade é um pouco mais crua, um pouco mais dura e um pouco mais escura.

Há os banhos para dar, há crianças para entreter, há horários e necessidades diferentes para atender. A sensação que eu tenho é que estou dentro de um filme que corre em loop, em que todos os dias são iguais, em que não noto diferenças ou melhorias como me dizem que vai acontecer.

E eu sei que vão acontecer. Ainda ontem a Fatia#1 nasceu, distraí-me, pisquei os olhos, e ela vai a passos largos a caminho dos cinco anos. O problema é que nunca mais lá chegamos! 

E neste ínterim diário o que eles têm de mim é uma mãe operacional! A verdade é que, desde que entro em casa, torno-me numa máquina de execução de tarefas que têm que ser feitas ou mantidas, até à hora de os enfiar na cama.

E depois, temos diálogos destes...

 

Fatia#1: Oh mãe, porque é que tu não brincas?

FatiaMor: Porque já sou crescida filha... Mas porque é que dizes que "não brinco"?

Fatia#1: Por que não brincas comigo às escondidas.

FatiaMor: Mas às vezes brinco. Outras sabes que a mamã não pode ou até não quer, por estar cansada.

Fatia#1: Pois, mas não brincas as vezes que eu quero.

 

Portanto, hoje aqui me confesso, sou mãe nas horas vagas. Porque ser mãe, para mim, é ir além das tarefas operacionais de manter uma família. É ter tempo. É brincar. É criar momentos de boas memórias, com significado, longe de televisões e bolachas processadas. É perder tempo a amassar bolachas para comer ao lanche ou fazer plasticina até ter o chão manchado de cores. 

Sou mãe nas horas vagas... E infelizmente, não são muitas!

21
Fev17

Obrigar a sair

Fatia Mor

Se me perguntassem a maior diferença que sinto na minha vida, desde que tive filhos, talvez me sentisse forçada a responder que é a vontade de sair de casa.

 

Ficar entre quatro paredes, em especial as nossas, é de um conforto atroz mas simultaneamente coloca-nos numa situação insular. Rapidamente, perdemos o hábito de conviver, de sair, de estar com outras pessoas (mesmo com os filhotes atrás), de maneira a podermos diversificar conversas, passar bons momentos e criar memórias únicas. 

 

Até para eles é essencial esses momentos, o estar em contacto com outras realidades, o romper das rotinas. 

 

Para nós é um teste à paciência e à resiliência, mas para eles é o momento ideal para verem os pais para lá da sua função de educadores... Acredito que só faz bem à estrutura familiar conseguirem ultrapassar as barreiras do conforto e irem procurar novas formas de ser e de estar, mesmo que seja apenas um jantar de amigos, uma ida ao cinema ou um passeio por um local desconhecido.

 

Por isso, é essencial obrigarmo-nos a sair. E quando conseguimos, é tão bom!

Quase que acredito que, um dia, vou voltar a ter a minha vida social de volta!

 

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