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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

20
Out16

Um adeus precoce

Fatia Mor

Adeus.

 

É só o que te posso dizer.

 

Todos sabíamos que este dia chegaria. É a inevitabilidade dos ciclos da vida. É o que é natural.

 

Não quero olhar para ti agora, a definhar dia para dia, com a vitalidade a dar de si.

 

Quero lembrar-me sempre de ti encorpado. Com todo o teu esplendor, esse brilho único, essa força toda. 

 

Como adornavas a minha vida com a tua beleza subtil.

 

Agora tens os dias contados.

 

Estás por fios que a pouco e pouco se desprendem, trazendo-me angústia e tristeza.

 

Não merecias tão triste fim mas não tenho como evitar todo este processo.

 

Sabíamos que teríamos apenas alguns meses contigo e esse tempo chegou ao fim...

 

Adeus querido e amado cabelo da gravidez!

 

Adeus.

 

20 de Outubro de 2016 - o dia em que o cabelo começou a cair e que me irá deixar (quase) careca...

24
Set16

...

Fatia Mor

Tenho um mar de lágrimas encerrado em mim, à espera do momento certo para desaguar.

Deixo-as em banho maria, a aquecer na alma, a queimarem-me as fibras, que se endurecem para aguentar os embates, as dores, a divisão necessária.

Um dia sei que as comportas se abrirão! Talvez numa noite calma, em que já estejas ali ao nosso lado a dormir tranquilo, talvez num banho mais demorado que me lave as tristezas.

Neste momento tenho o meu sorriso a postos, o meu peito cheio de amor e a minha voz vibra de doçura. É só isso que quero que tu e as tuas irmãs sintam. É só isso que quero que o desconhecido mundo com que falo diariamente veja. 

A cada "tudo bem, são só mais uns dias" coloco mais uma lágrima no banco. A render. Ninguém quer mais uns dias. Queremos para ontem, para já e para sempre.

Tenho o coração numa incubadora, ligado a fios e a máquinas que apitam sem sensibilidade nenhuma pela dor de quem espreita pelo acrílico. Dão números como quem dá ar, que flutuam sem lhes conhecermos o significado.

"Está tudo bem, são só mais uns dias" tem sido o mantra mais repetido... o problema é que os meus dias contrariaram o equinócio e têm vindo a crescer...

Mas pelos vistos, hoje são só mais umas horas... estás quase ao pé de nós! 

 

(Faz hoje uma semana que nasceste...)

 

19
Set16

17 de setembro

Fatia Mor

Foi o dia em que quiseste vir ao mundo, quase cinco semanas antes da data de termo.

Passa agora a ser o dia do teu aniversário, o dia em que a nossa família cresceu, em que as Fatias ganharam a maior prenda das suas vidas: um irmão!

Ainda há muito a crescer, agora cá fora, mas estamos cá para te amar pequeno Fatia#3.

 

13
Set16

Semana #35

Fatia Mor

Querido diário,

 

Chegámos à trigésima quinta semana. Como seria de esperar - e porque a Lei de Murphy é exemplar - hoje, dia em que tenho consulta, chove... a potes!

Tantos dias a fazer sol e calor, que nos dá vontade de pôr o pé na rua e logo hoje que vou fazer o gosto ao dedo de sair deste repouso, chove!!! Estou indignada!! Acho que vou aproveitar e fazer uma reclamação ao S. Pedro!

Quanto à gravidez (que é a isso que se destina este blog) só tenho a dizer que está tudo na mesma. Ou assim espero!

O estado de espírito geral alterna entre a impaciência de querer conhecer o Fatia#3, o querer que ele nasça no tempo certo e o estar muito farta de fazer xixi a cada 30 minutos. É que não há papel higiénico que dure tanto!!!

 

Bom, por hoje é tudo.

 

Até para a semana,

Fatia

12
Set16

Mãe de 3? Eu?

Fatia Mor

Sempre soube que, um dia, quereria ter filhos. 

E esse plural era claramente estilístico... Porque nunca me imaginei mãe de muitos filhos. Nem de poucos. A maternidade pareceu-me sempre um desafio, um patamar a atingir na minha vida, na forma ingénua que temos de querer dar continuidade à espécie... Mas sem ponderar concretamente no que isso representava e em quantos filhos isso iria originar.

Agora dou por mim a pensar, qual Antonieta, eu, mãe de 3? 

Nunca em momento algum, da minha vida, achei que fosse ter três filhos. O primeiro era dado como garantido. Mas o facto de ter sido filha única (pelo menos da parte da minha mãe, que me criou), sempre me fez supor que seguiria os mesmos passos. E apesar de achar que os irmãos me fizeram falta ao longo do meu percurso, também não me fazia qualquer diferença educar uma criança única.

Depois depois de ter tido a primeira filhota a coisa mudou de figura. 

Enquanto a primeira foi capricho de vida, a segunda foi desejo de amor. Lamento se não sou a mais romântica das mães, mas a verdade é que só após ter tido a primeira filha, ter experimentado esse amor, é que fui capaz de compreender que seria possível dobrar esse sentimento... Mas nunca pensei chegar ao terceiro. 

E, à medida que a data de o receber se aproxima (seja ela qual for - aceitam-se apostas), não consigo deixar de pensar: Eu, FatiaMor, mãe de 3? Como é que vou fazer isso? Como é que vão ser as dinâmicas, como vou dar conta da loucura? Porque apesar de tudo, uma coisa tenho a certeza, amor vai haver de sobra!

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (http://www.flaticon.com/).