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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

08
Set17

Isto custa!

Fatia Mor

Ser mãe (ou pai) custa. 

Custa muito. 

 

Sei que parece um chavão e que não estou a acrescentar absolutamente nada de novo a esta vida, mas preciso de desabafar para externalizar estes fantasmas.

 

Não me compreendam mal. Eu adoro ser mãe e jamais me arrependi da decisão de ter três filhos. Apesar de nem todos terem sido planeados, conscientemente aceitei-os a todos e sinto-me feliz com essa decisão. 

Contudo, a felicidade não é uma recta, muito menos de declive positivo, o tempo todo. A própria felicidade (estado) acarreta momentos negativos pontuais, de maior ou menor duração.

É nesses momentos que custa. 

 

São as rotinas infindáveis, tão necessárias ao bem-estar geral, e cuja quebra pagamos com facturas caras.

 

São as birras, constantes, de parte a parte, porque nós os pais também as fazemos, mesmo que não seja a espernear ou a gritar, como eles.

 

É o repetir a mesma coisa, ao pequeno-almoço, ao almoço, ao lanche, ao jantar, na hora do banho, na hora de deitar, à entrada do carro, à saída do carro, ao pegar no copo de água, enfim, acho que já perceberam...

 

É o sentir que nada do que dizemos é realmente ouvido ou lhes faz sentido. E, por mais que tentemos, não conseguirmos explicar de outra forma. 

 

É o sentir que há mais nada vida do que ser mãe ou pai, mas ter alguma dificuldade em perceber onde é que isso está!

 

É o sentir que falhámos redondamente com eles, seja porque perdemos a paciência, porque não lhes demos atenção, ou escondemos o que estávamos a comer para não ter que partilhar. 

 

É o tentar ser um poço de virtudes - porque acreditamos na educação pelo exemplo - e depois perceber que eles copiam toda e qualquer incoerência nossa, ao invés de mimicarem os comportamentos que desejamos.

 

É a insegurança de não saber se estamos a fazer um bom trabalho nesta coisa de criar cidadãos equilibrados, saudáveis e preocupados com o outro, como nós gostaríamos de ser e como achamos que o mundo precisa.

 

Isto custa, muito. 

20
Jul17

Férias, precisam-se

Fatia Mor

O sono ora é pesado e adormeço num ápice, ora me custa imenso a adormecer e acordo com qualquer som que me rodeia.

Independentemente do número de horas de sono conseguidas, as olheiras teimam em não desaparecer.

Demoro o dobro do tempo a fazer tarefas comuns do meu trabalho. E a vontade de as fazer voou para uma terra longínqua e não sabe como voltar de lá!

Chego a ficar parada, mais de 5 minutos, a olha para o vazio e a ponderar o que tenho para fazer. A memória está pelas últimas!

Parece que tenho um cansaço crónico, que se estende das unhas dos pés à ponta dos cabelos!

Preciso de férias. Muitas férias. E de dormir, 8 horas sem interrupções. E acordar por mim, sem despertadores tecnológicos ou humanos.

 

Quem está comigo?

 

09
Jun17

Ser mãe sobressai o que há de pior em mim (momentos de desabafo)

Fatia Mor

Não é todos os dias. 

 

Tenho alturas em que consigo gerir as exigências familiares com a doçura do mel e a agilidade de uma ginasta. 

Nesses dias acho que sou extremamente competente nesta "tarefa" que é a maternidade e que, de facto, ser mãe faz sobressair o que de melhor há em mim.

 

Mas não posso negar que ser mãe também sobressai o que há de pior em mim.


Desde que me conheço que me analiso, mas desde que sou mãe, então, faço-o mais! A verdade é que a maternidade é como se estivesse em frente a um espelho, a escarafunchar cada milímetro do meu ser, a ver em directo as reacções do mundo às minhas acções.

 

Nos momentos em que vejo as suas reacções desproporcionadas e a minha ineficiência em contê-las, sinto-me a pior pessoa do mundo.

 

Desde que sou mãe reparo na forma irreflectida como reajo, antes sequer de pensar na resposta mais adequada.

 

Sei que a minha paciência esgota-se muito antes do recomendável e tenho o péssimo hábito de lhes dar uns gritos quando a coisa começa a descambar muito.

 

Sou pouco tolerante às alterações de rotina e enervo-me quando vejo as horas a derrapar no relógio.

 

Irrito-me com extrema facilidade quando me desafiam a minha autoridade e só penso como será quando chegarem à adolescência! (as fatias meninas parecem que entraram na pré-adolescência... muito antes do recomendável!!!) 

 

Muitas vezes não tenho força nem vontade de colocar a mente em modo criança, para brincar, e nesses dias o que me apetece é que cresçam para termos conversas de adultos. 

 

São as minhas arestas e é a muito custo que as reconheço ao mundo, no esforço de as modificar todos os dias, um bocadinho. 

Quero educar boas pessoas, saudáveis de mente, e vivo no medo (aterrador) de que não o sejam. De que estas incoerências, estas invigilâncias pessoais resultem num sem número de dificuldades individuais e sociais, que os prejudiquem a longo prazo.

 

Podem até ser tolices da minha cabeça, mas se não for eu a mudar, fica tudo na mesma...

02
Mai17

O que nos reserva o futuro?

Fatia Mor

Nasci numa época de forte transformação tecnológica. Lá em casa, o meu avô era um adepto fervoroso da tecnologia e tudo o que eram gadgets (na altura ainda nem se falava nessa expressão) apareciam por lá, mais tarde ou mais cedo.

 

Recordo-me, com alguma emoção, do dia em que tivemos um videogravador que se conseguia programar para arrancar a gravação apenas quando o programa se iniciava na televisão. Escusado será dizer que nunca serviu de grande coisa cá, mas ao menos, conseguíamos marcar manualmente as gravações para depois não termos que gramar com os anúncios.

 

O primeiro computador pessoal surgiu relativamente cedo. Trabalhava em DOS, era necessário iniciar o windows através de linha de comandos, e a máquina desligava-se fisicamente num botão, após o encerramento do software em funcionamento. Foi também, por essa altura, que me recordo de ver no telejornal uma videochamada experimental, em que a imagem altamente desfocada e praticamente imperceptível, constituía um avanço louco naquilo que eram os meios de comunicação. 

 

Passaram-se 20 anos, mais coisa menos, coisa e começam a aparecer as primeiras previsões futuristas, que mais fazem lembrar ideias de ficção científica, à semelhança do que eu achava das imagens loucas do Jetsons ou do Regresso ao Futuro.

Prepare-se que vai ser despedido, é um título alarmista de um artigo de opinião do Jornal Económico que refere:

Ray Kurzweil, diretor de engenharia da Google e um dos mais respeitados cientistas na área da IA, com um registo de acerto de 86% nas suas previsões desde 1990, afirmou que daqui a apenas 12 anos, a I.A atingirá o mesmo nível que a humana, que em 2030 teremos o nosso cérebro (neocórtex) ligado à cloud, e que daqui a 30 anos ocorrerá uma “singularidade” – a inteligência ao dispor de cada humano será 1 bilião de vezes superior à atual, devido à interligação máquina-humano.

 

A inteligência artificial é, claramente, uma conquista de uma humanidade ocidentalizada, bem sucedida, que não enfrenta períodos de guerra desde meados do século passado. Temos vivido um período singular na história, de paz além fronteiras, que só agora começa a ser realmente ameaçado. Nem mesmo as crises cíclicas que vamos vivendo travaram o avanço exponencial da tecnologia que neste momento serve o homem no sentido de lhe suprir necessidades que vão muito além do básico. 

A tecnologia invade-nos a nossa vida e entretém-nos, faz-nos criar laços (virtuais), diminui as distâncias, começa e acaba casamentos, define status sócio-económico... Mas até agora ainda não nos substitui nas questões essenciais que nos tornam humanos.

 

Não consigo compreender a ideia de querer o meu cérebro ligado a uma cloud. Para mim, esquecer-me de algo é tão humano quanto a capacidade de amar. Proponho até que ambas as noções estão interligadas ao ponto de serem indissociáveis e essenciais à manutenção das relações humanas. De forma idêntica, não compreendo que vantagens teríamos na substituição quase total de homens por máquinas. Seremos assim tão gananciosos? E tal como o artigo refere, temos a questão da sustentabilidade do modelo social actual...

 

Confesso que até há uns dias este seria um pensamento em que me deteria longamente, com alguns acessos de preocupação. Mas a realidade é que não me preocupa. Aliás, preocupa-me, porém na ordem de prioridades surge outra sombra. E se a paz acabar? E se voltarmos a ver-nos envolvidos numa guerra mundial? E se os recursos financeiros acabarem? Nós que terminámos com tudo o que era subsistência, nós que deixámos que as máquinas fizessem o nosso trabalho e em que a geração a que pertenço já não tem o conhecimento dos mais velhos, que faríamos? Se as comunicações fossem cortadas; os satélites alterados por questões de segurança inviabilizando os nossos GPS que nos levam a todo o lado; se as fronteiras fossem fechadas, isolando-nos dos produtos que agora estão aqui à nossa mão? Se tudo aquilo que hoje constitui uma grande parte da nossa vida, nos fosse negado, onde estaríamos?

 

Por isso, não sei se a preocupação será vir a ser substituído por uma máquina ou se, pelo contrário, não houver muito mais o que substituir... Caminhamos a passos largos para uma transformação social profunda... Resta saber qual será o caminho para lá chegar!

27
Abr17

Ai de mim...

Fatia Mor

Numa atrapalhação pegada, a tentar tirar a chave da porta do gabinete, à saída para uma aula, deixei que a mochila onde estava acondicionado o meu computador pessoal se despenhasse no chão.

A altura não foi grande, a queda mais parecia um baque em seco e nada se ouviu. 

 

Mas...

 

E tinha que haver um mas, partiu-se o ecran!!!!

 

E agora? Vale a pena mandar arranjar ou começo já a abrir os cordões à bolsa para comprar um novo...

 

(escusado será dizer que não dava mesmo jeito nenhum, né?)

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (http://www.flaticon.com/).