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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

09
Jun17

Ser mãe sobressai o que há de pior em mim (momentos de desabafo)

Fatia Mor

Não é todos os dias. 

 

Tenho alturas em que consigo gerir as exigências familiares com a doçura do mel e a agilidade de uma ginasta. 

Nesses dias acho que sou extremamente competente nesta "tarefa" que é a maternidade e que, de facto, ser mãe faz sobressair o que de melhor há em mim.

 

Mas não posso negar que ser mãe também sobressai o que há de pior em mim.


Desde que me conheço que me analiso, mas desde que sou mãe, então, faço-o mais! A verdade é que a maternidade é como se estivesse em frente a um espelho, a escarafunchar cada milímetro do meu ser, a ver em directo as reacções do mundo às minhas acções.

 

Nos momentos em que vejo as suas reacções desproporcionadas e a minha ineficiência em contê-las, sinto-me a pior pessoa do mundo.

 

Desde que sou mãe reparo na forma irreflectida como reajo, antes sequer de pensar na resposta mais adequada.

 

Sei que a minha paciência esgota-se muito antes do recomendável e tenho o péssimo hábito de lhes dar uns gritos quando a coisa começa a descambar muito.

 

Sou pouco tolerante às alterações de rotina e enervo-me quando vejo as horas a derrapar no relógio.

 

Irrito-me com extrema facilidade quando me desafiam a minha autoridade e só penso como será quando chegarem à adolescência! (as fatias meninas parecem que entraram na pré-adolescência... muito antes do recomendável!!!) 

 

Muitas vezes não tenho força nem vontade de colocar a mente em modo criança, para brincar, e nesses dias o que me apetece é que cresçam para termos conversas de adultos. 

 

São as minhas arestas e é a muito custo que as reconheço ao mundo, no esforço de as modificar todos os dias, um bocadinho. 

Quero educar boas pessoas, saudáveis de mente, e vivo no medo (aterrador) de que não o sejam. De que estas incoerências, estas invigilâncias pessoais resultem num sem número de dificuldades individuais e sociais, que os prejudiquem a longo prazo.

 

Podem até ser tolices da minha cabeça, mas se não for eu a mudar, fica tudo na mesma...

06
Jun17

O "poder" nas redes sociais

Fatia Mor

Podia começar este post com aquela frase-chavão "eu ainda sou do tempo...". Além do cliché, a realidade é que o meu tempo foi, realmente, outro. Assisti aos primeiros computadores que se popularizaram, encerrei o computador num botão, iniciei o windows em DOS, usei disquetes e achava que nunca na vida ia conseguir encher discos de 2GB de memória. (para verem como era a minha vida, podem ver este vídeo, oh gente jovem)

Assisti, por isso, à chegada das redes sociais. Coisas extremamente rudimentares, semelhantes ao messenger de hoje em dia - quem não se lembra do mIRC - onde frases expressas como "dd tc*" eram o prato do dia.

Tudo parecia maravilhoso nessa época, mas rapidamente começamos a ouvir falar de burlas, pessoas que se faziam passar por outros, no campo do anonimato. Todos usávamos nicks, ponderadamente escolhidos, para descortinar o óbvio e esconder o essencial. E com essas máscaras virtuais, éramos quem queríamos ser.

Hoje em dia acho que chegámos a um novo nível de paradigma. As pessoas sentem que podem assumir a sua identidade nas redes sociais (aliás, é isso que é esperado, desde os tempos do Hi5, para que possamos agregar-nos pelas nossas conexões de amizade) e continuar a agir como se tivessem uma carapaça de invisibilidade. 

Por isso, não me causa estranheza situações destas:

Harvard rejeita alunos por publicações ofensivas no facebook

(podem ler o resto da notícia aqui)

 

A universidade terá tido conhecimento de declarações trocadas num grupo fechado do facebook e, como tal, terá a comissão de admissões decidido não admitir esses alunos. 

A última declaração de uma das alunas, que diz não concordar com isto, refere (e assumindo que foi bem traduzida) que estavam a fazer coisas estúpidas.

 

Não obstante concordar com a decisão da universidade, a verdade é que isto levanta um conjunto de questões a considerar.

 

A primeira será se devemos utilizar o conteúdo que postamos nas redes sociais como uma forma de avaliação do carácter do sujeito. Apesar da Psicologia Social ter um conjunto de estudos que mostram que tendemos a considerar que o conteúdo que o indivíduo emite está em consonância com as suas crenças, nem sempre isso é real. Basta pensar que no facebook podem fazer publicações nos nossos murais (caso haja permissões para isso) ou identificar-nos em publicações, cujo conteúdo nada temos a ver. Nos caso destes jovens, o grupo seria fechado, mas também já me adicionaram várias vezes a grupos fechados cujo conteúdo não me revejo minimamente e demorei algum tempo até perceber que por lá andava.

 

A segunda será os limites do humor. Podemos ou não brincar com situações sérias? Com as desgraças que envergonham a humanidade? E se o fizermos, será que só o podemos fazer em formato que não possa ser alvo de registo? Ou só é válido quando somos humoristas de profissão?

 

A terceira, e última, para mim é o conceito de conteúdo privado. Será que devemos considerar que aquilo que colocamos no nosso perfil tem um enquadramento privado? Ou o que postamos num grupo fechado, ou secreto? Se considerar que a minha página, o meu perfil pessoal, só é visto por quem eu queira, há aí um constrangimento de privacidade? E não havendo, é lícito que isso seja usado contra mim?

 

Desconheço o real conteúdo das mensagens que foram trocadas. Podiam ter sido numa conversa informal, num grupo de amigos, num bar, após uma noite de copos e tudo estaria bem. Mas não foram. Há registos e aparentemente atestam a (falta de) idoneidade de quem as emitiu. 

Para mim, este é o futuro, um policiamento do que dizemos virtualmente. É que mais real do que isso, aparentemente, não há!

 

*Para quem não sabe/não se lembra, dd tc significa de onde teclas.

18
Mai17

Há coisas que eu não entendo...

Fatia Mor

Eu tento, mas não entendo.

 

Na zona onde eu vivo, há um cruzamento, onde os carros que se apresentam pela direita têm um stop, para deixar passar os que vêm da esquerda e que se apresentam numa subida. 

Quem passa por ali, com desconhecimento de causa e porque normalmente conduz sem olhar para a sinalética - neste caso bem visível - não pára no stop. Por norma, quando se apercebem do erro - depois daquele momento de elevada adrenalina em que metemos travões a fundo porque nos apercebemos que afinal o carro oposto não vai parar como lhe compete - pedem desculpa pelo equívoco e seguem caminho. Tudo isto, claro, de vidros fechados e recorrendo à linguagem universal: gestos.

 

Ora, hoje no caminho para o trabalho, quando vou a fazer a curva à esquerda apercebo-me que uma carrinha preta decidiu não parar no stop. Travamos os dois, com as frentes do carro na iminência de bater... O senhor que conduzia a carrinha achou que eu vinha da esquerda e portanto tinha que travar. Sem recorrer a gestos, mas antes a uma linguagem digna de levar uma bolinha vermelha no canto superior direito, terá vociferado dentro do veículo que tinha prioridade, introduzindo um sem número de vernáculo pelos entre-meios das sílabas das palavras. 

Com redobrada paciência indico-lhe para olhar para o canto superior direito onde poderia deparar-se com o bendito stop. Vejo-o olhar pelo canto do olho e quando se apercebe que eu tinha razão, cospe mais uma frase épica que não me requereu muito de capacidade de leitura dos lábios, nem me deixou muito para a imaginação trabalhar...

Acelerou furiosamente e passou-me à frente, mesmo depois de perceber que era ele quem tinha que ceder a passagem... E isto tudo, para estacionar o carro uns 100 metros à frente.

 

Ora bem, não entendo. Não consigo compreender a necessidade de ter razão, mesmo depois do racional ser o seu pior inimigo. Se o primeiro argumento era que teria prioridade por via das regras de trânsito, tendo ele conhecimento de que estava o próprio a incorrer em erro, não seria mais proveitoso assumir que não tinha visto o stop? Ou trata-se de chegar sempre em primeiro? Mesmo quando estava a 100 metros do local onde deveria estar?

 

Não entendo, juro que não entendo...

 

Ah, esperem, lembrei-me agora... É só falta de civismo.

03
Mai17

Aaaaiii o deeeeesfraaaaaldeeeeee!

Fatia Mor

Francamente, de todo o processo de crescimento, a fase que mais me aborrece é o desfralde.

Apesar das fraldas serem caras e um problema da sociedade moderna, no que toca a desperdício, a verdade é que é prático. Ainda assim, os miúdos não podem ir para a universidade de fraldas, certo? Portanto, voltámos à carga com o desfralde da Fatia#2, depois da primeira tentativa ter corrido assim, como dizer... Para o torto!

Está a correr que nem uma maravilha. Só que não.

Hoje foram uns 12 pares de cuecas... A miúda até pede para ir ao bacio, mas sempre que lá chega já saíram umas pingas de xixi. E o pior é que não o faz todo e depois, mais tarde ou mais cedo, sai uma quantidade enorme de xixi pelas pernas abaixo, mesmo antes de conseguirmos chegar à meta (que é como quem diz ao bacia, à casa-de-banho, enfim, onde esteja o depósito da coisa)!

E já estou a antever o próximo fim-de-semana!

Sair só com o roupeiro atrás, porque o mais certo é fazer xixi nos sítios mais práticos. E o melhor de tudo? Vai sujar a roupa mas também os sapatos. Já sei que as croques são a melhor coisa nestas alturas, mas não gosto nada de os ver calçados com aquilo, com as devidas excepções de ir à praia, à piscina ou sítios semelhantes!

Depois, temos sorte se não ocorrer no carro, na cadeirinha. E lá teremos o bacio de sobreaviso na bagageira do carro, com a possibilidade de paragens de emergência, no meio do ermo, para fazer um xixi ou um cocó! (e depois limpar o dito?!)

 

É! Detesto o desfralde. Para mim, os miúdos nasciam já a saber ir à sanita!

 

 

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