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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

07
Nov16

Será que sabemos quem somos?

Fatia Mor

Há uma situação na minha vida que foi definidora de todo meu percurso. Olhando para trás, é um acontecimento de suma importância que se tivesse ocorrido de outra forma (sendo que é uma situação binária), toda a minha existência poderia ter sido reescrita, desde o local onde cresci até às pessoas com quem me relaciono.

Para mim, esta sempre foi a melhor opção. Mesmo que tenha condicionado outras escolhas de vida. Mesmo que para tal tenha perdido um conjunto de experiências. Como é lógico, sempre que se fecha uma porta abre-se uma janela. E a janela que se abriu foi à medida de uma vida preenchida. De uma carreira que me dá prazer. De uma família que faz feliz. De um amor único que se destaca de todos que pude sentir. 

Mas a vida é feita de "ses". 

Hoje deparei-me com a minha realidade alternativa, pela vida de outra pessoa. Esse indivíduo viveu a história pelo lado inverso, aparentemente com o mesmo sonho que eu acalentei e que, por infortúnio da vida, não realizei.

Quando olho para esse sonho, vejo várias influências que o perturbaram e conduziram à sua não-realização. Primeiro, eu desisti. E acho que foi isso que me incomodou. Eu desisti de seguir esse sonho. Porque não haveria possibilidade de o fazer. Porque iria ser muito complicado de gerir financeiramente. Apesar de eu saber que teria todo o suporte para o fazer, eu desisti para não sobrecarregar. Para não ter que voltar atrás e tentar. Conformei-me com o que a vida me trouxe e nunca me incomodou. 

Até hoje.

Hoje ao ver o lado B fiquei em pensar se, caso tivesse sido a alternativa a vigorar, se esse teria sido o meu caminho. Se teria tido essa possibilidade. Senti inveja. É triste, mas é verdade... Mas antes confessá-lo e expulsá-lo de mim, do que acalentá-lo e deixá-lo crescer. 

Ao mesmo tempo que a inveja crescia, crescia também a sensação de que estava a ser injusta com a minha vida. Foi e é repleta de amor, de sacrifícios que originaram grandes feitos, de endurance (mesmo que eu faça crer que tudo foi simples). Por outro lado, não me reconheci. Fiquei aquém das expectativas que tenho para a minha conduta e senti-me inferior por isso. 

Depois alegrei-me. É sempre bom ver que há quem possa seguir o sonho, lutar por ele. Olhando a frio, e depois da emoção passar, não trocava a minha vida por aquela. 

É que esse é o problema dos sonhos. A sua realização nem sempre nos faz mais felizes. E não sei se seria ou teria sido mais feliz. Nem quero saber. 

Mas ficou-me a questão... será que sabemos quem somos até sermos testados?

 

Pelos vistos, não.

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