Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

07
Fev17

Os primeiros são de cristal... os pais, é claro!

Fatia Mor

Há dias em que gostava de ser mãe da primeira filha, como sou da segunda ou do terceiro.

Para cada um deles, sou claramente uma diferente. E assusta-me que esta diferenciação, fruto da experiência, possa trazer consequências nefastas no seu desenvolvimento.

Normalmente, vemos aqueles textos a brincar com a robustez dos filhos. Diz-se que o primeiro é de cristal, o segundo é de borracha e o terceiro será de ferro ou uma liga qualquer manhosa capaz de resistir à erosão dos tempos!

Mas nós, os pais, também somos totalmente diferentes.

 

Os primeiros pais que habitam em nós são inseguros. Do mais inseguros que há. E isso traduz-se numa exigência louca para que a criança acerte, como forma de compensar a insegurança do que possamos estar a fazer mal. E assim foi connosco. A Fatia#1 começou a falar cedo, deixou o biberão aos 18 meses, as fraldas aos 21 meses (dia e noite), nunca fez xixi na cama e come por si desde que conseguiu pegar numa colher. Queremos, muitas vezes, que seja uma mulherzinha em ponto pequeno e levamos a vida a dizer-lhe "como é grande" ou "como é a mais velha" para justificar o autocontrolo que lhe exigimos e que ela ainda não tem que ter.

 

Os segundos pais que habitam em nós são o reflexo seguro dos primeiros. E por estarmos mais seguros, somos descontraídos. Queremos aproveitar os momentos que galgamos na primeira filha, pela exigência desmesurada e pela necessidade de nos afirmarmos como pais. O resultado? Uma Fatia#2 descontraída e muito, muito imatura! Sentada à sombra destes pais que já sabem o que fazer, com 2 anos e uns trocos ainda usa fraldas (e não mostra sinais de querer colaborar em deixá-las), ainda bebe de biberão e ainda quer que lhe demos a sopa com a colher. Toda ela é mimo e vontade de ser bebé, e agora que tem um irmão mais pequeno, então, nem se fala.

 

Os terceiros pais que há em nós são o equilíbrio. Não exigem porque sabem que é um exagero pedir ao boi que lavre com o carro à frente dele, mas simultaneamente não têm o mesmo tempo que tiveram disponível para o segundo filho. E por isso, o Fatia#3 tem rotinas a que teve que se adaptar, por vezes chora no berço enquanto acabamos alguma coisa com uma das outras filhas ou quando ambas precisam de atenção emergente. Não é o centro do universo, mas é o centro do nosso amor. E é um amor mais relaxado que o primeiro, mas menos complacente que o segundo. 

 

Por isso, tenho dias em que gostava de ser mãe de segunda, desde a primeira. Ou mãe de terceira, desde o início. Especialmente nos dias em que colocamos em dúvida tudo o fazemos enquanto pais. Esses são dias de dor interna e de sofrimento. Mas também de mudança!

 

E vocês, que tipos de pais são?

15 comentários

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre a FatiaMor

foto do autor

Fatias antigas

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Créditos

Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (http://www.flaticon.com/).