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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

21
Mai15

Os blogs dos outros

Fatia Mor

Quando comecei o blog fi-lo por já não ser nenhuma novidade. Cada vez mais sentia que era um escape ver os blogs dos outros. Um pouco de voyeurismo reconheço! É bom acompanhar as loucuras das outras vidas, como a nossa, que nos fazem sentir mais normais e menos sozinhos no mundo. Provavelmente o mesmo que nos motiva a ter páginas em redes sociais e a ver o que nossos amigos (reais ou virtuais) andam a fazer. 

Seja como for, foi um passo natural. Não pensei no número de visualizações que poderia ter. Nem que públicos poderia atingir. Eu própria nunca pensei em mim enquanto público-alvo e francamente, não atribuía uma perspectiva mercantilizada aos blogs. Simplesmente queria um espaço onde pudesse colocar o que me passa na cabeça, ser eu mesma e com sorte, trocar ideias com os outros que por aqui andam... Despreocupadamente.

Sabia, logicamente, que existiam blogs profissionais. E como isso deu barraca depois de uma autora de blog ter falado em equipas profissionais de gestão de conteúdo! Contudo, isso parecia-me uma faixa privilegiada, de camadas sociais associadas ao mundo do showbiz, que naturalmente teriam partido para o blog como uma forma de promoção da sua imagem, algo complementar à sua profissão.

Sabia também que havia (pelo menos) um blog em Portugal que tinha tido o percurso inverso. Tinha sido, precisamente, o blog a funcionar como rampa de lançamento da personalidade, agora já reconhecida como marca própria, e que tem vindo a desenvolver iniciativas paralelas e complementares ao mesmo. Não tenho nada contra. Devo reconhecer que há pessoas com capacidade de visão onde poucos a têm e capacidade de trabalho numa dimensão não tradicional. 

Mas agora que começo a entender um pouco mais do negócio (e sou forçada a tratar a coisa assim), apercebo-me que há uma promiscuidade enorme entre marcas e blogs. Aliás, que são os próprios bloggers que vão à procura de uma forma de ganhar algo com os seus pequenos espaços de visibilidade.  E choca-me (atenção que este chocar é apenas de espanto, não de julgamento avaliativo da acção) que cursos sobre como criar um blog de sucesso esgotem por completo, edição atrás de edição. 

Sou, certamente, um velho do restelo. De barbas brancas, a olhar para as naus que zarpam destes pequenos portos em busca de um futuro melhor, agoirando a sorte destas gentes. Mas, desculpem-me a franqueza, não me parece que haja aqui um filão de ouro. Não me parece que os negócios sejam favoráveis a todos os que resolvem abrir uma chafarica e esperam, com meia dúzia de palavras, conseguir um forma de lucro diário e constante.

Sei que o tema está gasto. Mas custa-me ver que há quem dê um volume ainda avultado de dinheiro para aprender a gerir um blog de sucesso (ou de qualidade, chamemos-lhe assim), ainda que não se fale em conteúdo nem em valores sociais, normativos ou morais. Sem querer julgar, mas fazendo-o, que procurem desta forma (que num país da nossa dimensão, dará apenas para uma percentagem infíma da população) a saída para os problemas financeiros do dia-a-dia. 

Cheira-me a ilusões, a procura do sucesso fácil, dos 15 minutos de fama. Achava que ter o que pensamos numa plataforma digital, de acesso imediato para o mundo inteiro, fosse o suficiente para cumprir essa necessidade de reconhecimento do comum mortal. Mas aparentemente não...

Será que sou eu que tenho um problema de visão? 

Talvez precise de trocar as lentes dos óculos...

 

 

 

 

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