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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

06
Jun17

O "poder" nas redes sociais

Fatia Mor

Podia começar este post com aquela frase-chavão "eu ainda sou do tempo...". Além do cliché, a realidade é que o meu tempo foi, realmente, outro. Assisti aos primeiros computadores que se popularizaram, encerrei o computador num botão, iniciei o windows em DOS, usei disquetes e achava que nunca na vida ia conseguir encher discos de 2GB de memória. (para verem como era a minha vida, podem ver este vídeo, oh gente jovem)

Assisti, por isso, à chegada das redes sociais. Coisas extremamente rudimentares, semelhantes ao messenger de hoje em dia - quem não se lembra do mIRC - onde frases expressas como "dd tc*" eram o prato do dia.

Tudo parecia maravilhoso nessa época, mas rapidamente começamos a ouvir falar de burlas, pessoas que se faziam passar por outros, no campo do anonimato. Todos usávamos nicks, ponderadamente escolhidos, para descortinar o óbvio e esconder o essencial. E com essas máscaras virtuais, éramos quem queríamos ser.

Hoje em dia acho que chegámos a um novo nível de paradigma. As pessoas sentem que podem assumir a sua identidade nas redes sociais (aliás, é isso que é esperado, desde os tempos do Hi5, para que possamos agregar-nos pelas nossas conexões de amizade) e continuar a agir como se tivessem uma carapaça de invisibilidade. 

Por isso, não me causa estranheza situações destas:

Harvard rejeita alunos por publicações ofensivas no facebook

(podem ler o resto da notícia aqui)

 

A universidade terá tido conhecimento de declarações trocadas num grupo fechado do facebook e, como tal, terá a comissão de admissões decidido não admitir esses alunos. 

A última declaração de uma das alunas, que diz não concordar com isto, refere (e assumindo que foi bem traduzida) que estavam a fazer coisas estúpidas.

 

Não obstante concordar com a decisão da universidade, a verdade é que isto levanta um conjunto de questões a considerar.

 

A primeira será se devemos utilizar o conteúdo que postamos nas redes sociais como uma forma de avaliação do carácter do sujeito. Apesar da Psicologia Social ter um conjunto de estudos que mostram que tendemos a considerar que o conteúdo que o indivíduo emite está em consonância com as suas crenças, nem sempre isso é real. Basta pensar que no facebook podem fazer publicações nos nossos murais (caso haja permissões para isso) ou identificar-nos em publicações, cujo conteúdo nada temos a ver. Nos caso destes jovens, o grupo seria fechado, mas também já me adicionaram várias vezes a grupos fechados cujo conteúdo não me revejo minimamente e demorei algum tempo até perceber que por lá andava.

 

A segunda será os limites do humor. Podemos ou não brincar com situações sérias? Com as desgraças que envergonham a humanidade? E se o fizermos, será que só o podemos fazer em formato que não possa ser alvo de registo? Ou só é válido quando somos humoristas de profissão?

 

A terceira, e última, para mim é o conceito de conteúdo privado. Será que devemos considerar que aquilo que colocamos no nosso perfil tem um enquadramento privado? Ou o que postamos num grupo fechado, ou secreto? Se considerar que a minha página, o meu perfil pessoal, só é visto por quem eu queira, há aí um constrangimento de privacidade? E não havendo, é lícito que isso seja usado contra mim?

 

Desconheço o real conteúdo das mensagens que foram trocadas. Podiam ter sido numa conversa informal, num grupo de amigos, num bar, após uma noite de copos e tudo estaria bem. Mas não foram. Há registos e aparentemente atestam a (falta de) idoneidade de quem as emitiu. 

Para mim, este é o futuro, um policiamento do que dizemos virtualmente. É que mais real do que isso, aparentemente, não há!

 

*Para quem não sabe/não se lembra, dd tc significa de onde teclas.

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