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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

20
Abr17

O livro secreto - Um homem chamado Ove

Fatia Mor

Esta iniciativa do livro secreto da MJ tem servido para perceber que os correios não funcionam ao seu melhor nível, aqui onde moro.

Ainda assim, este foi um dos livros cujo título mais curiosidade me suscitou. Nunca tinha ouvido falar dele, mas tem qualquer de enigmático que me atraiu! Por isso, quando o vi na caixa do correio, fiquei encantada.

 

Nota: pode conter spoilers. 

 

(agora não digam que não avisei!)

 

Comecei a ler cheia de vontade e, ao fim dos primeiros capítulos, tinha uma profunda antipatia pelo Ove, confesso. Pensei cá com os meus botões "se isto é um livro deprimente de uma pessoa com 59 anos que se tenta suicidar, ficamo-nos já por aqui!". 

Porém, a pouco e pouco, Ove foi-se transformando no meu bisavô!

O pai do meu avô materno era uma pessoa adorável pelas suas qualidades de integridade e honra. Só me recordo dele já com muita idade, tomado pelo Parkinson, e de poucas palavras. Sempre achei que a sua economia verbal se devia à doença, mas o crescimento e as histórias da família levaram-me a perceber que não. O meu bisavô simplesmente não desperdiçava capital verbal. Haveriam certamente coisas mais interessantes onde empregar o seu intelecto que, vos garanto, era grande.

Claro que há diferenças, mas aquela personagem carrancuda que se recusa a viver na ausência da mulher é, na verdade, um homem que precisa dos afectos para viver. Só não sabe disso. Ou nunca pensou sobre isso, porque Ove não é um homem que se preocupe com coisas não tangíveis. Tal como o meu bisavô.

 

É uma história encantadora. Não sei se posso dizer soberbamente escrita, porque essa avaliação só se consegue fazer ao ler na língua original, e de sueco só digo Ikea (continuo à espera de um contacto...), mas a tradução parece-me bem conseguida e nota-se uma preocupação na riqueza do vocabulário, que achei refrescante. 

Não me parece um livro imprevisível, mas antes um livro sobre a natureza emocional do ser humano que nos mostra como o amor é a parte colorida da nossa existência. 

Escusado será dizer que as páginas voaram, dormi pouco mas só descansei quando o acabei de ler. E no fim, era a maior fã do Ove. Acho que vale muito a pena ler!

 

E venha o próximo!

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