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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

13
Jul16

O absolutismo de nada

Fatia Mor

São 3:40 da madrugada e acabo de pegar na Fatia#2, que dorme tranquilamente na minha almofada deixando-me uns exíguos 30 cm de cama, para a devolver à sua caminha. 

Enquanto volto para a cama e depois de lutar contra o sono, por ter receio que caia da nossa cama, dou por mim numa insónia e em reflexões sobre as diferenças que pautam os hábitos de uma e de outra.

Quando não somos pais, dizemos muitas vezes "se fosse meu filho..." e geralmente essa frase acaba numa baboseira qualquer, sem sentido nenhum. Aliás, já aqui disse que ser mãe me permitiu claramente deixar de julgar a educação dos outros porque é impossível preenchermos de forma saudável os requisitos que antes considerávamos essenciais para a (boa) educação de uma criança.

Depois, quando temos o primeiro filho, com total disponibilidade, conseguimos pôr em prática alguns dos princípios em que acreditamos. Sem exageros, claro, com as devidas excepções, mas é relativamente simples (mais para uns do que para outros princípios) pôr em prática as nossas crenças. Para nós, sempre foi essencial que a nossa cama não fosse a cama dos nossos filhos. Por isso, quando a Fatia#1 nasceu, raramente pernoitou connosco na mesma cama. E quando acordava durante a noite - raras foram as vezes, convenhamos - não era incomum ver-nos a passear pela casa ou estarmos no quarto dela até que se acalmasse. 

Quando a Fatia#2 apareceu nas nossas vidas, descobrimos que os princípios que tínhamos usado até então, e muito práticos no caso de um filho, caíam por terra. A verdade é que agora não tínhamos que gerir a subtileza de apenas um ritmo de sono, mas de dois (e quem diz de sono, diz de alimentação, de brincadeira, de atenção, entre outras coisas). 

Agora, quando à noite uma acorda, a nossa preocupação máxima prende-se com o não acordar a outra alminha ao invés de lhes mostrar que é na sua cama que devem dormir. Por isso, não raras vezes - porque a Fatia#2 acorda mais vezes durante a noite que a Fatia#1 - a pequena vai re-adormecer à nossa cama. Tranquilamente, sem birras, nem choros de maior, preservando a calma e a serenidade da noite para os restantes elementos da casa. 

De facto, cada vez mais me convenço que a educação não é tanto a implementação de princípios rígidos, mas sim a capacidade de nos adequarmos aos mesmos de acordo com os constrangimentos, de maneira a criar crianças saudáveis e seguras de si. 

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